30.5.11

O CDS à esquerda do bloco...

Carta aberta do PPV ao Eng. Paulo Portas: :
"o CDS-PP apresenta como cabeça de lista [por Lisboa] alguém que é declaradamente pro aborto e pro "casamento" gay - Teresa Caeiro. Como se tal não (a)basta(rda)sse, o partido apresenta em terceiro lugar João Rebelo, que se depreende só ter votado contra o casamento gay para simular uma "posição homogénea" do CDS, tal como também terão feito Teresa Caeiro e Assunção Cristas, assumindo declaração de voto. Também o sexto candidato, apresentado num "posto do crescimento", já que o CDS-PP tem 5 eleitos por Lisboa, o jurista Adolfo Mesquita Nunes, assume-se favorável ao "casamento" gay [e à liberalização do aborto]. Significa isto que, se o PP crescesse em Lisboa, isso representaria apenas a eleição de mais um deputado anti-família...

26.5.11

Ex voto

As declarações do Eng. Passos Coelho e do Eng. Portas sobre o aborto são uma grande, grande vitória do lobby abortista:

É oficial: os mais de 1,5 milhões de eleitores que votaram NÃO no referendo do aborto não são representados por nenhum dos partidos parlamentares.

O lobby abortista conseguiu, com a ajuda dos 2 artistas, expulsar a defesa da vida para fora dos limites do debate político "civilizado".

Isto facilitará muito a minha vida no próximo dia 5 de Junho. Quem disse que as campanhas eleitorais não servem para esclarecer os eleitores ?

Já se sabia que Passos Coelho e o seu cabeça de lista em Lisboa não se distinguem de forma substancial do PS (ou mesmo da extrema-esquerda) no que respeita às questões da vida e da família. Entre os dirigentes que o rodeiam encontram-se alguns daqueles deputados do PSD que votaram favoravelmente a lei do aborto assim como todas as restantes abominações que o Sócrates lhes fez passar à frente. O Passos Coelho fez mesmo o favor de escolher para seu conselheiro e cabeça de lista por Viana do Castelo um dos mais fundamentalistas anti-católicos da blogosfera.

Apesar de todos estes indícios, e apesar de eles já me terem enganado uma vez, a gente fica sempre com um réstea de esperança ... mas não ... não se pode confiar no PSD e não se pode votar no PSD. Tanto andaram atrás do eleitor mediano e do centro político que alguém acabaria por ficar sem chão debaixo dos pés. Fui eu. Adeus, até sempre.

O CDS foi o único partido que portou decentemente durante o Referendo de 2007 e, depois, no Parlamento votou contra o emparelhamento homossexual - um compromisso que tinha assumido na campanha. Mas este ano não existem compromissos sobre estas matérias. Como é que o CDS vai votar quando se discutir a adopção por parelhas homossexuais, a eutanásia,a liberalização da prostituição ou da droga ?

Não sabemos. A única coisa que ficámos a saber hoje foi que o CDS vai votar contra qualquer petição para a realização de um referendo sobre o aborto ! E, já agora, também sabemos que a cabeça de lista por Lisboa fez campanha pelo SIM durante o último referendo, que a cabeça de lista por Leiria é a favor do "casamento homossexual" e que nas listas de Lisboa e Porto encontram-se alguns jovens bloquistas que fizeram campanha pelo SIM. Estes jovens foram, aliás, recentemente eleitos para os órgãos dirigentes do partido.

É pena. Fica para depois.

Existem 2 pequenos partidos cujos programas eleitorais defendem de forma intransigente a vida e a família [UPDATE] (o PNR e o PPV). Votarei no PPV.[/UPDATE]

Ah e tal, mas a crise ... e não sei quê?

Ó meu amigo ! A verdadeira crise é DEMOGRÁFICA. Este pequeno soluço financeiro é uma consequência da crise demográfica - é essa a verdadeira causa estrutural da coisa. E na origem da crise demográfica está uma crise moral e de valores. Votar no PSD e no CDS é querer curar uma fractura com uma aspirina.

Ah e coiso e o sacana do Sócrates ... um voto num pequeno partido é um voto no Sócrates e o caraças ...

Eu orgulho-me de poucas coisas nesta vida (aí umas 8 ou 9). Uma delas é que o Sócrates nunca me enganou. Tu não podes dizer a mesma coisa. Queres que o Sócrates vá de volta para a câmara municipal da Guarda ? Então não votes nele que eu também não voto !

Mas o Passos, pá, e o Portas e o Passos ... tás a ver ... eles são melhores que o Sócrates...

