4.7.10

Quo Vadis ?

No dia 29 de Junho a Igreja celebrou o martírio de S. Pedro e S. Paulo e, no dia seguinte, os Santos protomártires da Igreja de Roma.

Um católico mais interessado do que este que escreve estas linhas, poderia, chegada a idade da razão, ter procurado conhecer de forma mais pormenorizada a vida e a morte destes santos. Poderia, por exemplo, ter lido este artigo da Catholic Encyclopedia que segue os passos de S. Pedro através do Novo Testamento e recolhe os testemunhos dos primeiros cristãos e dos Padres da Igreja sobre a vida e o martírio do Apóstolo.

Não foi, no entanto, através de um enciclopédia que eu descobri pela primeira vez como tinha morrido S. Pedro ou qual tinha sido o destino dos protomártires da Igreja de Roma. Foi em Quo Vadis, um romance histórico de Henryk Sienkiewicz publicado pela primeira vez em 1895. Nessa época pré-Dan Brown, a realidade da Igreja - a sua Santidade, a sua história e os pecados dos seus membros - era material suficiente para transformar uma novela num best-seller.

(A propósito, Sienkiewicz foi prémio Nobel da literatura em 1905, ano em que não havia nenhum comunista ateu disponível para receber o dito galardão. Nesses tempos atrasados até os Católicos podiam ganhar o Nobel, bastando para tal que os os seus dotes literários fossem universalmente reconhecidos ! Sublinho que, mais uma vez, o sr. Presidente da Repúbica não participou no funeral deste gigante das letras tendo alegado que, e cito, "ainda não era nascido").

O romance entre Marcus Vinicius e Lygia tem como cenário a decadente Roma de Nero, as loucuras do imperador, as intrigas palacianas, o incêndio de Roma e as perseguições aos cristãos.

É no meio destas peripécias que se descreve o martírio de S. Pedro (de acordo com apócrifo Actos de S. Pedro): S. Pedro fugindo da perseguição de Nero em Roma, sai da cidade. No caminho encontra Jesus com a cruz às costas. Pedro pergunta-lhe: "Quo Vadis, Domine? " (Onde vais, Senhor ?) Ao que Cristo responde: "Eo Romam iterum crucifigi" (Vou a Roma para ser crucificado). Pedro volta então para trás, é capturado e condenado à morte por crucificação. É o próprio Pedro que pede para ser crucificado de cabeça para baixo porque não se considera suficientemente digno para morrer da mesma forma que Jesus morreu.

Entretanto, Nero vai mandando os cristãos para o circo onde estes são massacrados ou atirados às feras - e aqui estão os protomártires da Igreja de Roma.

Existem várias edições portuguesas deste livro, as mais recentes das quais da década de 70. Na Internet estão disponíveis algumas edições em Inglês.

O livro deu origem a vários filmes, entre os quais a superprodução hollywodesca Quo Vadis (1951), na qual um forcado português, Nuno Salvação Barreto, fazendo o papel de Cristão, pegava um bezerro, que fazia o papel de touro, num arena que fazia as vezes de circo romano. Do embate, o bezerro ficou em pior estado. O filme foi nomeado para 8 óscars o que, hoje em dia, poderá causar algum espanto visto que o mesmo não era blasfemo, sacrílego, pró-sodomia, pró-eutanásia, anti-americano, etc... O filme até assumia o Cristianismo como sendo verdadeiro (Escândalo !). (S. Pedro tinha apenas um papel secundário neste filme. No entanto, de acordo com a IMDB, S. Pedro foi já protagonista de 160 filmes, facto que deixa o D. Januário um bocado chateado: S. Pedro 160-0 D. Januário).

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