1.6.09

A Presença que tantos se recusam a ver, apesar da estátua de 28 metros ...

Prof. João César das Neves, 01/06/2009:
"Após 200 anos de perseguições, a Igreja tinha-se tornado defensiva, fechada, quase abafada. João XXIII pretendeu abrir as janelas e deixar entrar o ar. O que se fez foi muito mais, uma verdadeira repintura e redecoração de todo o edifício eclesial. É verdade que os anos do Concílio foram também conturbados e dolorosos. Não faltaram os que, em vez da renovação do mobiliário, pretendiam fazer obras radicais na construção da Igreja e até uma mudança de instalações, sem se darem contra da terrível traição que isso representaria.

A Igreja não é o conjunto dos seguidores dos ensinamentos de Cristo, morto há 2000 anos. É o corpo daqueles que convivem diariamente com Jesus, vivo e ressuscitado, que acompanha o seu povo a cada passo. Deste modo, a renovação católica nunca pode ser uma reinterpretação de textos antigos à luz da cultura contemporânea, mas uma fidelidade acrescida a uma Pessoa que permanece. Os santos, mas também os pecadores, são o testemunho vivo dessa Presença.

A Igreja reformou-se, as críticas permaneceram. Porque o Cristianismo não é uma lista ajustável de valores, de onde se escolhe um punhado para uso pessoal. É "nascer do Alto" (Jo 3, 3 e 7). Nem os cristãos nem os Papas podem modificar aquilo que receberam. Apenas pretendem torná-lo mais puro e fiel, eliminando as opiniões que se foram infiltrando na doutrina. A grande tentação, que se sentiu forte nesses anos, é substituir o Espírito pelo palpite pessoal e confundir actualização da linguagem com mudança na Palavra.

... foi com João Paulo II que o Vaticano II atingiu a sua perfeição. O magistério daquele Papa que nos incitou a não ter medo de abrir as portas a Cristo é que nos explicou o verdadeiro sentido e as múltiplas dimensões desse ensinamento.

... Bento XVI preside a uma Igreja que vive e respira o Concílio. Isso foi patente há pouco num outro Cinquentenário.

O santuário de Cristo-Rei, em Almada, foi inaugurado no dia de Pentecostes de 1959. No passado dia 17 de Maio, a multidão que acorreu às celebrações comemorativas era semelhante à que tinha estado presente na inauguração, cinco décadas antes. Desta vez não se pode aplicar a justificação que os críticos costumam apresentar. Um movimento daqueles já não é explicável pela boçalidade e ignorância do povo ou pela subserviência tacanha ao poder instalado. Só pode ser aquela Presença que tantos se recusam a ver, apesar da estátua de 28 metros."

Sem comentários: