10.6.06

A via dolorosa do CAA

O CAA continua a sua cruzada contra o Opus Dei. É pena que nem sempre saiba manter o debate dentro dos (generosos) limites do bom gosto bloguístico.

Registam-se, no entanto, dois aspectos positivos nos posts do CAA.

Por um lado, o CAA declara sem ambiguidades que "a novela de Dan Brown não corresponde aos factos históricos e o autor, despudoradamente, abusa de extrapolações e confusões de todo o tipo para apimentar a coisa". Ora aí está um resultado positivo das campanhas informativas lançadas pelo Opus Dei e por outras instituições da Igreja.

Por outro lado, regista-se uma certa evolução na sua argumentação (?). Aparentemente, o CAA já não está preocupado com a influência nefasta que os membros da Obra possam ter no aparelho de Estado, nos júris dos concursos públicos e nos júris de doutoramento. Este argumento, que constituiu um dos temas principais das suas intervenções no debate realizado na RTPN, não está já presente nos seus mais recentes posts.

Que pena! Podia-se sempre obrigar os membros do Opus Dei a usarem uma braçadeira amarela com a Cruz de Cristo.

Tendo recuado neste aspecto da sua argumentação - terá sido a formação jurídica a entrar em acção? -, o CAA limita-se agora a referir os seguintes aspectos:

  1. A mortificação corporal.

    Apesar da sua pouca importância na vida dos membros e no carisma do Opus Dei, esta tornou-se a questão central da sua argumentação,

    É de louvar o interesse que aparenta ter pela integridade física dos membros da Obra. É uma atitude muito cristã !

    E compreende-se que o ateu CAA não consiga perceber a razão pela qual os Católicos e, em particular os membros do Opus Dei, praticam a mortificação.

    O que já é menos compreensível é que o CAA assuma o papel de psicólogo de salão e declare que a única razão que pode levar alguém a praticar estes actos seja o masoquismo. E acaba por ultrapassar a fronteira do bom gosto (pelo menos) quando pretende comparar estas práticas com certas perversões sexuais.

    Da mesma forma não é compreensível que se distorçam os argumentos da outra parte. De facto, o Opus Dei refere que "[o] cilício e as disciplinas, como o jejum e outras penitências corporais, existem desde há muitos séculos na Igreja Católica. Muitos dos santos mais conhecidos e estimados, como São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola e Santa Teresinha de Lisieux, os usaram. No século XX também os utilizaram figuras como São Pio de Pietrelcina, a beata Teresa de Calcutá e o Papa Paulo VI. Algumas penitências corporais como o jejum e a abstinência de carne continuam a ser preceito para todos os fiéis católicos em determinados dias da Quaresma".

    Destas palavras o CAA conclui que o Opus Dei afirma que o cilício e a disciplina são "prática católica comum"...

    E da distorção, o CAA passa à falácia quando, recorrendo ao argumento da liberdade de expressão, compara os eventos à volta da "Paixão de Cristo" com os eventos que rodearam o "O Código da Vinci".

    Acontece que as mentiras, falsidades, erros, distorções e calúnias do "Código Da Vinci" e os seus efeitos sobre a opinião pública, não são comparáveis ao nunca provado anti-semitismo da "Paixão de Cristo", cujos alegados efeitos, aliás, nunca se fizeram sentir (até ao momento, aqui na margem sul não se registou nenhum progrom).

    Mas a questão essencial é que nunca neste caso esteve em causa a liberdade de expressão. Nunca o Opus Dei solicitou aos governos ou aos tribunais a interdição da projecção do filme. Foi solicitado à Sony que o filme não reflectisse as falsidades caluniosas do livro e depois foi solicitado que o filme apresentasse um 'disclaimer'. Alguns falaram de boicote (privado e voluntário). Isto é censura? Esta ocorreu, de facto, mas em países nos quais a Igreja Católica até é perseguida (China, países muçulmanos) !

    O CAA acaba a discutir o tamanho das discíplinas e a dor provocada pela mortificação corporal, matéria em que confessamente não é especialista.

  2. A crítica à resposta mediática do Opus Dei ao Código Da Vinci, que o CAA insiste em adjectivar de "patética".

    É estranho que um rapaz tão arguto não tenha já entendido a estratégia de comunicação do Opus Dei e o sucesso da mesma: "we’ll be happy to be the best-known group in the Catholic Church."

    E também é estranho que uma pessoa tão bem informada não tenha já notado que o ruído de fundo que se houve não é um "estertor", mas sim os passos das muitas centenas de pessoas que se têm aproximado do Opus Dei nos últimos tempos.

    Provavelmente, andará ocupado com outros assuntos e não têm tido tempo para acompanhar os últimos desenvolvimentos.

  3. O CAA põe em causa a idoneidade dos profissionais, nacionais eestrangeiros, que fizeram as muitas reportagens sobre o Opus Dei.

    E de facto é curioso que um meio - o mundo da comunicação - que habitualmente manifesta hostilidade em relação ao fenómeno religioso, apresente este tipo de trabalhos sobre uma organização tão polémica. E as conclusões das reportagens têm sido muito semelhantes ! Das duas uma: ou os monges albinos têm visitado todas as redacções envolvidas e fizeram alguma proposta que não se pode recusar, ou então as reportagens têm um fundo de verdade. Qual será a opção mais realista?
O CAA termina um dos seus posts cantando hossanas à ciência e à sua liberdade de escolha: "não perturbem as minhas escolhas", "não se esforcem por inculcar os seus desvalores nas minhas opções comportamentais".

O sentimento é mútuo.

P.S. Nota para o Silas: não tentar recrutar activamente o CAA. Reza por ele.

2 comentários:

Unknown disse...

Caro João,
Excelente post :o)
Um abraço

Joao disse...

Muito Obrigado.

(não está assim tão bom ;) )