31.5.12

Alegria


"Pode-se dizer que a alegria é o estado de satisfação motivado pela posse dum bem...

Mas entre todos os bens existentes, o mais valioso é o amor, amar e ser amado; e por isso o amor é o bem que produz a maior e mais genuína alegria. 

E entre todos os tipos e categorias de amor, o mais poderoso, estável e fiel, origem de todo outro amor, é o amor de Deus. Deus ama-nos sempre, não porque sejamos bons, mas porque Ele é bom.

Saber que Deus é nosso Pai, e que nos ama infinitamente e sempre, apesar das nossas fragilidades, é a origem da alegria cristã. ... Nosso Senhor promete que “ninguém vos tirará a vossa alegria” (Jo. 16, 22). ... Assim todas as coisas e acontecimentos, contempladas à luz desse amor são ocasião de alegria. As boas porque são consequência da graça de Deus, e as más porque são ocasião para Deus exercer o seu Amor misericordioso.

...Também os cristãos, como Maria, levamos Cristo em nos, e somos, por tanto, portadores da fonte da alegria. Se alguma vez perdermos, por desgraça, essa presença, deveremos recupera-la, quanto antes, por meio da confissão.
 
Convêm ter presente que a alegria cristã não consiste só em estar na graça de Deus e saber que Deus nos ama. 

 Forma parte da alegria um certo exercício prático da memoria; porque podemos esquecer ou não ter presença actual dos imensos motivos que temos para estar alegres. Devemos considerar frequentemente que Deus é nosso Pai misericordioso que nos ama sempre, que temos Nosso Senhor a nossa espera no sacrário, que fomos redimidos e baptizados, que contamos com o sacramento do perdão que é sacramento da alegria, que Nossa Senhora é a nossa Mãe e nunca se afasta de nos, que temos um anjo da guarda que nos serve e acompanha, etc. Considerar uma só de estas verdades seria suficiente para causar uma alegria abundantíssima; todas juntas constituem um foco de alegria que não admite a menor sombra de tristeza.

 O Beato João Paulo II comentando a saudação de Nossa Senhora à sua prima Isabel dizia: ... Quantas vezes a escuridão do isolamento, que oprime uma alma, pode ser dissipada pelo raio luminoso de um sorriso e de uma palavra gentil!

Uma boa palavra diz-se rapidamente; não obstante, muitas vezes torna-se-nos difícil pronunciá-la. Detém-nos o cansaço, distraem-nos as preocupações, paralisa-nos um sentimento de frieza ou de egoística indiferença. Assim, acontece que passamos ao lado de pessoas que conhecemos, sem lhes olhar para o rosto e sem nos darmos conta que muitas vezes elas estão a sofrer aquela subtil, desgastante pena devida a sentirem-se ignoradas. Bastaria uma palavra cordial, um gesto afectuoso e logo alguma coisa despertaria nelas: um sinal de atenção e de cortesia pode ser um sopro de ar fresco no íntimo de uma existência, oprimida pela tristeza e pelo desalento. A saudação de Maria encheu de alegria o coração da sua idosa prima Isabel”(homilia, 11-II-1981). O cristão está chamado a encher de alegria, da alegria que leva no seu coração, a alma de todas as pessoas que encontra no caminho da vida. O anúncio do Evangelho, é uma comunicação jubilosa. Assim o fizeram os anjos, os “anunciadores”, desde o seu início: “Alegra-Te, Cheia de graça” (Lc.1,28) e “vos anuncio uma boa nova que será grande alegria para todo o povo” (Lc.2,10).

Por isso S. Josemaria quando explica em que consiste a missão apostólica a que todos os cristãos estamos chamados diz: “O apostolado cristão não é um programa político, nem uma alternativa cultural: significa a difusão do bem, o contágio do desejo de amar, uma sementeira concreta de paz e de alegria.” (Cristo que passa, nº124)."

[Fonte]

30.5.12

Graça Franco: O governo é "forte com os fracos e fraco com os fortes"

"... um contrato negociado de má fé por uma das partes e/ou negligência danosa por outra, com cláusulas despropositadamente lesivas do interesse nacional e que permite rendibilidades usurárias tem obviamente ferida a respectiva legitimidade e não pode arrogar-se os direitos de um outro qualquer contrato.

Ontem, na Assembleia da República, o professor Avelino de Jesus veio mais uma vez alertar para a bomba relógio escondida nestas [PPP] com encargos futuros a subir em exponencial.

A “troika” não só impôs a sua revisão como ofereceu apoio técnico estrangeiro para ajudar o Governo a fazer face aos poderosos “lobbies” de advogados contratados por privados...

Os funcionários públicos também tinham direito aos salários acordados e os pensionistas às respectivas reformas. O Governo ... não pode continuar forte com os fracos e fraco com os fortes.

Isso pode preservar a confiança externa mas destrói a confiança interna. E sem ela não há coesão nacional que resista."

[aqui]

22.5.12

[CONFERÊNCIA] Teologia do Corpo: Uma introdução e aplicação na doutrina moral da Igreja Católica

Realizou-se ontem, na sala de exposições da Biblioteca João Paulo II da Universidade Católica, uma conferência sobre a Teologia do Corpo.

O orador - Peter Colosi -, foi professor na Franciscan University of Steubenville (a universidade onde trabalha Scott Hahn), ensina  actualmente num seminário da pensilvânia e é um dos principais dinamizadores dos Thelogy of the body international symposia.

O próximo ToB International Symposium realizar-se-á em 2013 em Fátima, razão pela qual o Prof. Colosi se deslocou a Portugal.

Aproveitando esta oportunidade, a comissão organizadora (?) do simpósio com a colaboração da faculdade de teologia da UCP decidiu, em boa hora, organizar esta conferência.

Como começa a ser habitual neste género de iniciativas, a sala foi demasiado pequena para acolher todos os interessados (estariam 90 pessoas ?, 100 ?). Apesar do reforço de cadeiras, o chão foi rapidamente ocupado pelos participantes mais atrasado (e mais ágeis).

Entre a audiência, maioritariamente jovem, encontravam-se vários Sacerdotes - de clergyman -, alunos da faculdade de teologia, alguns frequentadores do Oratório  e muitos outros que não conheço (!). Antes do início da conferência podia observar-se o Pe.Serras Pereira à civil, muito atarefado, registando aqueles momentos para a posteridade

A sessão iniciou-se 10 minutos depois da hora marcada (18H30) devido ao esforço de acomodar os retardatários.

O Prof. João Lourenço, da Faculdade de Teologia, deu as boas-vindas aos presentes, parecendo genuinamente surpreendido com a adesão a esta iniciativa "num dia de semana, ao final do dia". De seguida, a Julie apresentou o conferencista e depois começou a palestra proper.

Há pessoas que tem jeito para falar em público; outras têm muita experiência; outras ainda compensam eventuais dificuldades de comunicação com o conhecimento e paixão com que falam do tema. O Prof. Colosi reúne estas 3 características e prendeu a atenção da audiência durante 1 hora e meia. Durante todo o tempo da conferência apenas dei por duas pessoas - mais velhas - se terem retirado. [Continuo no entanto a preferir a conferência de Christopher West  realizada também na UCP há uns anitos sobre o mesmo tema].

Não será necessário sintetizar esta conferência porque o vídeo da mesma já está disponível no Youtube, graças aos bons ofícios da Infovitae (ver abaixo).

Basta apenas referir que o Prof. Colosi propôs a Teologia do Corpo como meio para melhor entender a doutrina da Igreja sobre as questões da vida, do casamento, da família, da procriação e da sexualidade. Não deixou o orador de sublinhar que estas doutrinas - longe de serem uma canga ou um fardo - são caminho de felicidade. [E neste ponto posso eu corroborar as palavras do conferencista]. As alternativas - porque fomentam o egoísmo e uma visão do outro como meio para atingir um fim - levam a muitos dos males sociais e familiares que hoje infestam as nossas comunidades e as nossas famílias.

A não perder já na fase de perguntas e respostas o momento em que uma das participantes depois de descrever a sua experiência num tribunal eclesiástico e a ignorância dos "católicos praticantes" sobre a doutrina relativa ao casamento, à procriação e à sexualidade, apela à faculdade de teologia para que esta ensine estas doutrinas aos seminaristas ! (seguiu-se uma ovação do público presente).
  



O programa da sessão que de vez em quando é mencionado na apresentação é este:

19.5.12

A request from the Bishops of Angola for a greater attention to the poor in a very rich country (Agência Fides)

Miguel Portas: as consequências políticas da luxúria


Porque é que um comunista confesso,  defensor e promotor das principais leis contra-natura existentes em Portugal é tão celebrado nos media ?

Em primeiro lugar, porque morreu; em segundo lugar, porque os jornalistas são também comunistas e defensores do aborto e da sodomia.

Para além das suas posições políticas, parece que o Miguel Portas era também uma boa companhia: divertido, amigo do seu amigo, etc…, que é quase como quem diz “o Mussolini fazia os comboios chegar a horas”.