Pois são ... [UPDATE] mas é dar-lhes tempo e corda para nos enforcarem mas eu quero melhor - não quero escolher entre 3 males [/UPDATE]. Como se pode ver pelas declarações hoje prestadas eles não votam em mim. E eu não votarei neles.

E pronto. Até qualquer dia.

23.5.11

O Sócrates "vai andar por aí" (II)

O PS será o partido mais votado ou, quando muito, perderá “por poucos”.

Sócrates vai continuar "a andar por aí” e em 2013 – passado o período de “contracção sem precedentes dos rendimentos das famílias”-, voltará em todo o seu esplendor, desta vez já com um doutoramento em Engenharia Civil e outro em números de circo (deshonoris causa).

O amigo Cavaco fará o favor de dissolver a assembleia no momento certo.

E todos viveram felizes para sempre: o eleitorado estúpido, os comentadores e jornalistas que fizeram uma campanha negra contra o Santana e a Ferreira Leite e entregaram o poder nas mãos do Sócrates, o Cavaco, etc... E á medida que o tempo foi passando todos ficaram mais sábios e mais jovens.

O Sócrates "vai andar por aí" (I)

  • Em 2011, o PS obterá o pior resultado dos últimos 20 anos numas eleições legislativas. Pela primeira vez desde 1991 – ano em que o PSD de Cavaco ultrapassou os 50% -, o PS ficará abaixo dos 2 milhões de votos. A acreditar nas sondagens – pressuposto arriscado -, o PS irá beneficiar de algum “voto útil” de ex-eleitores da extrema-esquerda parlamentar, mas este efeito não compensará os votos que Sócrates irá perder para o PSD.

    Resultado líquido: 1,8-1,9 milhões de votos. Sócrates evita o descalabro e fica com um futuro radioso à sua frente - embora no caso do PS isso não seja difícil. Basta olhar para o Almeida Santos (21% em 1983), para o Constâncio (22% em 1985) e para o Sampaio (29% em 1991).

  • Historicamente, o PSD conseguiu ultrapassar os 2 milhões de votos quando se coligou pré ou pós eleitoralmente com o CDS (79, 81, 2002) ou enquanto o eleitorado esteve sob o efeito do Cavaco (91, 2005). Quando tal não aconteceu, a votação do PSD nunca ultrapassou os 1,6-1,7 milhões de votos. Em 2011, o “efeito CDS” não existe e o efeito ‘líder carismático’ ainda menos. No entanto, o PSD beneficiará de alguma transferência de voto do PS e, eventualmente, dos “Outros, brancos e nulos” e da abstenção.

    Os OBN cresceram de forma muito significativa nas últimas 2 eleições. É provável que no dia 6 de Junho regressem ao seu nível “natural”. Por outro lado, nos anos em que foi necessário mandar embora um determinado líder ou partido (1995, 2002, 2005…), a abstenção reduziu-se.

    Resultado líquido: 1,9 milhões de votos. Um resultado magrinho, atendendo às circunstâncias.

  • A extrema-esquerda parlamentar estará entre os derrotados da noite eleitoral. Mas um resultado à volta dos 400 mil votos será extraordinário se considerarmos que os militantes “hardcore” não serão mais de 80/100 mil (e já não vão para novos).

    Os próximos anos serão muito piores. Aliás, ou muito me engano (o que é provável) ou serão os ex-eleitores bloquistas que determinarão os resultados das eleições legislativas de 2013 ;o

  • O CDS obteve um excelente resultado em 2009. Para encontrarmos um resultado melhor do que os quase 600 mil votos centristas das últimas legislativas, teríamos que recuar até 1983 … eram outros tempos … a maioria dos dirigentes do CDS dessa altura já foram ministros do PS ou são actualmente apoiantes do Sócrates [com honrosas excepções].

    Conclusão: O CDS vai manter o score das últimas legislativas – 600 mil votos.
DISCLAIMER: Os comentários apresentados não levam em conta o efeito de uma eventual chapelada

18.5.11

A BELA E O MONSTRO (P. Gonçalo Portocarrero de Almada)

"... pergunto-me se uma programação televisiva que faz tão rapidamente mulheres famosas, não será também responsável por fazer, com a mesma rapidez, homens criminosos...

