30.3.15

Sacerdotes dos EUA, Reino Unido e Espanha manifestam-se contra o actual rumo da Igreja


Nos Estados Unidos, no Reino Unido, em Espanha os sacerdotes começam agora a manifestar publicamente as suas objeções ao rumo imprimido à Igreja. A forma como o fazem indicia a existência de um clima de repressão e medo.


Uma carta do Fr. Anonymous

O The Remnant publicou uma carta de um sacerdote com o título "Com medo do Papa Francico" que gerou um grande número de comentários e ecoou pela Internet. A missiva começa assim:
"Sinto-me encorajado pelos vossos artigos criticando o Papa Francisco pelos seus constantes ataques aos fiéis católicos ao mesmo tempo que que aprova o comportamento imoral de outros.

Sou sacerdote há 25 anos. Nunca experimentei tamanho sobressalto espiritual em todos estes anos e, acredite-me, eu assisti àquilo que eu pensava ser o pior que a Igreja Católica tinha para oferecer.

O comportamneto do Papa Francisco e os seus contínuos comentários improvisados deixam-me desmoralizado. Nunca senti tamanha má-vontade vinda da Santa Sé. A confusão provoca pelas afirmações do Papa Francisco entre os meus paroquianos e a forma como as acções do Papa reforçam uma cultura que já de si é anti-católica têm algo de sinistro. No olhar do Papa Francisco não vejo amor e compaixão mas antes vanglória e astúcia.

Existe agora a possibilidade de uma catástrofe quando o Sínodo reunir no Outono. O meu próprio Arcebispo enviou um inquérito aos paroquianos sobre o casamento e a família. As questões parecem tendenciosas, como se se pretendesse obter determinadas respostas. Temo, como nunca aconteceu anteriormente, que estejamos a enfrentar sérias mundanças doutrinais. Apesar do Papa Francisco continuar a insistir que se tratam de meras mudanças disciplinares, parece-me que ele está a ser insincero.

Por todo o Mundo vemos cardeais, arcebispos e bispos legitimando comportamentos que são inequivocamente condenados por Papas e Concílios. Enquanto vou ouvindo e vendo estes acontecimentos ecoa na minha mente a frase "
o fumo de santanás entrou no santuário"
[frase pronunciada pelo Papa Paulo VI numa homília em 1972 na sequência dos catastróficos acontecimentos do pós-concílio]. Será que tudo o que está a acontecer é obra de satanás? Não estou preparado para o afirmar, mas no meu coração temo que seja verdade. E se for verdade então também poderá ser verdade que muitos membros da hierarquia não pertencem a Cristo.

Tenho conversado com outros sacerdotes sobre tudo isto. Todos nós temos medo do que poderá acontecer. Nenhum de nós sente que está apoiado em bases doutrinais sólidas. Todos nós trememos sempre que o Papa Francisco se vê em frente de um grupo de jornalistas. O que será que ele vai dizer a seguir? De que forma vai ele repreender aqueles que são fiéis servidores de Cristo? De que forma é que seremos castigados desta vez?

Um sacerdote perguntou-me o que é que eu faria se a Igreja aprovásse formalmente aquilo que anteriormente condenava. Tive de confessar que provavelmente seria obrigado a abandonar o ministério activo. Ele admitiu que estava na mesma situação.

O meu medo mais profundo é que se o Papa continuar a empurrar a Igreja no caminho da heresia teremos uma guerra entre os fiéis que fará a oposição do Arcebispo Lefebvre depois do Vaticano II parecer uma simple objeção.

Eu sei que irão compreender a razão pela qual não vou assinar esta carta.

Que Deus preserve a Sua Santa Igreja Católica das forças, vísivive e invisíveis , de dentro e de fora, que pretendem destruí-la. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores!
"


Um abaixo-assinado de 500 sacerdotes britânicos

Cerca de 500 sacerdotes britânicos fizeram publicar no Catholic Herald uma carta ao director manifestando a sua fidelidade ao magistério da Igreja sobre as questões da família e da sexualidade e à disciplina tradicional sobre a recepção dos sacramentos. Os signatários apelam aos participantes no Sínodo de Outubro de 2015 que defendam e proclamem o imutável ensinamento moral da Igreja:
"Na sequência do Sínodo Extraordinário realizado em Roma em Outubro de 2014 levantou-se grande confusão sobre o ensinamento moral da Igreja. Na actual situação, desejamos, enquanto sacerdotes católicos, re-afirmar a nossa resoluta fidelidade às doutrinas tradicionais sobre o casamento e o verdadeiro sentido da sexualidade humana, fundadas na palavra de Deus e ensinadas pelo Magistério da Igreja durante dois mil amos.

Comprometemo-nos novamente a apresentar este ensinamento em todas as suas dimensões enquanto, com a compaixão do Senhor, vamos ao encontro daqueles que lutam para responder às exigências e aos desafios do Evangelho numa sociedade cada vez mais secularizada. Mais, afirmamos a importância de defender a discplina tradicional da Igreja sobre a recepção dos sacramentos e a firme e inseparável harmonia entre doutrina e prática.

Exortanos todos os participantes no segundo sínodo sobre a família em Outubro de 2015 a fazer uma firme e clara proclamação do imutável ensinamento moral da Igreja, para que a confusão seja removida e a Fé confirmada.
"
Na sequência da publicação desta carta, o Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Nichols, veio criticar duramente estes sacerdotes. De facto, é escandaloso assistir a uma proclamação de lealdade sacerdotal à doutrina da Igreja...


Sacerdotes espanhóis comparam afirmações do Papa Francisco com a doutrina da Igreja

Um grupo de sacerdotes diocesanos espanhóis, alguns deles professores de teologia - anónimos - lançaram um site a que chamaram, com algum sentido de humor, El Denzinger-Bergoglio. O sub-título do blog é "Los sorprendentes aportes de Francisco al bimilenario Magisterio de la Iglesia".

Neste site apresentam uma "antología dos principais ensinamentos [do Papa Francisco] confrontado-os com o Magistério da Igreja".

O resultado é devastador mas, simultaneamente, confirma na Fé.


Meu comentário

Aqueles que manifestam dúvidas e inquietações sobre o Pontificado Bergogliano arriscam-se a ser etiquetados como lefebvristas.