Foram estes sentimentos - não necessariamente muito cristãos - que me assaltaram após a morte e “canonização” mediática do Miguel Portas.

Entretanto, a Visão (03/05/2012) publicou um texto da autoria do próprio Portas escrito a propósito dos seus 50 anos - o novo "beato" deu-lhe o título de "balanço de meia estrada". Após ter lido este texto não sinto já a revolta inicial; antes sinto compaixão.


Perdido e achado no templo aos 12 anos, perdido entre as páginas da Playboy aos 13

Com 12 anos a Mãe decide ir à praia num Domingo. Miguel foge de casa para ir à Missa:
... fugi de casa aos12 anos para ir à Missa deixando-lhe um bilhete. Ela jura que lá estava escrito "entre Deus e a Mãe, escolho Deus"...
Este futuro "missionário" (é a palavra que ele usa para descrever a sua vocação), foi, no entanto, vítima da sua família que, nas suas pŕoprias palavras, "não é normal". Um dos seus padrastos, administrador de umas das 7 irmãs dos petróleos:
... tinha uma impecável biblioteca. Literatura erótica de um lado... Servi-me [dela] um pouco cedo demais ...
O Doutor Angélico explica que um dos efeitos da luxúria é o "ódio de Deus". O Pai do Céu proíbe o prazer desejado ? Mate-se o Pai. Miguel Portas deixou de acreditar em Deus com 13 anos, vítima da pornografia. Fugiu do único Médico que o poderia curar.



O comunista ateu


O citado S. Tomás de Aquino ensina também que outro dos efeitos da luxúria é o "desespero do mundo que há-de vir"; os prazeres carnais criam uma aversão aos prazeres espirituais.

O ateu Portas poderia então ter descoberto a náusea e as portas fechadas sartrianas e seguir por caminhos obscuros e desesperados. Mas não. Foi salvo pelo "falso misticismo" do comunismo.

Do outro lado da biblioteca do seu padrasto - um verdeiro "banqueiro anarquista", Portas encontrou:
... literatura... marxista, rigorosamente encadernada... pelos meus 13 ou 14 anos tinha trocado tudo. O cristianismo pelo comunismo e a família pelo partido... Transitei do cristianismo para o comunismo porque queria mudar o mundo e acreditava na humanidade ... substitui Deus pela classe operária ...

E substituiu o Céu por aquilo que o Papa Pio XI na Encíclica Divini Redemptoris sobre o comunismo ateu descreve do seguinte modo:
... uma coletividade, sem outra hierarquia mais do que a derivada do sistema econômico. Teria por missão única a produção de riqueza por meio do trabalho coletivo, e único fim o gozo dos bens da terra num paraíso ameníssimo de delícias ...



É a fé neste"paraíso [terreno] ameníssimo de delícias" que salvou Miguel Portas.

Mas trata-se de um "falso ideal" uma "impostura ... que ... pretende realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela, através do juízo escatológico... [uma] falsificação do Reino futuro... sob a forma política dum messianismo secularizado, «intrinsecamente perverso»".

Foi sol enganador.

Portas apercebe-se vagamente do embuste:
... na universidade a minha crença nas massas foi abalada. Um certo dia, percebi que as assembleias não votavam argumentos, votavam interesses ... foi uma descoberta dolorosa ... pelos 25 anos deixei , finalmente, de ser crente ...
O comunista "new age"

Depois de algumas décadas de marxismo, partido e revolução, Miguel já não acredita no comunismo, mas continua comunista (!):
... O comunismo ainda cá mora...
Contradição. A luxúria afecta o entedimento - é a "cegueira da mente" de que fala S. Tomás.

É certo que o comunismo do Miguel é já uma forma "new age" da " [com] certificado científico" que atraiu o jovem candidato a missionário: um vago e distorcido ideal de justiça, de igualdade, de fraternidade, de esperança num futuro melhor:
... tenho-me dedicado ... a dar esperança a uma pequena multidão de almas que a vida tem expropriado de promessa ...sinto-me ... útil ...observando as eleições palestinianas, denunciando o que vi no centro de detenção de imigrantes de Lampedusa, ou dando o rosto pela pela voz de trabalhadores portugueses explorados na Holanda ...
Derrotado a revolução resta-lhe a política. Mas o pobre Miguel transforma-se num político frustrado. Depressa percebeu que:
 ... tão difícil é um rico entrar no reino de Deus, como um político decidir em função do que está certo ou errado e justo ou injusto, e não do que garanta a sua posição no sistema...
 E, no entanto, o Miguel não desiste.

