20.5.08

Carta pastoral do Cardeal Patriarca à Igreja de Lisboa: a Igreja no tempo e em cada tempo

Normalmente, quando os media se dão ao tabalho de publicar as palavras de um Sacerdote ou membro da hierarquia o pobre fiel já sabe o que o espera: lê o jornal como forma de mortificação corporal... e depois lê alguns capítulos do Catecismo como bálsamo.

Não foi o caso da nova Carta Pastoral do Sr. Patriarca de Lisboa. É certo que o Sr. Patriarca não irá pregar A Cruzada nos próximos tempos (bolas !) e que é natural que uma carta pastoral provoque algum desconforto - é um convite à conversão. Mas neste contexto de expectativas baixas confesso que gostei do que li (pronto, já o disse !).

Fosse eu o autor da Carta e provavelmente esta teria outros conteúdos e reflectiria outras prioridades. Mas por alguma razão o Espírito Santo evitou que eu fosse eleito Bispo de Lisboa ... aliás, eu nem pertenço à Diocese de Lisboa, razão pela qual me permito este tipo liberdades comentatórias ...

Aqui fica uma 'heavily edited' citaçãozita:
"... A Igreja não exige que os poderes públicos protejam ou imponham os seus valores específicos. Mas espera que esses mesmos poderes defendam e promovam ... valores universais [como, por exemplo, a dignidade inviolável da pessoa humana, a defesa da vida, desde o seu início até à morte natural, a defesa da estabilidade da família]. [Há um combate inevitável na defesa desses valores e esse combate a Igreja trava-o porque é um combate pelo futuro do homem]. E nesse campo, frente a esses poderes, a Igreja tanto pode ser força de colaboração como voz de denúncia.

... O único caminho democraticamente legítimo de a Igreja influir nas estruturas do Estado é a participação consciente dos membros da Igreja nos processos democráticos. A Hierarquia respeita a pluralidade de opções partidárias por parte dos católicos. Deve entretanto ajudá-los a formar a sua consciência cívica e a visão dos problemas da sociedade em chave cristã... em ordem a uma visão de todas as coisas iluminada pela fé. A Hierarquia não deve intervir no processo democrático com os métodos do confronto. Os católicos sim, esses podem e devem fazê-lo.
"
É claro que toda a carta se poderia ter reduzido último parágrafo.

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