O Pedro Picoito fez a caridade de ensinar ao ignorante autor destas linhas algumas verdades sobre a vida política nacional.
O comentário que deu origem ao post do Pedro Picoito partia de uma evidência: neste momento todos os partidos parlamentares tendem a adoptar uma “agenda cultural” libertária. Recorde-se que, durante o último referendo, apenas o CDS pré-Paulo Portas e pré-ala liberal apoiou o activamente o “Não”.
Verifica-se, de facto, uma falta de diversidade e pluralismo em relação às “causas fracturantes” entre os partidos representados no Parlamento. As únicas posições oficiais representadas encontram-se no espectro “apoia entusiástico” – “indiferença cúmplice”.
É certo que, neste momento, as opiniões "culturalmente conservadoras" sobre estas matérias serão minoritárias. Só que, aparentemente, nem todas as opiniões minoritárias são iguais…
Nalguns casos, são protegidas, promovidas e activamente representadas. Noutros casos pretende-se expulsá-las para além das fronteiras do “debate civilizado”. É o caso da das opiniões “ultra-conservadoras” (i.e. aquilo que era o Mainstream há 10 anos atrás).
É uma táctica política excelente. O único problema é que se arrisca a ter sucesso. Quando uma minoria deixa de sentir representada pelos partidos tradicionais, existe tendência para o aumento do voto de protesto, normalmente em partidas das franjas. É um fenómeno que se verificou em outros países da Europa, com os resultados conhecidos.
Ora, cerca de 1,5 milhões de eleitores votaram “Não” no último referendo. (Curiosamente, a percentagem de votantes no “Não” (40%) foi superior à soma da percentagem de votos obtidos pelo CDS e pelo PSD nas últimas legislativas (36%), enquanto que a percentagem de votantes no sim foi quase idêntica à soma dos votos do PS, PCP e Bloco de Extrema Esquerda).
Suponhamos que existe uma pequena percentagem destes votantes (5%, por exemplo), que se sentem suficientemente motivados para votar de acordo com as suas posições sobre a vida e a família. Suponhamos ainda que esta minoria está minimamente organizada e pode, desta forma, ser mobilizada eleitoralmente. Estas hipóteses são bastante conservadoras… ;)
Suponhamos ainda que existe um empreendedor político suficientemente astuto para compreender que existe aqui uma “oportunidade de negócio político” – sempre seriam cerca de 75.000 votos…
Recorde-se que o Louçã começou, há 8 anos, com menos do que isso … [UPDATE]Nas eleições legislativas de 1995, a soma dos votos da UDP e do PSR - a base eleitoral do BE no momento da sua criação -, foi de 71.514 votos[/UPDATE]
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