"O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse sexta-feira, em entrevista à televisão brasileira Globo, que Portugal tem de fazer um "caminho de mudança de regime económico" apostando mais nas empresas e na abertura da economia ao exterior: "O caminho que temos de fazer é um caminho de mudança de regime económico, apostar mais nas empresas, mas na abertura da economia ao exterior, mais no empreendedorismo e na inovação dos portugueses, libertá-los do peso desta dívida, que vai demorar tempo, mas tem que ser feito, reduzir os gastos do Estado e das despesas públicas"É uma utopia cujo fundamento ideológico fica escondido debaixo das "inevitabilidades" da "emergência nacional".
Uma mudança de regime económico orquestrada a partir de cima implica uma revolução nas vidas das pessoas. Independentemente do resultado final, o processo de transição é sempre mau, pelo menos para determinados grupos da população. Destroem-se modos de vida, relações sociais, as necessidades mais básicas deixam de ser satisfeitas.
Quando foi aplicado o "tratamento de choque" na União Soviética, uma classe de bandidos tomou conta das empresas e dos recursos do país, enquanto o nível de vida e a esperança de vida do cidadão comum diminuíram. Só em 2007, 16 anos após o fim da URSS, o PIB da Rússia ultrapassou o nível que existia em 1990 (E mesmo assim só com o perdão da dívida externa).
É o que nos espera.
O empobrecimento, já prometido pelo primeiro-ministro, vai durar umas décadas. Ah, e os funcionários públicos farão o papel de minoria branca na África do Sul pós-Apartheid.
Parabéns aos sobreviventes que vão poder começar a comprar clubes de futebol na Inglaterra.
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