3.6.09

Hetero ou homo?

Nuno Serras Pereira, 02. 06. 2009:
1. a) A interrogação que intitula este texto seria há algumas décadas inteiramente incompreensível. Nos dias de hoje, porém, em virtude de campanhas sistemáticas, cientificamente planificadas (a documentação que o comprava é abundante), de modo descarado ou subliminar, contando com o apoio cúmplice de alguns magistrados, jornalistas, publicitários, membros do clero, políticos, psiquiatras, psicólogos, juristas, capitalistas, etc., – de há muito que estes sectores são objecto de infiltrações e de recrutamentos cuidadosamente preparados[1], como aconteceu, para dar um exemplo, com o marxismo nos princípios e meados do século -, nos dias de hoje, dizia, perante esta questão logo se pensa, condicionadamente, que há duas classes de seres humanos, sendo que uns são heterossexuais e outros homossexuais, entendendo-se por estes termos uma marca identitária que define o ser de cada um. É como se fossem de espécies diferentes. A pessoa deixa de ser substantiva, e passa a adjectiva.

b) Este ponto é de capital importância e é nele que se decide tudo o mais. Por isso debater estas questões sem primeiro esclarecer este assunto corresponde a derrota certa para quem defende a verdade e o bem de todos. Importa, por isso, afirmar com clareza que o ónus da prova da reivindicação que essas pessoas fazem recai sobre elas. Como não existe prova alguma de que a homossexualidade seja inata ou imutável, pelo contrário, as evidências disponíveis mostram exactamente o contrário, os gay e homossexualistas procurarão fugir à questão desviando a atenção através de ataques aos adversários ou abordando outros temas. É imprescindível não ceder e permanecer firme até à demonstração cabal da inconsistência da posição deles. Não é que com discussões ou debates se tenha a pretensão de mudar a opinião obstinada dos opositores. O ponto é esclarecer quem ouve ou lê. Quem entende isto perceberá logo a falsidade e vacuidade de todas as suas reivindicações, topando de imediato o dislate e a deformidade enormes do dito “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Quem não o compreender, também não encasquetará o resto.

c) Pessoa homossexual (reparem que não escrevo o homossexual) é aquela que tem comportamentos sexo/genitais com pessoas do mesmo sexo. A fantasia da chamada “orientação” sexual não passa de um estratagema engendrado para alcançar os tais objectivos de persuadir as gentes do tal absurdo da identidade. O termo “orientação” sexual não passa de uma palavra talismã, que de tanto usada é acreditada, dispensando as pessoas de reflectir e pensar, originando, pelo seu “poder mágico”, uma submissão acéfala, em manada.

É claro que há pessoas que sentem atracção genital por outras do mesmo sexo. Mas isso não constitui, de modo nenhum, uma identidade, uma orientação. Pois se assim fora teríamos de admitira pedofilia, a pederastia, o incesto, a bestialidade como orientações ou identidades sexuais, merecedoras da mesma aceitação, defesa e promoção que a homossexualidade. Se a pessoa, independentemente dos seus actos, pode ser definida, pelas suas inclinações ou atracções emocionais e genitais, então teremos necessariamente de reivindicar o “direito ao casamento” para o pedófilo e o pederasta (“amor inter-geracional”), para o incestuoso (“amor inter-familiar”), para o zooerasta (“amor inter-geracional”).

c) A verdade, porém, é que toda a pessoa é de si heterossexual. Algumas pessoas[2], heterossexuais, padecem de desordens de identidade de género, experimentando atracção por pessoas do mesmo sexo. Algumas delas cedem a esse distúrbio e têm comportamentos sexuais depravados e degradantes. Dos que optam por este tipo de procedimento durante bastante tempo, um número muito significativo descobre a verdade e, independentemente, da atracção alcança viver em castidade, primeiro só sexual mas depois também do coração. Um outro número considerável consegue reencontrar a sua inerente heterossexualidade, vivendo-a saudavelmente no casamento ou na castidade. São felizes, tanto quanto é possível sê-lo nesta vida, e não têm a mínima intenção de regressar ao inferno que experimentaram. Estas recuperações podem ocorrer através de terapia, por exemplo a reparatória, ou pela conversão religiosa, ou por uma mistura de ambas.

