- No início era a ganância dos bancos, a liberalização, a falta de regulação, uma política monetária demasiado frouxa, o consumismo. E foi.
"A crise" era uma coisa que se passava no sector financeiro com extensões ao mercado imobiliário - era a crise do "sub-prime".
Mas rapidamente se desenterrou "o risco sistémico" e o argumento do "too big to fail". Resultado: os prejuízos de bancos, credores e depositantes foram "socializados", ou seja, assumidos pelos governos em nome dos contribuintes. Em simultâneo, a "grande recessão" provocada pela falência dos bancos provocou uma queda acentuada das receitas fiscais e um aumento da despesa e dívida pública - á anteriormente estas tinham atingido níveis pouco saudáveis em resultado do crédito demasiado barato e acessível.
Começou assim a temer-se pela solidez financeira dos estados. Seguiram-se os cortes nos ratings, o aumento das taxas de juro dos títulos do tesouro, as dificuldades de "acesso aos mercados".
- A causa da crise passou a ser o excesso de despesa pública e a irresponsabilidade "criminosa" dos políticos que, em tempo de vacas gordas (com a barriga à mostra e piercing no umbigo), não fizeram "as reformas", nem cortaram "as gorduras" do Estado. E foi.
A resposta foi enviar os culpados para o exílio em Paris e implementar a Austeridade.
Mas a coisa foi mais difícil do que se pensava e também não dava muito jeito a amigos e conhecidos. Resultado: corte-se onde é mais fácil. Diminuam-se os ordenados dos funcionários públicos que são mandriões, ganham demasiado e têm segurança no trabalho. E fez-se.
Para vender a ideia, bastou dividir a sociedade em duas e criar um bode expiatório. Clássico.
- Mas existem dois factos que não integráveis nesta "narrativa":
- Em primeiro lugar, investiguem-se as causas directas do aumento da dívida pública durante o regime socratista. Durante o consulado do filósofo-rei, "o melhor primeiro-ministro de sempre", dizia-se, a dívida pública em percentagem do PIB aumentou 30 pontos percentuais. Pergunto: este aumento de dívida e o antecedente aumento de despesa foram provocados por uma aumento do número de funcionários públicos ou dos seus salários ? E a resposta é NÃO e NÃO (diminuição em termos reais neste período). Tenho tentado nestes últimos dias apresentar alguns exemplos de despesismo - à média de muitas centenas de milhões de euros por dia -, que conduziram ao resultado recorde acima mencionado. É ler por aí abaixo.
- E, depois, temos esta questão de fundo: o problema actual não é o desequilíbrio orçamental, mas sim o desequilíbrio externo. Até que ponto as políticas até agora seguidas permitem resolver este problema ? O corte de despesas foi dirigido para a redução do deficit comercial, do deficit da balança de rendimentos ? Não, antes pelo contrário no 2.º caso. Acresce que a austeridade aumenta as necessidades de financiamento do sector privado - cuja dívida externa é o dobro da dívida pública externa - agravando a posição destas entidades em relação aos seus credores externos.
- Em primeiro lugar, investiguem-se as causas directas do aumento da dívida pública durante o regime socratista. Durante o consulado do filósofo-rei, "o melhor primeiro-ministro de sempre", dizia-se, a dívida pública em percentagem do PIB aumentou 30 pontos percentuais. Pergunto: este aumento de dívida e o antecedente aumento de despesa foram provocados por uma aumento do número de funcionários públicos ou dos seus salários ? E a resposta é NÃO e NÃO (diminuição em termos reais neste período). Tenho tentado nestes últimos dias apresentar alguns exemplos de despesismo - à média de muitas centenas de milhões de euros por dia -, que conduziram ao resultado recorde acima mencionado. É ler por aí abaixo.
Assistindo a um acidente em câmara lenta (a.k.a. governo do sobrinho do Dr. Jorge Coelho). E também estou chateado com os idiotas úteis. E, já agora, pode não parecer, mas continuo servo inútil de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.
29.10.11
Uma autópsia da "narrativa"
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