Enquanto os clássicos exaltam o valor, elogiam a virtude provada, premeiam o sacrifício esforçado e enaltecem os mártires e os heróis, os produtos televisivos de consumo juvenil privilegiam o amoralismo existencial, o elogio do facilitismo profissional e a irresponsabilidade emocional, na fútil expressão de «misses» e «modelos» de muita aparência e nenhuma substância. Quando se retiram os crucifixos das salas de aula e as referências da juventude já não são os homens e mulheres que fizeram a História de Portugal, mas uma qualquer «socialite» que é capa de revista, ou um riquíssimo futebolista que, para além de exibir inúmeras companheiras, é também patrocinador de roupa interior, certamente, como diria Hamlet, há algo de podre no reino da Dinamarca.

Dois protagonistas de duas histórias ... ambas unidas por um mesmo vazio cultural: a absoluta carência de valores e de princípios morais, que é incutida... nos jovens consumidores de certas séries e programas televisivos. A bela e o monstro não serão, afinal, o verso e o reverso de uma mesma moeda, as duas faces da geração “Morangos com açúcar”?

17.5.11

O lado positivo d'"A Crise"

"A revista Maxmen, dirigida ao segmento masculino, não voltará às bancas. A decisão da empresa Progresa/Media Capital Edições, detida pela espanhola Prisa, foi ontem comunicada às equipas."
Entre as revistas assumidamente pornográficas, esta era a líder de mercado.

O ESCÂNDALO DA CRUZ (Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada)

"É da praxe, em certos veículos pesados, a exibição de «posters» de muito mau gosto, mas ninguém fica perturbado pelo facto, nem é razão para uma sanção laboral. Que uma pessoa ande escandalosamente trajada na via pública – seja uma mulher de barriga ao léu, ou um rapaz de cuecas à mostra – não é tido por indecente. Mas se um crente usar um discreto símbolo religioso, é logo acusado de agredir o próximo, nomeadamente quantos não professam a sua religião".

in Público 17/05/2011 (via e-mail)

5.5.11

LAETITIAE SANCTAE: A crise e um remédio eficacíssimo

"4. ... no estado presente da sociedade civil, sobejas são as causas que debilitam os ligames da ordem pública e desviam os povos da justa honestidade dos costumes. Todavia, os males que mais perigosamente minam o bem comum parecem-nos ser principalmente os três seguintes: "aversão à vida humilde e laboriosa; o horror ao sofrimento; o esquecimento dos bens futuros, objeto das nossas esperanças".

A aversão ao viver moderno

5. Lamentamos - e connosco devem reconhecê-lo e deplorá-lo mesmo aqueles que não admitem outra regra senão a luz da razão, nem outra medida afora a utilidade, - lamentamos que uma chaga verdadeiramente profunda tenha ferido o corpo social desde quando se começou a descurar os deveres e as virtudes que formam o ornamento da vida simples e comum. De fato, daí se segue que, nas relações domésticas, os filhos, intolerantes de toda educação que não seja a da moleza e da volúpia, recusam arrogantemente a obediência que a própria natureza lhes impõe. Por esse mesmo motivo os operários se afastam do seu próprio mister, fogem do labor, e, descontentes com a sua sorte, levantam o olhar a metas demasiado altas, e aspiram a uma inconsiderada repartição dos bens.

Ao mesmo tempo dai se segue o afanar-se de muitos que, depois de abandonarem o torrão natal, buscam o bulício e as numerosas seduções da cidade. Por este motivo ainda, veio a faltar o necessário equilíbrio entre as classes sociais; tudo é flutuante; os ânimos são agitados por invejas e rivalidades; a justiça é abertamente violada; e aqueles que foram iludidos nas suas esperanças procuram perturbar a tranqüilidade pública com sedições, com desordens e com a resistência aos defensores da ordem pública.

As lições do mistérios gozosos

6. Pois bem: contra estes males pensamos que se deve buscar remédio no Rosário de Maria...  Expliquem-se de forma exata e popular os mistérios gozosos, apresentando-os aos olhos dos fiéis como outros tantos quadros e vivas figurações das virtudes. E assim cada um verá que fácil e rica mina eles oferecem de ensinamentos aptos para arrastar com maravilhosa suavidade as almas à honestidade da vida.

7. Eis diante do nosso olhar a Casa de Nazaré, onde toda santidade, a humana e a divina, colocou a sua morada. Que exemplo de vida comum! Que perfeito modelo de sociedade! Ali há simplicidade e candura de costumes; perpétua harmonia de almas; nenhuma desordem; respeito mútuo; e, enfim, o amor: mas não o amor falso e mendaz, e sim aquele amor integral, que se alimenta na prática dos próprios deveres, e tal que atrai a admiração de todos.