Mas todos os sacerdotes acima mencionados são sacerdotes diocesanos que citam o magistério dos Papas pós-conciliares e os textos do Vaticano II em defesa das suas posições.

Era bom que se levassem a sério as preocupações destas pessoas porque, doutra maneira, algumas delas acabarão mesmo - lá mais para Outubro - a frequentar as capelas da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X. Isto na melhor das hipóteses porque o sínodo e o pós-sínodo podem fazer surgir dúvidas sobre aquilo que a Igreja afirma sobre si própria.

29.3.15

Decreto da condenação de Nosso Senhor / Text of Our Lord's Condemnation

Um documento, supostamente o original da sentença de condenação de Nosso Senhor, apareceu em Nápoles em 1280. É um documento curioso, mas dificilmente poderá ser considerado genuíno. Diz assim:

"No ano 17 do reino de Tiberius César, no dia 25 do mês de Março, na cidade sanda de Jerusalém, sendo Anás e Caifás os sumo sacerdotes do povo de Deus, Pôncio Pilato, governador da Galileia, presidindo ao pretório condenou Jesus de Nazaré a morrer na cruz entre dois ladrões, tendo as testemunhas do povo afirmado que:

1º Jesus é um sedutor; :
2º Ele é sedicioso;:
3º Um inimigo da LeiM
4º Atribui a si mesmo os títulos de Filho de Deus e Rei de Israel;
5º Ele entrou no Templo seguido por multidões segurando ramos de palmeira nas mãos.

Ele ordena ao primeiro centurião Cornélio que o leve até ao local da execução e proíbe todas as pessoas, ricas ou pobres, de tentar evitar a morte de Jesus.

Testemunhas que assinaram a setença: Daniel Robani, fariseu; Joannas Zorobatel; Raphael Robani : Capet.

Jesus sairá da cidade de Jerusalém pela porta de Ikuenean
. — Catechisme en Exemples.
A document, purporting to be the original of the sentence of Our Lord's condemnation, made its appearance at Naples in 1280. It is curious, but can hardly be regarded as genuine. It runs as follows:

"The year 17 of the reign of Tiberias Caesar, the 25th day of March, in the Holy City of Jerusalem, Annas and Caiaphas being the high priests of the people of God, Pontius Pilate, governor of Galilee, seated in the presidential chair of the pretorium, condemns Jesus of Nazareth to die on the cross between two thieves, the witnesses of the people saying:

1st, Jesus is a seducer;
2nd, He is seditious;
3rd, an enemy of the Law;
4th, He falsely calls Himself the Son of God and King of Israel;
5th, He entered the Temple, followed by crowds holding palms in their hands.

He orders the first centurion, Cornelius, to lead Him to the place of execution, and forbids all persons, rich or poor, to prevent the death of Jesus.

Witnesses signing the sentence: Daniel Robani, pharisee; Joannas Zorobatel; Raphael Robani; Capet.

Jesus shall leave the city of Jerusalem by the Ikuenean gate
." — Catechisme en Exemples.

28.3.15

O Sacrilégio de Lothaire / Lothaire's Sacrilege

Um terrível exemplo do julgamento de Deus sobre os comunicantes sacrílegos é a história de Lothaire que viveu no Séc. IX. Tal como Henrique VIII, ele deixou a sua esposa legítima para "casar" com outra mulher, Valrade, por quem se tinha apaixonado ilicitamente.

Por esta razão, foi excomungado pelo Papa Adriano, que condenou este segundo "casamento" como um crime grave.

Lothaire tentou então enganar Sua Santidade aparentando estar arrependido e foi a Roma para ser absolvido das censuras da Igreja, informando o Papa de que tinha cortado totalmente a sua ilegítima relação com Valrade.

Enganado pela sua hipocrisia, Adriano absolveu-o e, a seu pedido, aceitou dar-lhe a comunhão como sinal da sua reconciliação com a Igreja.

No dia marcado, o Papa Adriano celebrou os Sagrados Mistérios na presença do Rei. No momento da comunhão, tomando na sua mão o Corpo de Nosso Senhor, voltou-se para Lothaire e disse:
"Príncipe, se tiveres sinceramente renunciado a qualquer relação com Valrade, aproxima-te com confiança e recebe o Sacramento da vida eterna. Mas, se o teu arrependimento não for sincero, não recebas precipitadamente o Corpo e Sangue de Nosso Senhor porque, ao profaná-lo, estarás a comer e a beber a tua própria condenação."
Depois, voltando-se para os cortesãos, disse:
"Se não tiverdes consentido nos, nem contribuído para os crimes do vosso mestre, que o Corpo do Senhor seja para vós penhor de vida eterna !"
Alguns dos presentes, aterrorizados, afastaram-se, mas o Rei e uma grande quantidade dos seus seguidores consumaram o seu crime ao receberem a Santíssima Comunhão.

Algum tempo depois, Lothaire regressou a Franca ansioso por voltar tão cedo quanto possível para a malvada mulher a quem tinha fingindo rejeitar. Mas não se tinha afastado muito quando foi vítima do julgamento do Céu. Em Lucca, ele e o seu séquito foram atacados por uma febre maligna que produziu nas suas vítimas os mais terríveis efeitos. Os seus cabelos, as unhas e até as suas peles começaram a cair, enquanto um fogo interior os consumia. Assim morreram muitos debaixo dos olhos do Rei; os poucos que foram preservados foram os que se tinham afastado a tempo da Sagrado Banquete. O próprio Lothaire, empedernido pelo seu sacrilégio e pela sua malvada paixão, tentou continuar viajem até que, por fim, perdendo a sanidade e a fala, pereceu miseravelmente sem esperança nem sinal de arrependimento. Anecd. ChrSt.
A terrible example of the judgment of God on the sacrilegious communicant is related in the history of Lothaire, who lived in the ninth century. Like Henry VIII, he had put away his lawful wife, to marry another woman named Valrade, for whom he had conceived a guilty passion.

For this he was excommunicated by Pope Adrian, who condemned this second marriage as a most grievous crime.

Thereupon Lothaire sought to impose upon his Holiness by the specious appearance of repentance, and came to Rome to be absolved from the censures of the Church, representing to the Pope that he had entirely broken off the guilty connection.

Deceived by his hypocrisy, Adrian absolved him, and, at his earnest request, consented to communicate him and his principal officers with his own hands, in token of their reconciliation with the Church.

The day appointed having arrived, Pope Adrian celebrated the Sacred Mysteries in presence of the King. At the moment of Communion, taking in his hand the Body of Our Lord, he turned towards Lothaire and said:
"Prince, if you have sincerely renounced all connection with Valrade, approach with confidence and receive the Sacrament of eternal life. But if your repentance is not sincere, do not rashly receive the Body and Blood of Our Lord, and by profaning them, eat and drink your own condemnation."
Then, turning to the courtiers, he said:
"If you have neither consented nor contributed to your master's crimes, may the Body of Our Lord be to you a pledge of eternal life !"
Some of those present, struck with terror at the words, drew back, but the King and the greater portion of his followers consummated their crime by receiving Holy Communion.

A short time after, Lothaire set out on his return to France, anxious to rejoin as soon as possible the wicked woman whom he had pretended to dismiss. He had not gone far, however, when he was overtaken by the judgment of Heaven. At Lucca, both himself and his train were attacked by a malignant fever, which produced upon its victims the most frightful effects. The hair, nails, and even the skin fell off, while an inward fire consumed them. Thus did many die under the eyes of the King ; those only were preserved who had withdrawn in time from the Holy Table. Lothaire himself, hardened by his sacrilege and his wicked passion, strove to continue his journey, until at last, losing both sense and speech, he perished miserably without hope or sign of repentance. — Anecd. ChrSt.

22.3.15

En Pakistán: El sacrificio de un joven, salvación para muchas personas

"Tiene un nombre y un apellido el guardián – héroe que el domingo pasado en Lahore ha impedido que el autor kamikaze del grupo «Jamaat ul Ahrar» entrara en la iglesia católica de San Juan, abarrotada de fieles para la misa. Se llamaba Akash Bashir y era un joven antiguo alumno de la escuela profesional salesiana situada en el barrio de mayoría cristiana de Yuhannabad.

21/03/15 5:41 PM | Imprimir | Enviar

(ANS) Se abrazó al asaltante, haciendo de escudo con su cuerpo; él perdió la vida pero salvó la de otras muchas personas.

Se ha confirmado su identidad el 17 de marzo, a medida que se va aclarando la dinámica del atentado. Akash Bashir, en calidad de «guardia de seguridad» se encontraba con un compañero suyo en el portón de la iglesia controlando la entrada.

Cuando el kamikaze se ha acercado a la entrada, buscando la manera de pasar violentamente a los dos jóvenes guardas, lo ha detenido; advirtiendo la carga explosiva que escondía debajo de una cazadora, lo ha abrazado y la explosión le ha separado la parte inferior del cuerpo. Gracias a él el balance de víctimas no ha sido tan terrible como los asaltantes habrían previsto.

Entre tanto, no cesa el clima de violencia e inseguridad en la ciudad. Ayer, después de los funerales, algunas manifestaciones han degenerado en violencia por parte de grupos de jóvenes emotivamente indignados: en las calles, violencia salvaje y vandalismo que a duras penas han podido ser controladas por las fuerzas especiales militares conocidas como «Rangers».

Estas manifestaciones violentas están haciendo ahora más precaria la seguridad de los cristianos. En la mañana del 17 de marzo, un grupo compacto de musulmanes, animados por los altavoces de mezquitas vecinas, han entrado en el barrio cristiano, han tomado la vía principal y apenas han podido detenerlas las fuerzas del orden antes de que entrasen en contacto con el grupo cristiano, alineados en la parte opuesta.

La escuela salesiana permanecerá cerrada hasta que no se garantice totalmente su seguridad; algunos jóvenes ni siquiera pueden volver actualmente a sus casas, a causa de los continuos desórdenes y de la violencia callejera.

«Al ser minoría cristiana, hay momentos en que nuestra única esperanza está en la ayuda de Dios y de su Madre María», comentan los Salesianos en Lahore."

[Fonte]

16.3.15

The Abuse of God's Mercy (St. Alphonsus Maria di' Liguori)

  1. There are two ways by which the devil endeavors to deceive men to their eternal ruin: after they have committed sin he tempts them to despair on account of the severity of divine justice; but before they have sinned he encourages them to do so by the hope of obtaining the divine mercy. And he effects the ruin of numberless souls as well by the second as by the first artifice. "God is merciful," says the obstinate sinner to him who would convert him from the iniquity of his ways. " God is merciful." But as the Mother of God expresses it in her canticle, His mercy is to them that fear Him (Luke I. 50). Yes, the Lord deals mercifully with him that fears to offend him, but not so with the man who presumes upon his mercy to offend him still more.

    O God ! I give Thee thanks for having made me sensible of Thy patience in bearing with me. Behold, I am of the number of those who, presuming on Thy goodness, have offended Thee again and again.

  2. God is merciful; but he is also just. Sinners are desirous that he should be merciful only, without being just; but that is impossible, because were he only to forgive and never to chastise, he would be wanting in justice. Hence Father Avila observes that patience on the part of God towards those who avail themselves of his compassion to offend him the more, would not be compassion, but a want of justice. He is bound to chastise the ungrateful. He bears with them for a certain time, but after that abandons them.

    Such a punishment, O God! has not as yet overtaken me, or else I had now dwelt in hell, or had been obstinate in my sins. But no: I desire to amend my life; I desire to offend Thee no more. Though I have hitherto displeased Thee, I am sorry for it with my whole soul; I desire henceforth to love Thee, and I desire to love Thee more than others do, because Thou hast not shown the same patience towards others as towards me.

  3. God is not mocked (Gal. vi. 7). Yet he would be mocked, if the sinner could go on continually offending him, and yet afterwards enjoy him in heaven. What things a man shall sow, those also shall he reap (Ibid. 8) He who sows good works shall reap rewards; but he who sows iniquities shall reap chastisements. The hope of those who commit sin because God is forgiving, is an abomination in his sight: their hope, says holy Job, is an abomination (Job, xi. 20). Hence the sinner, by such hope, provokes God to chastise him the sooner, as that servant would provoke his master, who, because his master was good, took advantage of his goodness to behave ill.

