2.10.12

Esperança e amanhãs que cantam (em alemão)

Na muito elogiada intervenção da Secretária de Estado do Tesouro - pronunciou a palavra esperança e falou de amanhãs que cantam (em língua alemã) -, existem várias outras informações interessantes:
"[a secretária de Estado do Tesouro disse que se Portugal deixasse de cumprir o programa da troika, tal conduziria a uma interrupção súbita do financiamento externo ... Maria Luís Albuquerque acrescentou ainda que a revisão das metas do défice pela troika não significa «mais financiamento nem um segundo programa», sublinhando que o fim do financiamento resultaria no «colapso» do Estado.]

«As contas públicas ficariam instantaneamente equilibradas, pela pura impossibilidade de gastar mais do que se tem, mas à custa do não pagamento de pensões e salários e do provável colapso da estrutura da administração pública».

«Teríamos um retrocesso de décadas no bem-estar das pessoas, com uma estrutura social com muito menos apoio, nomeadamente ao nível familiar, que aquela que nos caracterizou no passado».
Uma primeira observação interessante é esta: em caso de incumprimento do memorando da troika, não existirá 2.º resgate, nem 2.º programa - diz ela.

Mas a Grécia já teve direito a vários resgates, restruturação da dívida à bruta e sucessivos adiamentos de prazos. A Espanha que já teve um primeiro resgate escondido (100 mil milhões para a banca, muito mais do que Portugal irá receber), e adiamento de prazos para cumprimento de déficits, prepara agora um 2.º resgate efectivo. Portugal também já teve uns incumprimentozitos e foi-lhe concedido mais um aninho para cumprir os objectivos.

O que é que mudou ? E não era suposto a Alemanha por a mão por baixo se nós fossesmos bons alunos ? Se calhar, não. Talvez a conversa captada entre ministros das finança de Portugal e da Alemanha pela câmaras da TVI fosse um encenação. Ou talvez Portugal seja demasiado pequeno para perturbar os bolsos dos nossos credores e, portanto, pode-se deixar cair.

Mas o mais interessante vem a seguir.

A interrupção do financiamento implica o equílibro orçamental, diz ela, à custa de não pagamento de salários e pensões. Isto é interessante porque a Secretária de Estado não cita o não pagamento da dívida. Ou seja, aparentemente, deixava de se pagar salários e pensões, mas os juros e o capital da dívida (e os dinheiros das PPP) continuavam a ser pagos.

Isto é uma hipótese de ficção científica. A interrupção do financiamento implica o não pagamento de juros e dívida e esta é, se calhar, a única razão pela qual teremos 2.º resgate, 2.º memorando, 3.º resgate, ...

MAIS: A interrupção do financiamento implica também sair do Euro.

Ora isso teria de facto um impacto significativo no bem-estar das pessoas, mas a alternativa não parece melhor, e a saída do euro permitiria começar a ver a esperança ao fundo do túnel.

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