Ali não falta a solicitude de se proporcionar a si mesmos tudo quanto é necessário à vida, mas com o "suor da fronte", e como convém àqueles que, contentando-se com pouco, se esforçam antes por diminuir a sua pobreza do que por multiplicar os seus haveres. E, sobre tudo isto, reina ali a maior serenidade de ânimo e alegria de espírito: duas coisas que sempre acompanham a consciência do dever cumprido.

8. Ora, estes exemplos de modéstia e de humildade, de tolerância da fadiga, de bondade para com o próximo e de fiel observância dos pequenos deveres da vida quotidiana, e, numa palavra, os exemplos de todas estas virtudes, assim que entram nos corações e nele se imprimem profundamente, certamente produzem nele pouco a pouco a desejada transformação dos pensamentos e dos costumes.

Então os deveres do próprio estado não mais serão nem descurados nem considerados enfadonhos, mas serão, antes, agradáveis e deleitáveis; e a consciência do dever, imbuída de senso de alegria, será sempre mais decidida no obrar o bem.

Por conseqüência, os costumes tornar-se-ão mais brandos sob todos os aspectos; a convivência familiar transcorrerá no amor e na alegria; as relações com os outros serão pautadas por um maior respeito e caridade. E, se estas transformações se estenderem dos indivíduos às famílias, às cidades, aos povos e às suas instituições, é fácil ver que imensas vantagens devam daí derivar para a sociedade inteira.

A aversão ao sacrifício

9. O segundo mal funestíssimo, que Nós nunca deploraremos bastante, porque ele sempre mais difusa e ruinosamente envenena as almas, é a tendência a fugir da dor e a afastar por todos os meios as adversidades.

De feito, a maioria dos homens não consideram mais, como deveriam, a serena liberdade de espírito como um prémio para quem exercita a virtude e suporta vitoriosamente perigos e trabalhos; mas excogitam uma quimérica perfeição da sociedade, em que, removido todo sacrifício, se deparem todas as comodidades terrenas.

Ora, este agudo e desenfreado desejo de uma vida cômoda debilita fatalmente as almas, que, mesmo quando não se arruínam totalmente, ficam, sem embargo, tão enervados, que primeiro cedem vergonhosamente em face dos males da vida, e depois sucumbem miseravelmente.

As lições dos mistérios dolorosos

10. Pois bem: ainda contra este mal é bem justificado esperar-se do Rosário de Maria um remédio que, pela força do exemplo, pode grandemente contribuir para fortalecer os ânimos. E isto se obterá se os homens, desde a sua primeira infância, e depois constantemente em toda a sua vida, se aplicarem, no recolhimento, à meditação dos mistérios dolorosos.

Através destes mistérios vemos que Jesus, "guia e aperfeiçoador da fé", começou a fazer e a ensinar, a fim de que víssemos n'Ele próprio o exemplo prático dos ensinamentos que Ele daria à nossa humanidade, acerca da tolerância da dor e dos trabalhos; e o exemplo de Jesus chegou a tal ponto, que, voluntariamente e de grande coração, Ele mesmo abraçou tudo o que há de mais duro de suportar...

11. Todo aquele que .... meditar amiúde exemplos de tão excelsa virtude, oh! como se sentirá impelido a imitá-los! Para esse, ainda que seja "maldita a terra, e faça germinar espinhos e abrolhos", ainda que o espírito seja oprimido pelos sofrimentos, ou o corpo pelas doenças, nunca haverá nenhum mal causado pela perfídia dos homens ou pelo furor dos demônios, nunca haverá calamidade, pública ou privada, que ele não consiga superar com paciência.

É, pois, realmente verdadeiro o dito: "É de cristão fazer e suportar coisas árduas"; porque todo aquele que não quiser ser indigno desse nome não pode deixar de imitar Cristo que sofre. E repare-se em que como resignação não entendemos a vã ostentação de um ânimo endurecido à dor, como o tiveram alguns filósofos antigos; mas sim essa resignação que se funda no exemplo d'Aquele que "em lugar do gozo que tinha diante de si, suportou o suplício da Cruz, desprezando a ignomínia" (Heb 12, 2); essa resignação que, depois de pedir a Ele o necessário auxilio da graça, de modo algum recusa afrontar as adversidades; antes, alegra-se com elas, e considera um lucro qualquer sofrimento, por mais acerbo que seja...

12. Oh! praza ao Céu que exemplos de tão admirável fortaleza se multipliquem sempre mais, a fim de que deles brote segurança para a sociedade, e virtude e glória para a Igreja.

