Em conversas com um amigo de longa data, que é "
católico, mas...", têm surgido frequentes referências às fraquezas, hipocrisias, crimes, erros e pecados "da Igreja" (i.e. dos seus pastores).
É uma crítica recorrente entre os críticos da Igreja.
Estes pecados justificariam o cepticismo com que alguns olham os pronunciamentos sobre a doutrina, a moral e a disciplina da 'instituição jurídica' Igreja. Esta corrompida 'instituição jurídica' é contraposta a uma Igreja ideal - a verdadeira Igreja de Cristo - cujos ensinamentos, curiosamente, coincidem sempre com as opiniões dos autores das críticas.
Muitas das alegações feitas por estes críticos não resistem ao confronto com os factos históricos, mas noutros casos são realidades indesmentíveis.
Mas quem pensa que estes factos justificam a a desobediência, a dissidência ou o cisma, esquece-se que Cristo não quis excluir da sua Igreja os pecadores. Foi Jesus quem escolheu Judas Iscariotes. Os discípulos discutiam entre si sobre quem se sentaria à direita e à esquerda do Messias-Rei; pensavam ser o Reino de Deus uma realidade meramente temporal; Pedro, a Rocha, aquele que amava Cristo mais do que os outros, negou-O por três vezes; os Apóstolos, com excepção de João, abandonaram o Senhor durante o seu Calvário; duvidavam da Ressureição; após a Ascensão esconderam-se, receosos, na 'sala de cima '; Pedro, depois de ter contrariado os judaizantes no Concílio de Jerusalém, afasta-se dos gentios para partilhar as refeições com os enviados de Filipe, etc...
Mas foi a Pedro que Jesus pediu para "cuidar das minhas ovelhas".
Apesar dos pecados dos Apóstolos, a sua Autoridade é inquestionável. O mesmo se passa com os seus sucessores (Cf.
Lumen Gentium n.º25).
É certo que, às vezes, vemos, ouvimos e lemos coisas dos nossos pastores de 'partir o coração'. Devemos ignorar e rezar por eles.
Um bom bálsamo para estes males de amor, garante de noites descansadas, é a
Encíclica Mystici Corporis do Papa Pio XII. Por exemplo:
se às vezes na Igreja se vê algo em que se manifesta a fraqueza humana, isso não deve atribuir-se a sua constituição jurídica, mas àquela lamentável inclinação do homem para o mal, que seu divino Fundador às vezes permite até nos membros mais altos do seu corpo místico para provar a virtude das ovelhas e dos pastores e para que em todos cresçam os méritos da fé cristã. Cristo... não quis excluir da sua Igreja os pecadores; portanto se alguns de seus membros estão espiritualmente enfermos, não é isso razão para diminuirmos nosso amor para com ela, mas antes para aumentarmos a nossa compaixão para com os seus membros.
... Sem mancha alguma, brilha a santa madre Igreja nos sacramentos com que gera e sustenta os filhos; na fé que sempre conservou e conserva incontaminada; nas leis santíssimas que a todos impõe, nos conselhos evangélicos que dá; nos dons e graças celestes, pelos quais com inexaurível fecundidade produz legiões de mártires, virgens e confessores. Nem é sua culpa se alguns de seus membros sofrem de chagas ou doenças; por eles ora a Deus todos os dias: "Perdoai-nos as nossas dívidas" e incessantemente com fortaleza e ternura materna trabalha pela sua cura espiritual.
Jesus estará com a sua Igreja até ao final dos tempos e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Quando Napoleão, dirigindo-se a alguns dignatários Católicos, declarou: "
Je detruirai votre Église" [
outra promessa de político], o Cardeal Consalvi terá respondido: "
Nunca conseguirá. Nós próprios não o conseguimos !".