2. Quem julga que aprovação civil do “casamento” dos homossexuais não tem implicações na sua vida e na dos seus está muito enganado. Uma vez que a sua legalização será feita em nome da igualdade e da não discriminação, a “lei” funcionará como a do racismo e similares[3]. Por isso:

a) A bondade dos comportamentos sodomitas e a equiparação do seu “casamento” com o matrimónio será ensinado nas escolas, desde a mais tenra idade. As crianças serão submetidas a experiências, a que chamam jogos, para aprenderem a lidar com a expressão afectiva e sexual independentemente do sexo para poderem saber qual a sua identidade.

b) Nenhuma instituição, caritativa, eclesial, de ensino, de grupos juvenis poderá opor-se à contratação e emprego de sodomitas assumidos, como hoje se diz. Assim nos escuteiros, na catequese, nas Igrejas, nos colégios, nos orfanatos, etc., teremos chefes, monitores, professores, catequistas que abertamente praticam a sua homossexualidade. O problema não é somente o do péssimo exemplo e de modelos desadequados, mas também o de abuso de menores que é, proporcionalmente, muito mais elevado por parte das pessoas homossexuais. Com o tempo, os próprios seminários serão obrigados a admitir sodomitas activos.

c) Os padres, sob pena de prisão, serão proibidos de pregar contra os pecados sodomitas e até de ler em público as passagens da Sagrada Escritura que os condenam, como abominações. Em qualquer emprego, qualquer pessoa poderá ser despedida por expressar a sua discordância, mesmo que do modo mais educado e gentil, com os comportamentos homossexuais. Tornar-se-ão obrigatórias sessões de formação nas empresas para combater a homofobia, entendida como qualquer tipo de discordância daquele género de comportamento.

d) Aos oficiais ou funcionários das conservatórias de registo civil que por razões filosóficas, de consciência ou religiosas se oponham a esse tipo de relação não lhes será reconhecido o direito à objecção de consciência. Ou a violentam ou serão despedidos. Um fotógrafo profissional que pelas mesmas razões se recuse a aceitar esse trabalho será posto em tribunal por discriminação. O mesmo acontecerá a quem não queira alugar espaços para esse tipo de cerimónias ou para as “bodas”; a quem não queira alugar um andar a esses “casais”.

e) Se em nome da igualdade se aceita o “casamento”, então será inevitável, por mais juras que agora façam o contrário, a legalização da adopção de crianças, secundarizando o seu bem, por parte destes novos “casais”. Evidentemente que o estado providenciará, com o dinheiro dos nossos impostos, a produção de crianças através da fecundação artificial para satisfazer a procura destes “casais”. Uma vez isto alcançado, a próxima batalha será a reivindicação do “casamento” religioso. As confissões que a ele se prestarem serão toleradas, as que a ele se opuserem serão perseguidas e proibidas em nome dos direitos humanos, da luta contra a discriminação.

f) Os psiquiatras e psicólogos que aceitem fazer terapia àquelas pessoas com atracção genital indesejada por outras do mesmo sexo, que a peçam livremente, serão objecto de desdém público, de campanhas de calúnia, de perseguição e finalmente proibidos de exercer. Por outro lado, com o decorrer do tempo, aquele que luta para superar a sua desordem será tido e tratado como doente que deverá recorrer a uma “terapia”.

3. Tudo isto, e ainda o mais que se poderia dizer, parecerá aos ingénuos e ignorantes fruto de uma mente delirante e alucinada. Mas basta estar razoavelmente informado, não evidentemente pelos grandes órgãos de comunicação social que sistematicamente censuram os factos e acontecimentos que não lhes agradam, para saber que muitas destas coisas já estão acontecendo por esse mundo fora e que as outras estão em preparação. A documentação é vastíssima e inegável. A dificuldade não é encontrá-la, mas sim realizar uma síntese de tanta abundância. À honra de Cristo e de seus servos S. Carlos Lwanga e companheiros[4]. Ámen.



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[1] Nem todos são “gays”, para usarmos a terminologia em voga, isto é, pessoas que têm comportamentos sodomitas e advogam uma ideologia de reengenharia social para alcançarem os seus objectivos. Também há os homossexualistas, quer dizer, aqueles cujo comportamento sexual é com pessoa de sexo diferente mas que partilha da ideologia gay.

[2] Cerca de 1,8% da população

[3] Será preciso lembrar que entre a cor da pele (racismo) e o comportamento (homossexualidade) não há semelhança alguma?

[4] Estes Santos foram martirizados, com uma crueldade insólita, por, em virtude da sua Fé, se negarem e oporem à lascívia sodomita do seu rei, em finais do século XIX.

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