O descaso dos bens eternos

13. O terceiro mal para o qual é preciso achar um remédio é particularmente próprio dos homens dos nossos dias...

... muitos dos modernos, embora educados na fé cristã, procuram de tal modo os bens transitórios desta terra, que não somente esquecem uma pátria melhor na eternidade bem-aventurada, mas, por excesso de vergonha, chegam a cancelá-la completamente de sua memória, contra a advertência de S. Paulo: "Não temos aqui uma cidade permanente, porém demandamos a futura" (Heb. 13, 14).

Quem quiser examinar as causas desta aberração logo notará que a primeira delas é a convicção de muitos de que o pensamento das coisas eternas extingue o amor da pátria terrena e impede a prosperidade do Estado. Calúnia odiosa e insensata.

E, de fato, os bens que esperamos não são de natureza tal que absorvam os pensamentos do homem até o ponto de o distrair inteiramente do cuidado dos interesses terrenos. O próprio Cristo embora recomendando-nos procurarmos antes de tudo o reino de Deus, com isto nos insinua que não devemos descurar tudo o mais.

E, de fato, se o uso dos bens terrenos e dos gozos honestos que deles derivam servem de estímulo à virtude; se o esplendor e o bem-estar da, cidade terrena - que depois redundam em glória da sociedade humana - são considerados como uma imagem do esplendor e da magnificência da cidade eterna, eles não são nem indignos de homens racionais, nem contrários aos desígnios de Deus.

Porque Deus é ao mesmo tempo autor da natureza e da graça; e por isto não pode ter disposto que uma obste à outra e estejam entre si em luta; mas, ao contrário, que, amigavelmente unidas, nos guiem, por uma trilha mais fácil, àquela eterna felicidade a que, embora mortais, somos destinados.

14. Mas os homens dados ao prazer e egoístas, que de tal modo mergulham e aviltam os seus pensamentos nas coisas caducas a ponto de não saberem elevar-se a mais alto, estes, antes que procurarem os bens eternos através dos bens sensíveis de que gozam, perdem completamente de vista a eternidade, caindo assim numa condição verdadeiramente abjeta. Na verdade, Deus não poderia infligir ao homem punição mais terrível do que abandonando-o por toda a vida às seduções dos vícios, sem ter jamais um olhar para o Céu.

As lições dos mistérios gloriosos

15. A este perigo não estará exposto aquele que, rezando o santo Rosário, meditar com atenção e com freqüência as verdades contidas nos mistérios gloriosos. Desses mistérios, com efeito, brilha na mente dos cristãos uma luz tão viva, que nos faz descobrir aqueles bens que o nosso olho humano nunca poderia perceber, mas que Deus - assim o cremos com fé inabalável - preparou "para aqueles que o amam".

Deles aprendemos, além disto, que a morte não é um esfacelamento que tudo perde e destrói, mas sim uma simples passagem e uma mudança de vida. Aprendemos que o caminho do céu está aberto a todos; e, quando observamos Cristo que volta ao Céu, recordamos a sua bela promessa: "Vou preparar-vos o lugar".

Aprendemos que haverá um tempo em que "Deus enxugará toda lágrima dos nossos olhos; em que não haverá mais nem lutos, nem pranto, nem dor, mas estaremos sempre com o Senhor, semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é, bebendo na torrente das suas delícias, concidadãos dos santos", em feliz união com a grande Mãe e Rainha...

E, verdadeiramente, só aqui está o segredo de harmonizar o tempo com a eternidade, a cidade terrena com a celeste, e de formar caracteres fortes e generosos. E se estes se tornarem muito numerosos, sem dúvida estará com isso consolidada a dignidade e a grandeza do Estado; e florescerá tudo o que é verdadeiro, tudo o que é bom, tudo o que é belo; florescerá em harmonia com aquela norma que é o sumo princípio e a fonte inexaurível de toda verdade, de toda bondade e de toda beleza.

17. Ora, quem não vê a verdade disso que havemos observado desde o princípio, isto é, de que preciosos bens é fecundo o santo Rosário? O quanto ele é maravilhosamente eficaz em curar os males dos nossos tempos, e em opor um dique aos gravíssimos males da sociedade?

... E em todas as ocasiões, mas especialmente em Lepanto, pôde-se ver como a Virgem se compraz com as orações, as festas e as procissões desses seus devotos...

21. Eis aí a esperança que nos sorri. É ela que, no meio de tantas calamidades públicas, nos guia e profundamente nos consola. Digne-se Maria, Mãe de Deus e dos homens, inspiradora e mestra do santo Rosário, de realizar plenamente esta esperança, acolhendo as preces comuns."

CARTA ENCÍCLICA LAETITIAE SANCTAE DE SUA SANTIDADE o PAPA LEÃO XIII (1893):