    O Jesus ! such, I fear, has been my conduct towards Thee; because Thou wast good I have made no account of Thy precepts. I confess that I have done wickedly; and I detest all the offences I have committed against Thee. Now do I love Thee more than myself, and I desire never more to displease Thee. Ah, if I should again offend Thee by mortal sin! Permit it not, O Lord; rather let me die. O Mary, Mother of perseverance, do thou assist me.
St. Alphonsus of Liguori [Source]

15.2.15

O Papa S. Estevão I (254-257) e a fórmula do Baptismo

Fanning, William. "Baptism." The Catholic Encyclopedia. Vol. 2. New York: Robert Appleton Company, 1907. 15 Feb. 2015 :
"The authority of Pope Stephen I has been alleged for the validity of baptism given in the name of Christ only. St. Cyprian says (Epistle 72) that this pontiff declared all baptism valid provided it was given in the name of Jesus Christ. It must be noted that the same explanation applies to Stephen's words as to the Scriptural texts above given. Moreover, Firmilian, in his letter to St. Cyprian, implies that Pope Stephen required an explicit mention of the Trinity in baptism, for he quotes the pontiff as declaring that the sacramental grace is conferred because a person has been baptized "with the invocation of the names of the Trinity, Father and Son and Holy Ghost".
Denzinger:
ST. STEPHAN I 254-257

The Baptism of Heretics *

[Fragment of a letter to Cyprian, from his letter (74) to Pompey]

46 (1) . . . "If therefore any come to you from any heresy whatsoever, let nothing be renewed except what has been transmitted, so that the hand is placed upon them for repentance, since the heretics among themselves properly do not baptize those coming to them, but only give them communion."

[Fragment from a letter of Stephan from a letter

(75) of Firmilianus to Cyprian]

47 (18) "But," he [STEPHAN] says, "the name of Christ conduces greatly to faith and to the sanctification of baptism, so that whoever has been baptized anywhere in the name of Christ, at once obtains the grace of Christ."

9.1.15

My take on D. Manuel Clemente's elevation to cardinal


D. Manuel Clemente is an historian and a late vocation (he was 31 when he was ordained). He had very little parish experience and spent most of his career as a professor at the Portuguese catholic university and as head of Lisbon's major seminary. He was later made auxiliary-bishop of Lisbon under D. José Policarpo. He became Bishop of Oporto in 2007.

People who know him personally say that he is a very nice, mild-mannered person. He was well liked and respected, both personally and academically, by everyone and he was moderately popular even among the notoriously liberal establishment and media. He gave weekly talks in the (catholic) radio and presented a TV program for several years.

When the succession of D. José Policarpo started to be discussed, he was seen as the "conservative" - some called him "ratzingerian" - candidate and eventually he was elevated to Patriach of Lisbon.
I would like to stress that he never made any scandalous declarations (unlike some of the other cardinal-elects - Dew, Menichelli, Sturla). He also had a very friendly relationship with "conservatives". For instance, he dedicated several episodes of his TV program to St. Josemaria Escrivá of Opus Dei.

After Pope Francis was elected, and after "Evangelii Gaudium", D. Manuel started trying to follow the Pope's lead.

He announced a diocesan Synod for 2016 under the motto "o sonho missionário de chegar a todos"/"the missionary dream of reaching everybody". D. Manuel stated that the aim of the Synod is to "make available to everyone, every family, every community an occasion to experiment the joy of the gospel". There have been preparatory meetings and discussions at parish level (working groups) and an online questionnaire was launched that follows Evangelium Gaudium to the letter.
Unfortunately, it seems that D. Manuel is also following the Pope's lead in the choice of theologians.
He published an article in the diocesan website in the end of the first week of the Synod on the Family (in which he participated as the head of Portugal's Episcopal Conference), where he, after quoting extensively from then official press releases, stated the following a:

"...  Cd. Kasper  ... in his speech at last February''s consistory - at the invitation of the Pope, let us remind ourselves of this -  ... stated that we are in a situation similar to Vatican Council II concerning religious freedom. In my synodal intervention, I explicitly referred to this point in the following way: 'Fifty years ago it was not easy for the council fathers to harmonize religious freedom with the objectivity of revealed truth. But they ended up including in this objectivity the space that God gives each and everyone of us to discover the truth and to adhere to it (cf. Declaração Dignitatis Humanae, 2). I believe that, with the necessary distinctions of theme and solution , there is in this very important conciliar point a light for what we are discussing here, to the greater good of the family and its sacramental dimension, that should be maintained and recovered whenever its possible'."

A few weeks ago (23/12/2014) he was interviewed by center-rigth online paper "Observador". When speaking about the synod, D. Manuel's words were interpreted in the following way:

"The Patriarch of Lisbon prefers to stress that the Church has a two thousand years old tradition, but that it is an evolving tradition. 'The word tradition does not mean static. The origin of the word comes from relay races. Tradition was the name of what was passed form hand to hand'”.

(Interestingly in the same interview he describes a synod which was not very peaceful: "Monday [after the interim report] was a bit complicated...", “there were some tense moments in Thursday afternoon and in Friday morning".... but we already knew this.)

His promotion to Cardinal might be related to his own "doctrinal development" concerning the Pope's pet causes. On the other hand. Lisbon has been a Cardinalatial See since the 18th century. It was agreed between Pope Clement XI and King John V of Portugal that the Patriach of Lisbon should be made a cardinal at the first consistory following his appointment. The thing is, this is the second consistory after D. Manuel's appointment ... so other factors might be involved.

My personal opinion is the following: D. Manuel is a very "middle-of-road" bishop, neither liberal, nor conservative. He is trying to follow Pope Francis lead. He won't make waves and will go along with whatever the Pope decides. I think this was the reason why he was elevated to Cardinal.

His statements about the "divorced"/"remarried" issue reveal what he perceives to be the Pope's position. He might be a bit misled by the mainstream media's depiction of the Pope and/or he might have kept bad company during the synod (he was in Cd. Sistach's language group, the only group who praised the interim report).

