27.4.10

O suspiro da espiga entre a cizânia

Enquanto o trigo gemer entre a palha, enquanto as espigas suspirarem entre a cizânia, enquanto os vasos de misericórdia se lamentarem entre os da ira, enquanto o lírio chorar entre os espinhos, não faltarão inimigos que se interroguem: quando morrerá e desaparecerá o seu nome? Ou seja, olhai que virá o tempo em que desaparecerão e já não haverá cristãos… Mas dizendo isto, morrem sem remédio. E a Igreja permanece” (Santo Agostinho, En. in Ps., 70, II, 12)» [9].

Há épocas em que gostaríamos que Deus manifestasse o Seu poder libertando definitivamente a Igreja de quem a persegue. E talvez nos apeteça perguntar: porque permites que assim humilhem o povo que Tu redimiste?

É a queixa que, no Apocalipse, S. João põe nos lábios dos que deram testemunho de Cristo até à morte: Vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que tinham dado. Clamaram em voz alta, dizendo: Até quando, Senhor, santo e verdadeiro, dilatas Tu o fazer justiça e vingar o nosso sangue dos que habitam sobre a Terra [Ap 6, 9-10]?

A resposta não se faz esperar: e foi-lhes dito que tivessem paciência ainda um pouco de tempo, até que se completasse o numero dos seus irmãos e companheiros, que haviam de sofrer, como eles, a morte [Ap 6, 11].
D. Javier Echevarría, Prelado do Opus Dei, Abril 2010

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