31.10.11

Trick-or-Treat ?

Este jogo tradicional e genuinamente português que hoje à noite invadiu alguns condomínios fechados, transmite às crianças os valores e as virtudes necessárias para sobreviver no novo regime económico que o Governo pretende implementar em Portugal.

Trick-or-Treat, que é como quem diz "a bolsa ou a vida", "dá-me o que eu quero ou faço-te mal", "se queres manter o emprego dá cá dois salários e vem trabalhar no próximo sábado".

Não são os amanhãs que cantam, mas são os amanhãs que gritam de dor.

Grécia leva a referendo novo programa de ajuda financeira

Afinal, é a terra onde a democracia foi inventada ...

Italy's crisis deepens on eurozone slump, bail-out doubts

PAUL DE GRAUWE: "Infelizmente, creio que Portugal está mais próximo da restruturação"

Eu não acredito em bruxas ... pero que las hay ...

Ainda ontem à noite estive na página do Prof. De Grauwe a estudar um bocadinho. Hoje abro o Jornal de Negócios ("o meu jornal" - peço desculpa se esta revelação reduzir a circulação do dito cujo), e dou de caras com uma entrevista com o Prof. De Grauwe. Esta entrevista devia ter sido publicada na 1.ª página e não na página 30.

O que ele diz sobre Portugal é o seguinte:
"Portugal está mais próximo de uma restruturação da sua dívida ?

Infelizmente, creio que está mais próximo, devido à recessão, a qual implicará rácios de défice e dívida superiores, forçando o Governo a adoptar ainda mais austeridade.

Como avalia a desvalorização interna que o Governo português está a por em curso?

É uma estratégia de alto risco. É verdade que Portugal tem de conseguir uma desvalorização interna, mas vocês terão de aplicar medidas tão duras, que conduzirão a uma recessão profunda. Os mercados podem não vos dar o tempo de que precisam. Estão muito nervosos e poderão colocar-vos ainda mais pressão. Pode acontecer que as coisas ainda piorem como na Grécia, exigindo mais e mais austeridade que torne uma crise gerível numa crise insolúvel".
Ou seja, os 8.013 milhões de euros (8 billion) que Portugal vai pagar de juros aos países ricos da europa e que foram arrancados a ferros aos funcionários públicos e aos contribuintes são dinheiro deitado à rua.

Alguém no Governo está a estudar e a desenhar um plano de contingência para a mais que provável "restruturação" e para a muito possível saída do Euro ? Ou será que quando a altura chegar vão continuar a fazer contas nas costas de um envelope tal como aconteceu com este orçamento e com os cortes aos funcionários públicos ?

Economistas ganharão menos 50% no Estado face a privado

Confirma-se o meu anterior post sobre esta questão.

A armadilha do Prof. César das Neves

Hoje, dia 31 de Outubro, 594 anos depois de Lutero ter cravado as suas 95 teses nos portões da Igreja de Wittenberg, o Prof. César das Neves espetou com esta crónica nas costas deste escriba.

Depois de uma vida a ser formado pelas opiniões do Prof.; depois de sofrer os ataques e o ostracismo de quem não concorda com ele, acabo agora vítima da sua pena.

É certo que o Prof. César das Neves afirma que a indiscriminada descida de salários na função pública é "não só ... injusta mas ineficaz" e que, afinal, os seus salários dos funcionários públicos não são muito elevados - "não é que ganhem muito".

Mas, diz o Prof., o "principal drama dos funcionários públicos ... é que ... [s]ão imensos". E, como são muitos, e é "quase proíbido dispensar trabalhadores", então a "alternativa [é] apertar a remuneração individual".

Este argumento - que é novo -, assenta na seguinte evidência empírica: o "peso dos salários de funcionários públicos no PIB... em 2011 ... é ainda ... 11,5%, bem acima da média dos 27 (10,7%) e de parceiros como Espanha (11,1%), Itália (10,7%), Holanda (9,7%) e Alemanha (7,1%)".

Ora, aqui é que me parece que o artigo está armadilhado.

O Governo prepara-se para reduzir a despesa com a função pública em (2/14 + 5% em média) = 19,3%.

Tudo o resto constante, esta redução implicaria uma descida do peso dos salários da função pública para 9,3%, valor abaixo da anterior média da UE27 e de países como a Espanha, a Itália e a Holanda.

Pelo contrário, se o Governo tivesse cortado apenas 1 salário, a queda na despesa seria de 1/14=7% e, tudo o resto constante, traria a o peso do salário dos funcionários no PIB para 9,9% - valor ligeiramente abaixo da anterior média da UE27.

Neste blog não se defende que os funcionários públicos fiquem imunes à crise. O que se tem procurado mostrar é que os funcionários públicos têm sido injustamente penalizados em comparação com outros grupos.

O artigo do Prof. César das Neves parece confirmar esta opinião. O Governo poderia ter cortado apenas um salário e procurado distribuir a miséria por outros sectores (PPP, custos de funcionamento, subsídios a empresas, etc... - é ver aí para abaixo outros exemplos).

UPDATE

Enviei um e-mail ao Prof. César das Neves mais ou menos nos termos deste post, mas sem as chico-espertices. Ele fez o favor de responder.

O Prof. diz que as minhas contas back-of-the-envelope são inválidas porque o pressuposto "tudo o resto constante" não se aplica. O Prof. cita por exemplo a queda de 2,8% do PIB.