30.12.14

Requisitos para recibir dignamente la Sagrada Comunión (Padre Lucas Prados)


Cada vez se está haciendo más frecuente ver en nuestras iglesias, por un lado, largas colas para recibir la Comunión en la Santa Misa, y por otro lado, los confesionarios siempre vacíos (ni sacerdotes confesando, ni penitentes). Ante ello me asalta una grave pregunta: ¿Están recibiendo dignamente a Jesús sacramentado aquellos que se acercan a la Sagrada Eucaristía? Recordemos que quien recibe a Jesús en pecado mortal comete un grave sacrilegio. Es más, según nos dice San Pablo: “El que recibe indignamente el Cuerpo de Cristo, está recibiendo su propia condenación”(1 Cor 11: 29)


Conozco hombres y mujeres que acuden frecuentemente a recibir a Jesús Sacramentado, pero nunca los veo acercarse a la confesión. Cuando en alguna ocasión me he referido a ello en la predicación de la Misa esperando ser escuchado, no he visto respuesta alguna. Esas mismas personas han seguido comulgando, pero nunca se han acercado a confesarse. Ante esta preocupante realidad tenemos que buscar las causas y una posible solución.


PREGUNTA: ¿Por qué están los confesionarios vacíos? ¿Por qué muchos cristianos se acercan a recibir la Sagrada Comunión sin haberse confesado en mucho tiempo; es más, en estado de pecado mortal?


RESPUESTA: Primero, porque el sacerdote ya no se sienta habitualmente a confesar. Y segundo, porque se ha perdido el sentido del pecado. No digo que el hombre no peque gravemente, sino porque la conciencia se ha hecho tan laxa y permisiva que ha perdido su delicadeza. Para esa nueva conciencia ya nada es pecado grave. Se oye con frecuencia decir a aquél que se acerca en alguna ocasión a confesarse: “Hace cinco años que no me confieso, pero como no mato ni robo…” Luego, cuando uno empieza a preguntarle: ¿Va usted a Misa todos los domingos? Y otras preguntas comunes de la confesión, descubre que hay cantidad de pecados mortales, pero que para esa persona no tienen importancia alguna. No por eso esa persona deja de ser culpable, pues si ha llegado a esa condición de laxitud de conciencia ha sido en la mayoría de los casos por culpa propia.


PREGUNTA: ¿Qué condiciones se requieren para que un católico pueda recibir dignamente la Sagrada Comunión?


RESPUESTA:

  • Estar en gracia de Dios: para lo cual hay que confesarse previamente si uno tiene conciencia de pecado grave.
  • Guardar el ayuno eucarístico: una hora antes de comulgar no se puede comer ni beber nada, salvo agua o medicinas.
  • Saber a quién recibimos. Por eso los niños han de recibir la catequesis antes de realizar su Primera Comunión.

PREGUNTA: ¿Con qué frecuencia de debo confesar si deseo recibir la Comunión todas las semanas?

RESPUESTA: La pregunta está mal formulada. Lo que la Iglesia nos exige es que recibamos a Jesús Sacramentado en estado de gracia santificante; es decir sin pecado mortal. De todos modos, la Iglesia nos manda confesar los pecados mortales al menos una vez al año. Ahora bien, si deseas recibir la Sagrada Comunión todas las semanas, lo mejor es que te confieses al menos una vez al mes aunque no tengas conciencia de pecado grave. Y en el supuesto de que hubiera algún pecado mortal, habría que confesarse siempre antes de recibir la Comunión.

PREGUNTA: ¿Se puede recibir la Comunión de pie y en la mano?

RESPUESTA: La Iglesia aconseja recibir la Comunión de rodillas y en la boca. De rodillas, en señal de adoración a Cristo. Y en la boca, pues nuestras manos no están consagradas para tocar la hostia. A pesar de ello, los obispos de ciertas diócesis autorizan a recibir la Comunión de pie y en la mano. Desgraciadamente esta costumbre se ha extendido en muchos lugares, lo que ha llevado consigo una pérdida de devoción y respeto a la Sagrada Eucaristía.

PREGUNTA: ¿Se puede recibir la Comunión en pantalones cortos…?

RESPUESTA: No se debe. Es más, para asistir a la Misa se debe estar debidamente vestido. Ciertas prendas de vestir no son aptar para entrar en el templo, pues el templo es un lugar sagrado y debemos vestir acorde con el lugar a donde vamos.

Los frutos de la Sagrada Comunión: Frutos de la Comunión en el alma

  1. La Eucaristía nos une íntimamente con Cristo y, en cierto sentido, nos transforma en Él. Es el primer efecto y más inmediato puesto que en el recibimos real y verdaderamente el Cuerpo, Sangre, Alma y Divinidad del mismo Cristo. “Yo soy el pan de vida… Yo soy el pan que bajó del cielo… Si uno come de este pan vivirá para siempre y el pan que yo daré es mi carne para la vida del mundo. En verdad, en verdad, os digo, si no coméis la carne del Hijo del Hombre y no bebéis su sangre, no tenéis vida en vosotros. El que come mi carne y bebe mi sangre, tiene vida eterna y Yo le resucitaré el último día. Porque mi carne mía es verdadera comida y mi sangre es verdaderamente bebida. El que come mi carne y bebe mi sangre, en Mí permanece y Yo en él. El que come de este pan vivirá eternamente” (Juan, 6, 35-58).

    Los alimentos corporales que comemos, los transformamos en carne propia; por el contrario, al comulgar es Cristo quien nos transforma en Él, haciéndonos cada vez más semejantes a Él. El que comulga bien, puede decir con san Pablo: “Cristo vive en mí” (Gálatas, 2, 20). Esto es una maravillosa realidad.

    La Santa Comunión nos une a Cristo de una manera muy estrecha e íntima por medio de una gran caridad y vehemente amor. Después de ser recibido por nosotros, “Jesucristo nos mira como cosa suya propia y nos cuida con especialísimo amor, como cosa a Él perteneciente y nos rodea de singular providencia para que seamos y permanezcamos dignos de Él. No solo tiene cuidado de nuestra alma, sino aun de nuestro propio cuerpo y de toda nuestra persona en orden a nuestra santificación y perfección”.

