21.9.12

O aumento da poupança precaucionária é culpa do Passos Coelho

No início do ano publiquei aqui alguns excertos de um working paper do FMI - Precautionary Savings in the Great Recession -, sobre o tema da "poupança precaucionária".


Citei os seguintes dois resultados:


  • Heightened uncertainty since the onset of the Great Recession has materially increased saving rates, contributing to lower consumption and GDP growth. ... for a panel of advanced economies that greater labor income uncertainty is significantly associated with higher household savings. ...

  • ... The implication is that saving rates will continue to be maintained, or even raised during spikes in uncertainty. This complicates the process of economic recovery. Higher uncertainty and lower growth can become a “bad” equilibrium. The challenge for policymakers is that as they go about their task of renewing global growth, they must also pay particular attention to the consistency of their statements, especially to establish the credibility of their actions. As of this writing, the signs in this regard are not propitious.

A conclusão do post era esta: AS "reformas" nas áreas laboral, da saúde, da segurança social, da educação e o próprio "discurso" do governo reforçam a insegurança e contribuem para a manutenção do "bad equilibrium" de que fala este paper: elevada incerteza, reduzido consumo, baixo crescimento. Infelizmente, e como também refere este paper do FMI, não parece que o governo esteja a perceber o que está a acontecer. 2012 ? LCOL (Crying Out Loud).

Nada de novo.

O que é absolutamente novo é a declaração do Eng. Passos Coelho sobre este tema numa recente entrevista telervisiva. O 1.º Ministro culpou os cidadãos pelo agravar da crise porque, aparentemente, eles pouparam mais do que deviam.

É falso.

A culpa é do governo que tem feito todos os possívels para - através das suas declarações - agravar a instabilidade, a incerteza, a insegurança sobre os rendimentos do trabalho.

Uma prova recente: Na sequência do anúncio sobre a TSU, "Nova vaga de austeridade deixa carros no stand e abranda venda de casas".

Ou seja, vamos continuar neste "bad equilibrium": elevada incerteza, reduzido consumo, baixo crescimento.

Sem comentários: