Se o ponto de vista da Fernanda fosse o do filho abortado, o artigo ficaria assim (as poucas alterações estão assinaladas em maiúsculas):
"Imagine que é UMA CRIANÇA NAS PRIMEIRAS 10 SEMANAS DE GESTAÇÃO (se JÁ FOI, não tem de imaginar). Imagine que a sua Mãe engravidou e quer abortar. Imagine que ela se dirige ao único hospital da Madeira com serviço de obstetrícia e que lhe dizem que a lei aprovada e em vigor em todo o território nacional que lhe permitiria abortar por sua opção até às 10 semanas ESTÁ a ser aplicada na Região Autónoma por decisão do Governo Regional. Imagine que liga para o Ministério da Saúde, em Lisboa, e lhe explicam que não podem fazer nada por si – NÃO TEM QUALQUER OPÇÃO SENÃO SER ABORTADO.
IMAGINE QUE NÃO TEM QUAISQUER RECURSOS… Imagine que morre. Agora já não imagina nada. Imaginemos nós então que a sua família decide proceder contra os responsáveis pelo CUMPRIMENTO da lei. Quem serão? O Governo da Madeira, que A CUMPRIU alegando a sua CONSTITUCIONALIDADE? O Governo da República, que fez uma lei resultante de um referendo? O presidente da República, o tal que é "de todos os portugueses", supremo garante da legalidade democrática, que não abriu a boca sobre o assunto até agora?
No jogo do empurra que se adivinha num caso como esse, talvez se concluísse que A CRIANÇA madeirense morreu porque teve o azar de NÃO nascer e viver na Madeira e de ser governada por pessoas muito mais preocupadas com afirmações de poder que com a vida dos seus governados. Que teve, em suma, o azar de NÃO nascer e morrer num país onde a ideia da defesa da democracia, numa altura em que tanto se fala de "autoritarismos" e de "perigo para o regime das liberdades e garantias", passa claramente por coisas muito mais importantes que as liberdades e garantias DOS madeirenses e o seu direito constitucional À VIDA e à igualdade. Um país em que as provocações, desmandos e abusos de um governante … se tornaram tão habituais que ninguém parece saber como reagir-lhes - e ninguém parece ralar-se com isso. Um país, digo eu - se é que ainda somos de facto um."
4 comentários:
Meu caro João
leio muito atentamente tudo o que aqui é escrito e muito me tem servido...
Mas, meu caro João, posso estar enganado, dar atenção a uma pessoa que não faz a minima ideia do que é "ser pessoa", do que é vida, é perder tempo.
Quando leio que uma mulher que decida abortar tem direito a 100% do vencimento em baixa por 30 dias e uma que queira ter o filho, mas em risco tem de ficar em casa só recebe 65%, salvo o erro, só vale a pena lutar de alguma maneira, não sei qual, ou tenho "medo" de dizer qual, mas responder a pessoas que escrevem enormidades como essa senhora, que se está "borrifando" para as grávidas que com problemas querem ter os filhos, desculpe João, não vale a pena...
Compreendo-o e eu mesmo se calhar na Segunda feira, passada a irritação que agora sinto, sou capaz de escrever algo como réplica ao infeliz texto da senhora em causa.
Irritação, porque já não chega a indignação...
Perdoa se fui demasiado....
Abraço
Esteja à vontade. Normalmente não leio o que escreve a D. Fernanda Câncio, mas hoje li. E tendo lido, enfim, a forma mais construtiva de reagir era postar qualquer coisa sobre o assunto.
tem toda a razão o joaquim , apesar de a fernanda cançio ate ter piada em alguma coisa que escreve , quando se trata de causas fracturantes ela perde completamente a noção do ridiculo
Caro J P Noronha,
1) Lamento informá-lo mas não existem crianças "NAS PRIMEIRAS 10 SEMANAS DE GESTAÇÃO". Até às 10 semanas de gestação existem embriões. Depois fetos e, finalmente, recém-nascidos. Não se trata de um preciosismo linguístico: é uma questão de ética e rigor científico, até porque, como sabe, um feto não tem o mesmo estatuto jurídico ou biológico que uma criança;
2) Sendo eu contra a prática da IVG no SNS a expensas do contribuinte, o facto é que foi aprovada uma LEI DA REPÚBLICA e independentemente da opinião de Alberto João Jardim ou qualquer outro governante regional, as leis são para cumprir.
3) Já passou o tempo de se decidir se o aborto é crime ou não. Isto não implica que esta matéria não possa estar em permanente discussão e que a posição da sociedade portuguesa não se venha a alterar. Mas essa discussão deverá ser conduzida com seriedade, racionalidade, rigor e responsabilidade.
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