  2. La Eucaristía nos une con la Santísima Trinidad. Es una consecuencia necesaria del hecho de que en la Eucaristía esté real y verdaderamente Cristo entero, con su Cuerpo, Alma y Divinidad. Porque las tres personas divinas –el Padre, el Hijo y el Espíritu Santo son absolutamente inseparables. Donde está una de ellas, tienen que estar forzosamente las otras dos. Y aunque es verdad que el alma en gracia es siempre templo vivo de la Trinidad, la Sagrada Comunión perfecciona ese misterio de la inhabitación trinitaria (Juan 14, 23; 2 Cor. 6, 16). “Así como el Padre, que me ha enviado, vive, y yo vivo por el Padre; así quien me come vivirá por Mí”, dice Nuestro Señor (Juan 6, 58).

  3. La Eucaristía aumenta la gracia santificante al darnos la gracia sacramental que alimenta, conforta y vigoriza nuestra vida sobrenatural.

  4. La Eucaristía aumenta la fe, la esperanza y, sobre todo, la caridad. Aumenta la fe por el acto de fe que hacemos al recibir a Cristo en el Sacramento. Aumenta la esperanza porque la Eucaristía es prenda y garantía de la gloria y de la vida eterna. Aumenta, sobre todo, la caridad según aquello de san Pablo: “La caridad de Cristo nos apremia” (2 Cor, 5, 14) ya que la comunión nos une a Cristo. “Es la caridad para con Dios y con el prójimo, una caridad no solo afectiva sino efectiva (nos hace amar a Dios y al prójimo realmente). De este modo la Eucaristía es vínculo de caridad que une los diversos miembros de toda la familia cristiana: a los pobres y a los ricos, a los sabios y a los ignorantes en la misma Santa Mesa; une a todos los pueblos de la cristiandad”.

    Aumenta, finalmente, todas las demás virtudes infusas (que son la prudencia, la justicia, la fortaleza, y la templanza) y los dones del Espíritu Santo, (que son la sabiduría, el entendimiento, la ciencia, el consejo, la fortaleza, la piedad y el santo temor de Dios). Desde luego la Sagrada Comunión tiene una eficacia santificadora incomparable, ya que la santidad consiste propiamente en el desarrollo y crecimiento perfecto de la gracia y de las virtudes infusas en nuestra alma.

  5. La Eucaristía borra los pecados veniales. La Comunión, siendo un alimento divino, repara las fuerzas del alma perdidas por los pecados veniales. La Comunión excita el acto de caridad y la caridad actual destruye los pecados veniales que son un enfriamiento de la caridad, como el calor destruye al frío. Como el alimento es necesario para restaurar las fuerzas del cuerpo cada día, así la Comunión es necesaria para restaurar las fuerzas del alma perdidas por la concupiscencia mediante los pecados veniales que disminuyen el fervor de la caridad (Suma Teológica III, 79, 4 ).

  6. La Eucaristía perdona indirectamente la pena temporal debida por los pecados. Es decir mientras somos más fervorosos, más recibimos perdón de nuestro purgatorio. La cantidad de la pena remitida estará en proporción con el grado de fervor y devoción al recibir la Eucaristía.

  7. La Eucaristía preserva de los pecados futuros, sobre todo, de los pecados de deshonestidad, por la pureza y castidad de la Carne y Sangre de Cristo que comunica su virtud, su fuerza al que las recibe. La Comunión robustece las fuerzas del alma contra las malas inclinaciones de la naturaleza y nos preserva de los asaltos del demonio al aplicarnos los efectos de la Pasión de Cristo, por la que fue él vencido, dice santo Tomás de Aquino (III, 79,6 y 79,6 ad 1). A un muchacho que había contraído el vicio de pecar, san Felipe Neri le aconsejó la comunión diaria. Él procuraba estar dispuesto para confesarle cuando quisiese y con la comunión diaria quitó al pobre joven su mal hábito deshonesto.

  8. La Eucaristía es prenda de la gloria futura. El mismo Cristo dijo: “El que come mi carne y bebe mi sangre, tiene la vida eterna, y yo lo resucitaré el último día” (Juan, 6, 54). El Magisterio de la Iglesia lo afirmó en el Concilio de Trento: “Quiso Cristo que la Eucaristía fuera prenda de nuestra futura gloria y perpetua felicidad” (Dz. 875).
Efectos de la Eucaristía en el cuerpo
  1. La Eucaristía, dignamente recibida, santifica en cierto modo el cuerpo mismo del que comulga. El catecismo romano del Concilio de Trento (2ª parte n° 53) dice: “La Eucaristía refrena también y reprime la misma concupiscencia de la carne, porque, al encender en el alma el fuego de la caridad, mitiga los ardores sensuales de nuestro cuerpo”.

  2. La Eucaristía confiere el derecho a la resurrección gloriosa de su cuerpo. “El que come mi Cuerpo y bebe mi Sangre, tiene la vida eterna, y Yo le resucitaré el último día” (Juan 6, 54). Se trata de la resurrección gloriosa para la felicidad eterna.

Comulgar es recibir a Dios. Es recibir santificación y fuerza, paz y consuelo, fe, esperanza y caridad. Comulgar es hacerse cada vez más semejante a Cristo, imitando sus virtudes y reproduciendo en sí mismo la vida y comportamiento de Cristo. Comulgar es armarse de la fuerza de Dios contra los vicios y los demonios; comulgar es ir sometiendo poco a poco el cuerpo al alma y ser libre de las esclavitudes de los vicios; comulgar es tener paz en el alma y a su alrededor.

Todos los santos han deseado recibir a menudo la divina Eucaristía; de ella han sacado su santidad y perfección. ¡Dichosos los que comulgan cada día o al menos cada domingo con buena preparación y acción de gracias!

Padre Lucas Prados

15.12.14

Oração no desânimo

Ó Meu Jesus, alivia-me no meu desânimo.

A Minha devoção desapareceu; os ensinamentos espirituais já não acalmam a minha alma perturbada. Mesmo a lembrança da Tua Paixão e da Tua Mãe Santíssima vão desaparecendo diante dos meus olhos.

Ó Jesus, não me abandones. Ajuda-me, ajuda-me !

Ouvi-me, ó meu Deus, fortalece e aumenta a minha fé. Impede-me de ceder à tentação.

Tu disseste: "O meu jugo é suave; e a minha carga é leve". Tem misericórdia de mim, porque para onde quer que me vire só vejo obstáculos e dificuldades. Fosse a minha fé forte e eu aceitaria as minhas provações; mas, infelizmente, eu sinto apenas impaciência, dúvida e desânimo.

Minha alma, apega-te a Jesus. Quão fraco e infantil sou ! Todo o meu conforto, toda a minha alegria deve vir de Ti. Abraça-me quando as tentações me assaltam. Ajude-me a não naufragar.

Ó Senhor, meu Deus, lanço-me inteiramente nas tuas mãos. Desgastado pela luta, descansarei junto da Tua cruz; reza por mim na minha desolação de alma.

Jesus, Misericórdia !

Amém.

[São João Neumann (1811-1860)]

30.11.14

Pascendi : Um Resumo - Pe. Godfrey Carney (1998)

[Tradução para português com o auxílio do google translate do original em Inglês disponível aqui]

Quantos de nós lemos a famosa carta encíclica Pascendi Dominici Gregis ("Alimentar o rebanho do Senhor") ? Eu tinha já ouvido falar dela e tinha até lido alguns excertos. E por quatro vezes fiz o Juramento contra o Modernismo. Mas só agora, depois de velho, é que a li até ao fim.

É uma obra surpreendente escrita em 1907 pelo Papa São Pio X e é um vigoroso contra-ataque contra o Modernismo na Igreja Católica. Ao lê-la, sinto a angústia de um Pastor da Igreja Universal, homem gentil e de grande coração, perante esta traição viciosa que veio de dentro da própria Igreja.

Na introdução, ele conta-nos como tentou de várias maneiras persuadir os responsáveis de forma bondosa e serena. Mas, por fim, vendo que todos os seus esforços eram em vão e que permanecer em silêncio seria "um crime", sentiu-se forçado a "expor diante de toda a Igreja as verdadeiras cores daqueles homens que tinham assumido este mau disfarce ". O pastor deve advertir o seu rebanho contra um veneno mortal, e alimentá-lo com a Verdade.


Anti-Intelectual e Agnóstico

O Papa verificou que as doutrinas modernistas apareciam dispersas e separadas, de modo a darem de si uma aparência de questionamento e incerteza, mas concluiu que, na realidade, elas articulam-se e formam um sistema. Passa então a agrupr as várias doutrinas. E fá-lo de froma profunda e magistral.

S. Pio X estuda o Modernista nas suas muitas personalidades - como filósofo, crente, teólogo, crítico, apologista, reformador. Na filosofia, a hipótese inicial (de entre muitas) é desastrosa para o resto do sistema, e contradiz frontalmente a doutrina definida do Concílio Vaticano I, que afirma que "o único verdadeiro Deus, o nosso criador, pode ser conhecido pela luz da razão por meio das coisas que foram criadas ". O Modernismo nega tudo isto. Afirma antes que a razão humana se encontra totalmente confinada ao campo dos fenómenos - ou seja, ao que pode ser apercebido pelos sentidos, e por isso não pode elevar-se até Deus. Isso exclui por completo a Teologia Natural, os motivos de credibilidade, e toda a revelação externa.

É puro agnosticismo, próximo do ateísmo. Deus e tudo o que é divino ou miraculoso ou sobrenatural, deve ser excluído da ciência e da história, especialmente da história Bíblica, tanto no Antigo como no Novo Testamento.



A Fé como um sentimento difuso

Então de onde vem a religião? A religião encontra-se no homem. É uma imanência. Encontramos Deus no sentimento religioso, um sentimento que se eleva do subconsciente, um movimento do coração.

A isto é o que o modernista chama Fé. Não é o que a Doutrina Católica ensina - "A fé é um ato do intelecto comanda pela vontade que dá o seu assentimento à revelação de Deus, porque Deus é a Verdade". Não. Esse caminho está bloqueado para o Modernista pelo seu próprio agnosticismo. A fé é um sentimento no coração. O sentimento religioso gera experiência religiosa. Isto é a revelação. Este sentimento religioso é a fonte de toda a religião, de todos os tipos de religião, incluindo a Religião Católica. Não existe revelação externa.


A Bíblia é uma expressão de experiências - as experiências sentimentais religiosas dos patriarcas, dos profetas, de Cristo que foi o maior profeta, mas apenas um homem, um homem de sentimento religioso excepcional. De Seu sentimento religioso, como uma planta de uma semente, emana de alguma forma a Igreja. Assim também os seus dogmas e os seus Sacramentos.

Os dogmas são fórmulas produzidas pela razão que reflecte sobre o sentimento religioso (e aqui é permitida a entrada da razão [intelecto] no processo). Estes dogmas são apenas símbolos, fórmulas imperfeitas e, portanto, estão sujeitas, como tudo o resto, à evolução. Eles podem mudar e devem mudar, de acordo com os tempos e circunstâncias, e de acordo com as necessidades individuais ou colectivas resultantes de diferentes facetas do sentimento religioso interior. O Magistério da Igreja existe para fornecer um elemento conservador, formando um sentimento comum ou consciência ou fé colectivas. Quando têm lugar mudanças evolutivas progressistas na consciência colectiva, então o Magistério deve-se curvar perante ela e chegar a um compromisso (como numa democracia).

Os sacramentos são símbolos, decorrente da necessidade de dispor de algumas manifestações visíveis e sensíveis da religião, e um meio de propagá-la.


Síntese de todas as heresias: Destruidor de todas as religiões

Tentei, muito desadequadamente, comprimir a longa e detalhada análise do Papa num espaço muito curto.

O ponto principal que deve impressionar o leitor desta análise é este: Um sistema que coloca de lado a inteligência humana, a potência mais elevada do homem, e coloca no seu lugar o sentimento, uma emoção, destrói desta forma a sua própria credibilidade. A gratuita, preconceituosa e blasfema divisão entre "o Cristo da fé", e "o Cristo da história", destaca um absurdo. Esta separação entre a Fé e a filosofia, a ciência e a história, significa que um modernista, enquanto filósofo, historiador e crítico, pode ser completamente agnóstico sobre a religião, e ao mesmo tempo, apoiando-se no seu sentimento interior, pode pregar o que soa como um sermão Católico.

