"Pode-se dizer que a alegria é o estado de satisfação motivado pela posse dum
bem...
Mas entre todos os bens
existentes, o mais valioso é o amor, amar e ser amado; e por isso o amor é o bem
que produz a maior e mais genuína alegria.
E entre todos os tipos e categorias
de amor, o mais poderoso, estável e fiel, origem de todo outro amor, é o amor de
Deus. Deus ama-nos sempre, não porque sejamos bons, mas porque Ele é
bom.
Saber que Deus é nosso Pai, e que nos
ama infinitamente e sempre, apesar das nossas fragilidades, é a origem da
alegria cristã. ... Nosso Senhor promete
que “ninguém vos tirará a vossa alegria” (Jo. 16, 22). ... Assim todas as coisas e acontecimentos, contempladas à luz desse
amor são ocasião de alegria. As boas porque são consequência da graça de Deus, e
as más porque são ocasião para Deus exercer o seu Amor
misericordioso.
Convêm ter presente que a alegria
cristã não consiste só em estar na graça de Deus e saber que Deus nos ama.
Forma
parte da alegria um certo exercício prático da memoria; porque podemos esquecer
ou não ter presença actual dos imensos motivos que temos para estar alegres.
Devemos considerar frequentemente que Deus é nosso Pai misericordioso que nos
ama sempre, que temos Nosso Senhor a nossa espera no sacrário, que fomos
redimidos e baptizados, que contamos com o sacramento do perdão que é sacramento
da alegria, que Nossa Senhora é a nossa Mãe e nunca se afasta de nos, que temos
um anjo da guarda que nos serve e acompanha, etc. Considerar uma só de estas
verdades seria suficiente para causar uma alegria abundantíssima; todas juntas
constituem um foco de alegria que não admite a menor sombra de
tristeza.
O Beato João Paulo II comentando a saudação de Nossa Senhora à sua prima Isabel
dizia: ...
Quantas vezes a escuridão do isolamento, que oprime uma alma, pode ser dissipada
pelo raio luminoso de um sorriso e de uma palavra gentil!
Uma boa palavra diz-se rapidamente;
não obstante, muitas vezes torna-se-nos difícil pronunciá-la. Detém-nos o
cansaço, distraem-nos as preocupações, paralisa-nos um sentimento de frieza ou
de egoística indiferença. Assim, acontece que passamos ao lado de pessoas que
conhecemos, sem lhes olhar para o rosto e sem nos darmos conta que muitas vezes
elas estão a sofrer aquela subtil, desgastante pena devida a sentirem-se
ignoradas. Bastaria uma palavra cordial, um gesto afectuoso e logo alguma coisa
despertaria nelas: um sinal de atenção e de cortesia pode ser um sopro de ar
fresco no íntimo de uma existência, oprimida pela tristeza e pelo desalento. A
saudação de Maria encheu de alegria o coração da sua idosa prima
Isabel”(homilia, 11-II-1981). O cristão está chamado a encher de alegria, da
alegria que leva no seu coração, a alma de todas as pessoas que encontra no
caminho da vida. O anúncio do Evangelho, é uma comunicação jubilosa. Assim o
fizeram os anjos, os “anunciadores”, desde o seu início: “Alegra-Te, Cheia de
graça” (Lc.1,28) e “vos anuncio uma boa nova que será grande alegria para todo o
povo” (Lc.2,10).
Por isso S. Josemaria quando explica
em que consiste a missão apostólica a que todos os cristãos estamos chamados
diz: “O apostolado cristão não é um programa político, nem uma alternativa
cultural: significa a difusão do bem, o contágio do desejo de amar, uma
sementeira concreta de paz e de alegria.” (Cristo que passa, nº124)."
[Fonte]