Voltei a fazer as contas contabilizando os 2,8% do PIB e os resultados são:
  • 9,6% para o corte previsto;
  • 11% para o corte de 1 salário.
Não parece que isto altere significativamente as minhas conclusões.

O Prof. diz também que as contas são inválidas porque não levam em conta promoções e reformas. Mas acontece que todas as evoluções salariais estão congeladas e as reformas também são sujeitas ao corte. Conclusão: argumento inválido.

O Prof. termina dizendo que muita gente no sector privado está a perder nestes dias, não 2 salários em 14, mas 14 em 14 salários, indo para o desemprego. Desde o segundo trimestre de 2008, início desta crise, já foram 265 mil, que é quase metade da função pública. E que isto sim, é discriminação.

Isto não será bem verdade porque existe subsídio de desemprego (por enquanto) e eu não estou a propor que se corte o subsídio de desemprego. Mas, mesmo que fosse verdade, isto justifica o quê exactamente ? O corte de 2 salários, de 6 salários, de 12 salários, mandar os funcionários públicos para as câmaras de gáz ? E isso justifica que não se corte nas PPP, etc... ?

E, já agora, cortando desta forma os salários contribui-se para agravar a recessão.Ou seja, mais desemprego.

Aguardemos em jubilosa esperança.

Um post para o dia das bruxas

No início era o salário familiar.

Depois veio a guerra, o feminismo e os seus financiadores corporativos. Com o passar do tempo, as mulheres entram no mercado de trabalho e, grosso modo, a força de trabalho duplica. Morre o salário familiar.

Depois veio o estado social e as empresas deixaram progressivamente de fazer "segurança social" visto que "não era sua vocação"; "socializaram-se" esses custos.

Agora, com "a crise":
"Os portugueses precisam urgentemente de começar a poupar mais para se precaverem da menor protecção social de que vão usufruir no futuro."
Isto numa altura de "inevitáveis" descidas de salários.

Mas, felizmente, toda esta situação cria oportunidades de negócio:
"... as empresas vão começar a lançar instrumentos de apelo às poupanças mesmo fora do sistema bancário, embora sem especificar que tipo de instrumentos possam ser esses.

E os portugueses têm mesmo de poupar... “Temos de poupar mais, poupar bem e no médio e longo prazo”... para a reforma
".
E AINDA a cereja no topo do bolo:
"E se o hospital Santa Maria passasse para mãos privadas?

A alienação de um dos maiores hospitais do país libertaria custos para o Estado, que se poderia assim virar para apoios efectivos aos cidadãos... O caminho para a frente é o esvaziamento do Estado...
"

O desemprego na Alemanha DIMINUIU para 6% ...

... simultaneamente, subiu em Espanha(21,5%), na Grécia (16,5%) e em Portugal (12,1%), atingindo valores recorde.

O motivo desta divergência é o mesmo: o Euro. A Alemanha beneficia de um Euro que se encontra desvalorizados entre 30% a 40% face às suas circunstâncias particulares (a Alemanha fez o seu ajustamento na última década, mas beneficia agora de uma moeda fraca). Pelo contrário, as economias dos outros 3 países sofrem os efeitos de uma moeda 30% a 40% sobrevalorizada, face às suas circunstâncias particulares.

Acresce que o banco central europeu, que durante a maior parte da década implementou uma política monetária expansionista, pro-cíclica no caso dos países ibéricos - facto que alimentou o crescimento da dívida e as bolhas imobiliárias -, está agora a aumentar as taxas, tornando a vida mais difícil para os países periféricos.

Será isto uma Optimal Currency Area ?

O governo que fala em regime change devia começar a pensar em exit strategy.

30.10.11

Why the latest eurozone bail-out is destined to fail within weeks

  • Why the latest eurozone bail-out is destined to fail within weeks

    "... By late Thursday, though, and certainly on Friday, the warning signs were there. Global bond markets, by character more sober and smarter than the excitable equity guys, were voting against the deal...

    European leaders have reached an "agreement"... with the private holders of Greek debt, who now accept a 50pc write-down on their stakes...

    ... The deal is "voluntary", though, nothing having been decided except the "50pc haircut" headline. In reality, by bargaining hard over coupons and maturities – how much the bonds will pay annually, and for how long – those who so unwisely lent money to Greece (eager to reap high yields, while always expecting a bail-out) will get a much sweeter deal. This is the discussion that will take place, behind closed doors, during the coming months. But that sweeter deal will need to be paid for with yet more sovereign borrowing, by some eurozone government or other, plus further sack-loads of taxpayers' cash.

    It is telling that Greek bond-holders themselves were on Friday reassuring their investors that the reduction in the net present value of their stakes, compared with the "21pc haircut" deal, "will not be overly onerous". In addition, the July agreement, while also "voluntary", included a 90pc creditors' participation. Thursday's variant cited no such number...

    ... Thursday's announcement also stressed that the €440bn (£386bn) euro European Financial Stability Facility would be "levered", allowing it to borrow to make it bigger [to €1,000 bn] . This is supposed to allow the eurocrats to raise cash without having to trouble national parliaments, given that they're likely to refuse...

    ... Despite Thursday's deal, and all the reassurances of a "durable solution", the Italian government on Friday paid 6.06pc for 10-year money, up from just 5.86pc a month ago and a euro-era high. Such borrowing costs are disastrous, given that Rome must roll-over €300bn of its €1,900bn debt in 2012 alone. A default by Italy, the eurozone's third-biggest economy, and the eighth-largest on earth, would make Lehman look like a picnic..."

  • This was the week that European democracy died

    "Even without the ultimate institutions of economic and political union, which still elude the EU, actual power over fiscal policy will be taken from the hands of national leaders. And if, as a voter, you cannot influence your prospective government’s tax and spending policies, what exactly are you voting for?

    ... And among those hapless, soon-to-be-disenfranchised peoples, hatreds have been awakened that the EU was, ironically, designed to bury. The Greeks hugely resent what they consider to be the implicitly racist contempt of the Germans: the political opposition in Athens on both Left and Right rejects the idea of being “bailed out” of a crisis (with all the compliance that entails) that they believe to have been caused by the artificial constraints of euro membership rather than by national character flaws. Even their moderate spokesmen are beginning to characterise Germany’s economic impositions as a revival of its wartime attempt at conquest".

Marx vs. Weber: does religion affect politics and the economy?

Os rapazes do Banco Central Europeu são muito produtivos e devem ter feito este paper durante uma "ponte":
"We investigate the effect of Reformed Protestantism, relative to Catholicism, on preferences for leisure and for redistribution and intervention in the economy. With a Fuzzy Spatial Regression Discontinuity Design, we exploit a historical quasiexperiment in Western Switzerland, where in the 16th century a so far homogeneous region was split and one part assigned to convert to Protestantism. We find that Reformed Protestantism reduces the fraction of citizens voting for more leisure by 13, and that voting for more redistribution and government intervention by respectively 3 and 11 percentage points. These preferences are found to translate into greater income inequality, but we find no robust effect on average income".
O Eng. Passos Coelho, afinal é protestante.

Benefits Run Out for Spain's Jobless

"Spain's jobless rate, hovering above 20% since early 2010, reached its highest rate in 15 years in the third quarter, the government reported Friday, at 21.5%—driven up in part by public-sector cuts. The number of households without any income also hit record levels, rising to 559,900, or 3.2% of Spain's families, the government said.

One reason: Three years into the economic crisis, more and more jobless Spaniards are seeing their unemployment benefits expire... Most wage-replacement benefits in Spain—which top out at about €1,400 ($2,000) monthly for workers with two children—run out or significantly decline by 24 months, compared with three to five years in some countries, including Belgium and Denmark. Mr. Tuesta's benefits expired late last year."

For Ordinary Greeks, Big Bailout Adds Up to Years of Hardship

"... Bit by bit, Greek society is being stretched, and it is popping at the seams.

The small businesses that form the core of the Greek economy—and the bedrock of the Greek middle class—are closing. The poor are becoming poorer. The fiery street protests are turning nastier...

"There is a feeling that things can only get worse, that we will have to live with half the money we had," says Spiros Papadopoulos, a young blogger. "What is at stake is our quality of life, and, for some, their subsistence."

Greece is the canary in the euro zone's coal mine. The bloc's prescription for a crisis spurred by overborrowing and overspending is a dose of radical fiscal rectitude, delivered fast. To regain the confidence of skittish investors, countries are being asked to rip up paternalistic policies that provided stability and comfort to legions of citizens but left the state reeling from the bill. The question is, can it be done without igniting society into revolt?

The outcome will reverberate beyond Greece's borders. A societal collapse would further distance Greece from other countries in the European Union, threatening to unravel Europe's grand postwar project of an ever-closer federation".

29.10.11

Regime change

O sobrinho do Dr. Jorge Coelho preconiza um novo regime económico para Portugal:
"O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse sexta-feira, em entrevista à televisão brasileira Globo, que Portugal tem de fazer um "caminho de mudança de regime económico" apostando mais nas empresas e na abertura da economia ao exterior: "O caminho que temos de fazer é um caminho de mudança de regime económico, apostar mais nas empresas, mas na abertura da economia ao exterior, mais no empreendedorismo e na inovação dos portugueses, libertá-los do peso desta dívida, que vai demorar tempo, mas tem que ser feito, reduzir os gastos do Estado e das despesas públicas"
É uma utopia cujo fundamento ideológico fica escondido debaixo das "inevitabilidades" da "emergência nacional".

Uma mudança de regime económico orquestrada a partir de cima implica uma revolução nas vidas das pessoas. Independentemente do resultado final, o processo de transição é sempre mau, pelo menos para determinados grupos da população. Destroem-se modos de vida, relações sociais, as necessidades mais básicas deixam de ser satisfeitas.

Quando foi aplicado o "tratamento de choque" na União Soviética, uma classe de bandidos tomou conta das empresas e dos recursos do país, enquanto o nível de vida e a esperança de vida do cidadão comum diminuíram. Só em 2007, 16 anos após o fim da URSS, o PIB da Rússia ultrapassou o nível que existia em 1990 (E mesmo assim só com o perdão da dívida externa).

É o que nos espera.

O empobrecimento, já prometido pelo primeiro-ministro, vai durar umas décadas. Ah, e os funcionários públicos farão o papel de minoria branca na África do Sul pós-Apartheid.

Parabéns aos sobreviventes que vão poder começar a comprar clubes de futebol na Inglaterra.

Uma autópsia da "narrativa"

  • No início era a ganância dos bancos, a liberalização, a falta de regulação, uma política monetária demasiado frouxa, o consumismo. E foi.

    "A crise" era uma coisa que se passava no sector financeiro com extensões ao mercado imobiliário - era a crise do "sub-prime".

    Mas rapidamente se desenterrou "o risco sistémico" e o argumento do "too big to fail". Resultado: os prejuízos de bancos, credores e depositantes foram "socializados", ou seja, assumidos pelos governos em nome dos contribuintes. Em simultâneo, a "grande recessão" provocada pela falência dos bancos provocou uma queda acentuada das receitas fiscais e um aumento da despesa e dívida pública - á anteriormente estas tinham atingido níveis  pouco saudáveis em resultado do crédito demasiado barato e acessível.

    Começou assim a temer-se pela solidez financeira dos estados. Seguiram-se os cortes nos ratings, o aumento das taxas de juro dos títulos do tesouro, as dificuldades de "acesso aos mercados".

  • A causa da crise passou a ser o excesso de despesa pública e a irresponsabilidade "criminosa" dos políticos que, em tempo de vacas gordas (com a barriga à mostra e piercing no umbigo), não fizeram "as reformas", nem cortaram "as gorduras" do Estado. E foi.

    A resposta foi enviar os culpados para o exílio em Paris e implementar a Austeridade.

    Mas a coisa foi mais difícil do que se pensava e também não dava muito jeito a amigos e conhecidos. Resultado: corte-se onde é mais fácil. Diminuam-se os ordenados dos funcionários públicos que são mandriões, ganham demasiado e têm segurança no trabalho. E fez-se.

    Para vender a ideia, bastou dividir a sociedade em duas e criar um bode expiatório. Clássico.

  • Mas existem dois factos que não integráveis nesta "narrativa":

    • Em primeiro lugar, investiguem-se as causas directas do aumento da dívida pública durante o regime socratista. Durante o consulado do filósofo-rei, "o melhor primeiro-ministro de sempre", dizia-se, a dívida pública em percentagem do PIB aumentou 30 pontos percentuais. Pergunto: este aumento de dívida e o antecedente aumento de despesa foram provocados por uma aumento do número de funcionários públicos ou dos seus salários ? E a resposta é NÃO e NÃO (diminuição em termos reais neste período). Tenho tentado nestes últimos dias apresentar alguns exemplos de despesismo - à média de muitas centenas de milhões de euros por dia -, que conduziram ao resultado recorde acima mencionado. É ler por aí abaixo.

    • E, depois, temos esta questão de fundo: o problema actual não é o desequilíbrio orçamental, mas sim o desequilíbrio externo. Até que ponto as políticas até agora seguidas permitem resolver este problema ? O corte de despesas foi dirigido para a redução do deficit comercial, do deficit da balança de rendimentos ? Não, antes pelo contrário no 2.º caso. Acresce que a austeridade aumenta as necessidades de financiamento do sector privado - cuja dívida externa é o dobro da dívida pública externa - agravando a posição destas entidades em relação aos seus credores externos.

28.10.11

Can America survive without its middle class?


"... the fact that some 20 per cent of Americans now receive some 53 per cent of the income is devastating.
I would argue that the growing divisions within the American middle class are far more important than the gap between the very richest and everybody else. They are important because ... [t]he middle class is the “heartland”, the middle class is the “backbone of the country”. In 1970, Time magazine described middle America as people who “sing the national anthem at football games – and mean it”.
... But, at some point in the past 20 years, a family living at that level lost the sense that it was doing “well”, and probably struggled even to stay there. Now it seems you need a McMansion, children at private universities, two cars, a ski trip in the winter and a summer vacation in Europe in order to feel as if you are doing minimally “well”. You also need a decent retirement fund, since what the state pays is so risible, as well as an employer who can give you a generous health-care plan, since health care is so expensive.
... The point is that people’s perceptions have changed. Many who used to feel secure in “middle America” now feel, rightly or wrongly, left behind, and they don’t think they will ever catch up. Meanwhile, many of those who used to feel proud of coming from “middle America” now feel, like my friend, that they have little in common with their “heartland”. If this turns out to be a permanent change, the implications for American politics, even for Western politics, will be profound. For the past 50 years, Western democracy has flourished alongside the assumption of upward mobility: everyone could participate in the political system; everyone had a chance at improving his status; and everyone could hope, at least, that his children would live better than his parents had, in Britain, France and Germany as well as America. But if Americans are no longer “all in the same boat”, if some of them are now destined to live better than others, then will they continue to feel like political equals? If Britons, Frenchmen and Germans no longer have much in common with their countrymen, will they still want to take part in the same national debates? We don’t know yet – we’ve never lived without a “middle middle class” before – and we are about to find out."

Mais 1000 milhões ...


  1. "A maior fatia da dívida dos PALOP a Portugal é a de Angola - 698 milhões de dólares (440 milhões de euros), que no âmbito de acordo bilateral assinado em 2004 serão pagos a partir de 2009 (cinco anos de carência), ao longo de 30 anos, com uma taxa de juro de um por cento".



  2. [04/10/2010]"A dívida oficial dos países africanos lusófonos a Portugal aumentou 120 milhões de euros em 2009, totalizando 1,556 mil milhões de euros, devido sobretudo aos empréstimos a Angola garantidos pelo Estado português, revelou o Banco de Portugal.

27.10.11

Portugal enters 'Grecian vortex'

"Data released by the European Central Bank show that real M1 deposits in Portugal have fallen at an annualised rate of 21pc over the past six months, buckling violently in September.

"Portugal appears to have entered a Grecian vortex ...

The M1 data - cash and current accounts - is watched by experts as a leading indicator for the economy six months to a year ahead. It has been an accurate warning signal for each stage of the crisis since 2007.

... A shrinking money supply is dangerous for countries with a high debt stock. Portugal’s public and private debt will reach 360pc of GDP by next year, far higher than in Greece.

Premier Pedro Passos Coelho has been praised by EU leaders for sticking to austerity pledges under Portugal’s EU-IMF rescue, but the policy is pushing the country deeper into slump and playing havoc with debt dynamics.

... Portugal, Spain, and Italy. Like Greece, these countries have lost 30pc in labour competitiveness against Germany since the mid-1990s. That is the root of the EMU crisis. A toxic mix of fiscal tightening, higher debt costs, and now the threat of a eurozone recession risks tipping them over the edge.

... Europe’s leaders are betting that a reduction of red tape and a radical shake-up of the labour markets will unleash growth in Greece, Portugal, Italy and Spain, a decade hence. In the meantime, the governments of these near helpless countries must soldier on with perma-slump, and riot gear, and pray for a miracle.
"

Portugal vai pagar 655 milhões em comissões dos empréstimos da troika até 2014

Usura.

No meio da "emergência nacional", ainda há dinheiro para dar a associações de empresários e para subsidiar o aborto ...

A solução para crise é a devolução dos subsídios de férias e de Natal e a retenção dos restantes 12 meses de ordenado !

É sabido que os funcionários públicos ganham mais que os trabalhadores do sector privado, têm segurança no emprego e não fazem a ponta de uma escorva.

Como, entretanto, o Ministro das Finanças veio dizer que a espoliação dos subsídios de férias de Natal é temporária, a solução para a crise consistirá em retirar os restantes 12 meses de salário aos "trabalhadores" do Estado.

Assim, já haverá dinheiro para dar aos bancos, aos consultores e sociedades de advogados, aos consórcios das PPP e empresas de construção civil, às empresas públicas, aos fornecedores do Estado e empresas privadas. E por este andar ainda dará para pagar as dívidas do Joe Berardo.

Caixa precisa de 2,2 mil milhões... sem recorrer ao fundo da troika

"O banco estatal precisa de reforçar os capitais próprios em 2,239 mil milhões de euros, correspondendo 1.462 milhões de euros ao valor resultante da avaliação a preços de mercado das exposições a dívida soberana.

Há várias hipóteses de completar as necessidades de 2,239 mil milhões de euros, incluindo venda de activos, mas dificilmente se poderá evitar um aumento de capital. Isto é, a injecção de dinheiro não através do "pacote" de 12 mil milhões de euros, mas directamente do Estado.

Fonte oficial da CGD garante que, “em relação às exigências adicionais anunciadas, a CGD e o seu accionista irão encontrar as soluções apropriadas para o seu cumprimento.

26.10.11

Custo acumulado do BPN no défice é maior que o corte nos subsídios de Natal e de férias

"Numa análise à proposta de Orçamento do Estado para 2012, os técnicos independentes que dão apoio aos deputados calculam em 1,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) o impacto no défice do custo directo da nacionalização do BPN em 2010 e 2011, um valor que supera os 1,2 por cento do PIB de impacto dos cortes nos subsídios de férias e Natal.

"No total o impacto no défice público suplantará o valor do corte nos subsídios de férias e de Natal de alguns funcionários públicos e pensionistas, avaliados em 1,2 por cento do PIB, 2.016 milhões de euros", diz a UTAO.

Para além do impacto no défice em 2010 e 2011, a UTAO calcula ainda que os encargos com juros que terão de ser suportados com as sociedades veículo do BPN vão originar custos na ordem dos 323 milhões de euros por ano, o equivalente a 0,2 por cento do PIB de 2012.

Só em 2010, o impacto na dívida pública do BPN foi de 2,2 por cento do PIB em 2010
".
E se se deixassem cair "as sociedades veículo do BPN" cobrindo os buracos nos balanços dos bancos com o dinheiro da troika destinado a esses mesmos bancos ?

Poupavam-se 323 milhões por ano, só em juros... já para não falar nos buracos que os ditos "veículos" escondem.

Vitor Gaspar: corte dos subsídios é temporário ("no sentido comum da palavra")

"Vítor Gaspar, ministro das Finanças, admitiu hoje que o corte dos subsídios de férias e de Natal permite sobretudo "ganhar tempo".

O ministro tinha sido confrontado pelo deputado socialista, Pedro Nuno Pereira, que quis saber como é que uma medida temporária estava a contribuir para um ajustamento que se pretende que seja estrutural.

"A medida é temporária mas tem uma duração superior a um ano. Por isso em algumas metodologias não é considerada temporária, embora o seja no sentido comum da palavra", começou por explicar Vítor Gaspar. Contudo, não sendo permanente, "permite uma margem de tempo para a execução da agenda de alteração estrutural que permitirá erradicar permanentemente o descontrolo da despesa".

O objectivo desta estratégia é conter a despesa púbica de forma sustentável "em menos de 40% do PIB e descer a carga fiscal" no futuro.
"

25.10.11

Passos: "Só vamos sair desta situação empobrecendo"

Uns mais do que os outros ...

Passos: Foi "irrealista" pensar que empresas públicas podiam financiar-se sem ajuda

"O primeiro-ministro deu hoje indicações de que procurará renegociar o programa de ajuda externa para canalizar financiamento para as empresas públicas, que ficaram de fora do pacote de 78 mil milhões de euros acordado pela troika...

Segundo o que afirmou, as necessidades de refinanciamento das empresas públicas totalizam, neste ano, três mil milhões de euros, dos quais 140 a 150 milhões são nova dívida. Até ao fim de 2013, do programa de ajuda externa (78 mil milhões de euros), essas necessidades podem elevar-se a 16 mil milhões de euros, valor que ultrapassa o do envelope de 12 mil milhões destinado à banca
".

Jornal de Negócios, 25/11/2011
Está a ver-se grego ... batten down the hatches.

Governo sobe custos de funcionamento e subsídios

"As despesas com consumos intermédios e subsídios, associados às famosas "gorduras" do Estado, vão aumentar. A redução do défice fica a cargo dos gastos com salários, prestações sociais e investimento".
O Eng. Passos Coelho está disposto a garantir a viabilidade da banca, das sociedades de advogados, das empresas de consultores e dos consórcios das PPP até ao último funcionário público.

Uma alternativa ao corte do salários dos funcionários públicos

"Portugal vai ter encargos brutos com parcerias público-privadas (PPP) equivalentes a 1% do PIB por ano nos próximos anos...

... De acordo com este relatório, entre 2008 e 2010, o montante dos encargos líquidos (ou seja, incluindo proveitos entretanto recebidos pelo Estado) com as PPP mais do que duplicou, tendo ascendido a 1128 milhões de euros no último ano, passando de 0,3% do PIB em 2008 para 0,7% em 2010.

O relatório estima que os encargos brutos deverão representar 1% do PIB em 2011, 0,8% do PIB em cada um dos dois próximos anos, 1,1% em 2014 e 1,2% do Produto em 2015. ... em particular no período 2015-2018, estima[-se] que estes [encargos]ultrapassem os 2000 milhões de euros por ano
".
Existem várias alternativas ao corte de salários da função pública. Uma delas é rasgar os contratos das PPP da mesma forma que o governo rasgou os contratos com os funcionários públicos.

A escolha entre as várias opções possíveis revela uma determinada preferência e uma determinada postura ideológica, que pode ou não ser legítima. O que não se pode dizer é que a opção escolhida é "inevitável".

Motivos para a suspensão dos contratos ? Vários:

Contra as ameaças de litigância, recorra-se aos métodos do Hugo Chávez que vai alegremente nacionalizando aquilo que lhe apetece. Para sacana, sacana e meio.

24.10.11

Quem quer formar uma cooperativa para comprar a EDP ?

Transformar um monopólio público num monopólio privado nunca foi (ou será) boa ideia.

Acresce que o chamado "Regulamento Tarifário" é uma licença para gastar o que a empresa quiser. Mais cedo ou mais tarde a empresa recuperará através dos preços da electricidade todos os custos em que incorrer sem que exista a pressão da concorrência ou qualquer factor de eficiência que impeça que as canalizações dos edifícios da empresa sejam construídas em ouro puro.

Se querem privatizar a empresa, pelo menos rasguem o regulamento tarifário.

Uma alternativa: Bastava que 1.000.000 de cooperadores estivessem dispostos a investir 2 mil macacos cada um. Depois impunha-se uma política de minimização de preços sujeita a uma política razoável investimentos.

Só que isto não é necessário: neste momento, 10.000.000 de "cooperadores" já dominam a gestão da empresa e podem muito bem impor a dita política de preços. Bastava que existisse vontade política para rasgar meia-dúzia de contratos da mesma forma que se rasgaram os contratos dos funcionários públicos.

Só que a cegueira ideológica não deixa ...

Eng. Passos Coelho: as suas próprias palavras o condenam

Quando, antes da eleições, aqui escrevi que o Eng. Passos Coelho era a versão 2.0 beta do Eng. Sócrates - post que teve grande repercussão a nível eleitoral -, não pensei que estas semelhanças se estendessem à "forma de fazer política".

Mas, lendo as declarações do Eng. Passos Coelho enquanto candidato a 1.º (que uma boa alma fez o favor de recolher), percebe-se que os dois são animais da mesma espécie (já não digo do mesmo género).

Uma matrioshka de crises

Num dos primeiros níveis encontra-se "a crise" financeira e económica provocada pelo boom de crédito, pelo amor ao dinheiro de bancos e consumidores e pela irresponsabilidade criminosa do Eng. Sócrates.

Mas, para além disto, temos o reabalaceamento global descrito neste paper do FMI.

Curiosamente, os efeitos destas crises reforçam-se mutuamente.

Consequências: o fim do euro como o conhecemos, default, queda de 30% a 40% dos rendimentos em termos reais (mas o valor dos créditos à habitação mantem-se …), o ressurgir dos EUA.

23.10.11

Redistribuição de rendimentos

Todos os que vivem à custa do orçamento são parasitas.

Todos os parasitas são iguais.

Mas há parasitas que são mais parasitas do que os outros:

  • 14/07/2011:
    "Pedro Passos Coelho anunciou esta tarde, no Parlamento, que o Governo vai extinguir 162 entidades da administração central, medida que permitirá uma poupança anual de cerca de 100 milhões de euros".
  • 23/10/2011:
    "100 milhões pagam pareceres e estudos. Orçamento no Governo de Passos é maior do que no de Sócrates".
Consultores, sociedades de advogados, tudo gente muito produtiva e que gera grande valor acrescentado vendendo os seus serviços no mercado livre.

21.10.11

20.10.11

Os trabalhadores do Estado que não têm um emprego garantido ...