O Modernismo torna este absurdo possível ao limitar o conhecimento humano ao mundo cognoscível, e a fé ao mundo incognoscível. A ciência e a Fé nunca se encontram; não há conflito entre elas. Assim, é possível afirmar que Jesus no mundo da realidade era apenas um homem e, simultaneamente, no mundo da fé pode-se rezar a Jesus enquanto Deus.

Foi esta a proposta de renovação da religião: a sua adaptação à mente moderna.

No final da sua longa exposição sobre esta heresia, o Papa escreve:
"E como pode alguém que examine todo o sistema ficar surpreendido que nós o classifiquemos como a síntese de todas as heresias? Se tentássemos recolher todos os erros contra a Fé e concentrar a seiva e substância de todos eles num único erro, não seria possível ter mais sucesso que os Modernistas. Não, eles fizeram mais do que isto, visto que o seu sistema significa a destruição, não apenas da religião católica, mas de todas as religiões".
Em seguida, o Papa sublinha alguns pontos:

Sentimento: Tirai a inteligência, e o homem, já de inclinado a seguir os sentidos, torna-se o seu escravo. O senso comum permanece sempre, e o bom senso diz-nos que o sentimento - emoção - se revela um estorvo ao invés de uma ajuda na busca da verdade. O sentimento, quando a inteligência não está lá para orientá-lo, vai enganar.

Experiência - que significa intensidade no sentimento, não acrescenta absolutamente nada ao sentimento. Quanto mais intensa for, mais é sentimental.

Imanência: Será que isto deixa Deus e homem distintos um do outro, ou não? Se sim, porquê rejeitar a revelação externa? Se não, não caímos imediatamente no panteísmo ? (O panteísmo diz que o mundo material é Deus. "Pan" em grego significa "tudo". "Theos" significa "Deus". Os cristãos acreditam, é claro, que Deus o Criador é distinto do mundo que Ele fez. O mundo está no Tempo. Deus é eterno, a Suprema Causa Primeira de todas as criaturas.)


Causas e Métodos

Depois, o Papa volta-se para as causas do Modernismo. As causas remotas, diz ele, são a curiosidade e orgulho. Curiosidade - o desejo de novidade, coisas novas, mudança, Mais importante é o orgulho, que cega a Alma. O "orgulho", diz ele, "está no modernismo como na sua própria casa." Nos modernistas, o orgulho diz: "Nós não somos como o resto dos homens", nós somos académicos, peritos, aqueles que sabem. O orgulho desperta neles a desobediência e o completo desrespeito pela autoridade.

A principal causa intelectual do Modernismo, diz o Papa, é a ignorância. A ignorância da escolástica e da tradição da Igreja. Porque eles abraçaram as falsas filosofias modernas, rejeitando com desprezo a filosofia perene que lhes permitiria reconhecer a confusão e os sofismas do seu pensamento.

O seu método consiste em cobrir de desprezo os obstáculos que estão no seu caminho - a filosofia escolástica, a autoridade dos Padres da Igreja, a Tradição e o Magistério da Igreja. Em relação a estes travam uma guerra implacável, usando escritos, posições editoriais, cargos de ensino em universidades e seminários, ganhando os jovens com o glamour das suas novidades, descartando aqueles que se lhes opõem como ignorantes, teimosos e ultrapassados.


Remédios

O Papa propõe, finalmente, soluções rigorosas. Ele impõe aos Bispos do mundo, e também aos superiores, e àqueles que têm autoridade sobre a educação, que tenham a máxima diligência na promoção de estudos suportados em bases sólidas, sobretudo a filosofia escolástica de São Tomás de Aquino. Ele solicita ainda que exerçam vigilância sobre os professores nomeados para ensinar aqueles que se aproximam do sacramento da ordem, sobre as publicações introduzidos seminários e escolas, e muito mais.


O Santo Padre fez acompanhar tudo isto do Juramento contra o Modernismo em 1910, juramento que deveria ser proferido por todos antes da ordenação, da indução como pároco e antes de assumirem outros cargos de responsabilidade. Ele também fundou em Roma o Instituto Bíblico para o estudo das escrituras.

O Papa termina a sua encíclica com um fervoroso pedido de força e coragem a Jesus Cristo, o Autor e Consumador da nossa Fé, e à Virgem Imaculada, a destruidora de todas as heresias.


Depois da tempestade: Cinquenta anos de Unidade, Clareza e Crescimento

Não é necessário acrescentar que ao ler esta poderosa encíclica eu senti uma sensação de já ter estado aqui antes, uma certa familiaridade. O leitor vai perceber porquê, é claro. Sim, o Papa Pio X fez o seu melhor para extirpar este cancro. Tenho ouvido dizer que ele expressou o temor de que haveria uma recaída. As palavras de Macbeth vêem-me à memória - "parámos a cobra, mas não matámos. Ela irá aproximar-se e ser ela mesma."

Na verdade, esta carta é estranhamente actual. Poderia ter sido publicada esta manhã (com alguma moderação na fraseologia, sem dúvida). Porque, infelizmente, o Modernismo reapareceu mais forte e mais generalizada do que antes. Está disfarçado sob a ficção do "espírito do Concílio Vaticano II," e ataca de novo.

Existem algumas modificações, mas é essencialmente a mesma coisa. Até mesmo as palavras usadas são praticamente as mesmos - "renovação", "símbolo", "experiência", "A experiência é a revelação", "as experiências da Páscoa dos Apóstolos", "a consciência dos primeiros cristãos" e assim por diante.


Depois da Pascendi uns poucos, que persistiram na dissidência, foram excomungados. Cerca de trinta sacerdotes deixaram a igreja. Mas muitos outros submeteram-se e retornaram à Verdade Católica. Talvez a carta do Papa tivesse sido um espelho no qual eles se reviram.

Esta carta deu à Igreja cerca de 50 anos de unidade, clareza e crescimento em realidade. Agradeço a Deus o facto de que, durante esse boa temporada, eu fui ensinado, treinado, e ordenado.

Que todos nós possamos desfrutar de um outro Verão como este ... e rapidamente !