.. tais como:

  • os funcionários das empresas do sector empresarial do Estado;
  • os funcionários da Administração Indirecta do Estado (Institutos, ...) que têm um contrato individual de trabalho;
  • os funcionários públicos que foram recrutados nos últimos anos e que já não têm um "contrato administrativo de provimento";
  • os funcionários que estão a recibos verdes,

também vão perder os subsídios de férias e de Natal ?

Este Ministro - apesar de ter passado a vida na função pública-, tem, afinal, perfil de precário inflexível. (Eu gostava tanto dele).

19.10.11

Age-old ‘distributism’ gains new traction (The Washington Post)



"Can an Anglican theologian from Britain revive an 80-year-old Catholic social justice theory and provide a solution to America’s economic woes and political polarization?

Philosopher and political thinker Phillip Blond thinks so, and he’s giving it everything he’s got.
 
Blond, who has been a counselor to British Prime Minister David Cameron, just wrapped up a two-week U.S. tour to pitch his retooled version of “distributism,” a theory that argues that both capitalism and government are out of control.

In that sense, the thinking goes, both Occupy Wall Street and the Tea Party are right.

“What we are creating in our society is a new model of serfdom,” Blond declared Friday (Oct. 14) in a lecture at New York University. “The rhetoric of free markets has not produced free markets; it has produced closed markets,” and the nation’s “social capital” is declining, leaving behind isolated individuals and fractured families who must depend on Washington for support.

With a flurry of charts, Blond graphically demonstrated the breakdown of both social norms and the family unit — and the growth of government to address those ills — as well as the dominance of corporations and the rich in the current economy.

It’s a result of an “oscillation between extreme collectivism and extreme individualism,” Blond argued. Both are manifestations of the same impulse: a concentration of power first in the state and then in the markets. And both those liberal and conservative “orthodoxies” have led to the same society-destroying outcome.

Or, as he put it more bluntly, libertarianism on both the left and the right “produced an economy where people thought you could screw each other and everybody would get rich.

“Occupy Wall Street and the Tea Party are essentially different expressions of the same phenomenon,” Blond said. Both are angry at the concentration of power, but both are on rocky ground when they demand salvation from either the gods of the market or government.

Distributism, Blond argues, calls for going smaller and more local in search of solutions (music to the ears of classic conservatives) while leaving the central government to build the infrastructure and guarantee basics like education and health care (ideas that would warm any bleeding heart).

Little wonder that Blond has adopted the moniker of a “Red Tory,” or what Americans might call the “Red Right,” or perhaps “Tea Party Socialism.”

Indeed, distributism has always been something of an oddity.

The idea originated in England in the 1920s with the deeply Catholic writers G.K. Chesterton and Hilaire Belloc, who founded the Catholic Distributist League to advance theories inspired by Pope Leo XIII’s landmark 1891 social justice encyclical, Rerum Novarum, which challenged the emerging problems of the industrial age.

The concern that both capitalism and communism were huge, dehumanizing forces gained some currency in the Great Depression. Its supporters, however, were often regarded as quirky or outright cranks, and were criticized as gentry who “drove down in their motorcars to discuss the abolition of machinery.”

18.10.11

NOURIEL ROUBINI: A instabilidade da desigualdade

"O fraco crescimento dos rendimentos em todos os segmentos, menos para os ricos, ao longo das últimas décadas, abriu um fosso entre os recursos financeiros e as aspirações de consumo. Nos países anglo-saxónicos, a resposta foi democratizar o crédito - através da liberalização financeira -, o que aumentou a dívida privada à medida que as famílias obtinham empréstimos para compensarem a lacuna entre o que podiam comprar com os seus rendimentos e o que queriam consumir. Na Europa, a lacuna foi colmatada através de serviços públicos - educação gratuita, cuidados de saúde gratuitos, etc. - que não foram suficientemente financiados por meio dos impostos, o que alimentou os défices públicos e a dívida. Em ambos os casos, os níveis de endividamento acabaram por se tornar insustentáveis".

17.10.11

Pedro Passos Coelho -- a latter day Marques de Pombal.

"Stephane Deo from UBS said Greece might have to "repudiate its debt entirely" with a 100pc haircut for banks to give itself enough oxygen to breathe again. This would be an earthquake.

No sane investor believes this will stop with Greece. Portugal is in much the same trouble, despite the heroic austerity drive of premier Pedro Passos Coelho -- a latter day Marques de Pombal. The country’s total debt will top 360pc of GDP next year, and its current account deficit is stuck near 10pc of GDP. This mix is worse than in Greece. It is untenable".

Ambrose Evan-Pritchard, Daily Telegraph, 16 Oct 2011

Lido no mais famoso artigo do boletim económico do banco de portugal de sempre ...

  • A percentagem de trabalhadores do sector público com formação ao nível de ensino superior em 2005: 47,9%. No sector privado: 10,6% (Quadro A2, p. 83).

  • "... nesta análise [prémio salarial para trabalhadores licenciados por profissão] foram consideradas apenas as remunerações regulares, sendo de esperar que compensações em espécie e outros benefícios tenham particular relevância no sector privado" (p. 76).

  • "O resultado mais saliente que se retira do quadro é o elevado nível do prémio, na média, associado às profissões em que o sector público é o principal empregador, contrastando com uma penalização para as profissões em que o emprego é repartido pelos dois sectores.

    Esta última penalização é particularmente acentuada para as ocupações mais procuradas no sector privado, como é o caso dos engenheiros, especialistas informática e economistas...

    O elevado nível do prémio calculado para as profissões predominantemente públicas [médicos, enfermeiros, professores universitários e professores do ensino básico e secundário] pode ser um indicador de que as mesmas não são totalmente comparáveis entre os dois sectores. ... No entanto, os salários relativamente mais elevados nestas ocupações deverão reflectir igualmente o considerável poder negocial dos respectivos trabalhadores, decorrentente da importância social das funções que desempenham e do papel dos sindicatos. De facto, todas as ocupações neste grupo têm regimes específicos e tabelas salariais distintas da aplicável ao regime geral" (pp. 75-76).



O meu comentário: O licenciado em engenharia, informática, direito ou economia ganha menos no sector público, e isto sem contar com os fringe benefits que existem no sector privado e não existem no sector público (e sem contar com "rendimentos não declarados" no sector privado).

Esta leitura do documento está mais de acordo com a experiência concreta daqueles que, tendo colegas de curso no sector privado e no sector público, verificam que quem trabalha no sector privado tem um nível de vida superior (casas, carros, férias, escolas dos filhos, desportos praticados, telemóveis e gadjets variados, roupas, etc...).

13.10.11

Governo quer cortar com feriados e pontes

O aumento do tempo de trabalho aumenta a produtividade ?

Nããããã sei. Depende. As regras de três simples que por aí aparecem em artigos de jornais com o estatuto de investigação ciêntífica estão ao nível da astrologia, do marxismo e do libertarianism (!).

O que eu sei é que existem várias opções para aumentar o tempo de trabalho. Por exemplo: diminuir as férias, aumentar o tempo de trabalho, diminuir os feriados civis, etc..., etc..., e também eliminar os feriados religiosos.

Entre as várias opções disponíveis existe uma que, nas palavras do Arcebispo de Moscovo, tem "como fim principal precisamente este: o de remover no povo a memória, a recordação viva da própria história, e especialmente quanto desta história está ligada à dimensão religiosa... [que]  o poder deste mundo odeia ... É na memória da ligação ao Absoluto, ao Mistério de Deus, que reside  ultimamente a raiz da liberdade dos homens em relação a qualquer poder mundano, e por isso mesmo é esta ligação que o poder deste mundo tem interesse em cortar arrancando-o das consciências".

Eu não votei nos que lá estão agora e até andei a apregoar que eles eram um bocado anti-católicos. Portanto, lavo daqui os meus pés.

Alexandrina Maria da Costa (1904-1955)

12.10.11

Como evitar uma depressão

Um texto interessante de Nouriel Roubini.

Entre os praticantes da "teoria" económica existem previsões muito diversas sobre o futuro próximo: uns consideram que estamos perante um cenário de depressão deflacionista; outros perspectivam um logo período de estagflação ou talvez hiperinflação.

Os remédios para a crise são também  variados: políticas expansionistas ou não, antes pelo contrário, é preciso é reduzir o déficit e manter o valor da moeda.

 Eu só estudei economia durante 13 anos e portanto não percebo nada deste assunto. No entanto, parece-me que Roubini estará mais próximo de acertar no diagnóstico e na terapêutica.

WARNING: A leitura deste texto pode provocar depressões.

9.10.11

Parabéns ao Alberto João Jardim...

... que venceu contra tudo e contra todos. Estas são as vitórias mais saborosas.

O Xico Louçã também conseguiu um resultado histórico (aliás, já são 3 resultados históricos seguidos). É urgente que o bloco de extrema esquerda faça uma coligação eleitoral com o Partido dos Animais, tendo em conta que partilham o mesmo eleitorado... Eu ia falar de canibalização, mas neste caso não sei se o termo é aplicável.

A visita do Tó Zé Seguro ao arquipélago também foi um sucesso, ultrapassando claramente os resultados da NÃO visita do Eng. Passos Coelho. Os candidatos do PS-PSD devem retirar daqui algumas conclusões.

Com esta nova vitória do PSD-Madeira começa a ser provável que o Público - o jornal "de referência" com o menor número de leitores de sempre - conheça ao o seu fim antes da reforma do Alberto João.

"Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos" (Mt 28, 20)

"The Defense Advanced Research Projects Agency (DARPA) is known for its ambitious timetables. But even the mad scientists there expect that just building humankind's first ride to the stars will take 100 years. Although actually traveling to the stars remains a faraway dream, the experts at the DARPA-sponsored 100 Year Starship Symposium this past weekend [1-2 October] in Orlando reached something close to a consensus on how to get started, and what it will take to realize their vision.

Top engineers, physicists, and even science fiction writers put their heads together in what physicist and conference track chair James Benford called the "finest, widest, deepest coverage of starships that has yet occurred." The 205 papers submitted (of which about 40 were presented), explored propulsion possibilities, extraterrestrial habitats, the ethical implications of scattering humankind's progeny through the cosmos and more. The result: a step-by-step roadmap for settling the galaxy.

... For such a sustained, expensive effort, we'll need more than the efforts of a beleaguered space agency like NASA, or even a larger bureaucracy such the Department of Defense. It's got to be an organization with extreme longevity and massive fundraising power. Interestingly, when trying to come up with an example of such a group after which to model a starship organization, conference-goer James Schalkwyk, a graduate student at the University of Cape Town, could think of only one in modern history: the Catholic Church."
Fonte: Popular Mechanics