Mas porquê ? Qual é o fundamento do "justo" e do "injusto" do "certo" e do "errado" do "escrever direito" "por linhas direitas" ? Qual é a razão da esperança do Miguel ? O Miguel continua a querer "mudar o mundo", porquê ?
... Suspeito que pela pior das razões - o egoísmo . Quando chegar ao fim dos dias, quero olhar para trás e dizer, ok, ... no conjunto valeu a pena, fui um tipo decente, que procurou fazer pelos outros mais do que por si próprio.
Estranha forma de egoísmo que é, afinal, altruismo. Outra contradição.

Porque razão é melhor fazer mais pelos outros, Miguel ? [ouvem-se os grilos na noite]

Dialéctica espiritual: entre o apelo interior do Homem religioso e as consequências espirituais da luxúria

No mais íntimo do seu ser o Miguel anseia por justiça, igualdade, fraternidade, comunhão, um mundo melhor. Esses anseios não são egoístas ou sujectivos. Fazem parte de Ser Homem criado à imagem de Deus. São universais. Estão presentes no coração de todos os homens

Mas, simultaneamente, a experiência da sua vida diz-lhe que a humanidade, que ele tanto venera, não conseguirá realizar esses ideais neste mundo pelos seus próprios meios. 

Portas provou a existência do novo Mundo que Há-de vir - os novos céus e a nova terra onde Deus será tudo em todos e no qual todas as aspirações mais nobres do Homem serão completamente satisfeitas. Tal como Colombo, Portas nunca percebeu onde tinha chegado. Já sabemos qual é a razão deste "cegueira".

Existia ainda uma oportunidade para Portas.

" ... [A] renovação do mundo já está irrevogavelmente adquirida e, de certo modo, encontra-se já realmente antecipada neste tempo: com efeito, ainda aqui na Terra, a Igreja está aureolada de uma verdadeira, embora imperfeita, santidade". Portas dá-se conta deste facto:
... Deus não existirá, mas em nome Dele muitos continuam a escrever direito por linhas tortas ...
Mas, neste caso, se, com o barulho das luzes, a Santidade da Igreja ficou obscurecida, a culpa não foi dele. Mea culpa.

Esperança

Ter-se-á convertido às portas da morte ? Terá o Pai visto este filho, lá longe, ensaindo o seu "pequei contra ti e contra Deus" ? Terá recordado o menino que fugiu de casa para estar com Ele ("porque muito amou muito lhe será perdoado")? Será que alguma boa alma lhe levou os Sacramentos à cama do hospital de Antuérpia ? 

(Ainda) Não sabemos.


Entre todas as celebrações ateias e pagãs que se seguiram à sua morte, parece que alguém mandou celebrar uma Missa pela sua alma.


Faço minha oração a intenção dessa Missa.

Descanse em Paz, Amen.


Moral da história

Quanto a si caro e eventual leitor, veja bem a diferença que uma boa confissão pode fazer na vida de uma pessoa ! 

Até por que, às vezes, a "meia-estrada" transforma-se em destino final.

13.5.12

Bento XVI: "go beyond materialistic ideologies that often mark our age and end up clouding our sense of solidarity and charity"

Bento XVI, 13/05/2012:
"Since the remotest times, attention to others has moved the Church to show concrete signs of solidarity with those in need, sharing resources, promoting simpler lifestyles, going against an ephemeral culture which has disappointed many and determined a profound spiritual crisis. May this Diocesan Church, enriched by the shining witness of St Francis of Assisi, continue to be caring and attentive towards those in need, and may it teach how to go beyond purely materialistic ideologies that often mark our age and end up clouding our sense of solidarity and charity."

Escutismo católico: Santo Padre reconhe virtudes heróicas do fundador - Pe. Jacques Sévin

No passado dia 10 de Maio, o Santo Padre reconheu as virtudes heróicas do Pe. Jacques Sévin, fundador do escutismo católico. É primeiro passo no caminho da sua elevação aos altares:
"The Holy Father today received in audience Cardinal Angelo Amato S.D.B., prefect of the Congregation for the Causes of Saints. During the audience he ... authorised the promulgation of decrees concerning the ... [heroic virtues of] ... Servant of God Jacques Sevin, French professed priest of the Society of Jesus (Jesuits) and founder of the Catholic Scouts of France and of the Congregation of the Sisters of the Holy Cross of Jerusalem (1882-1951)"
 Sobre o Pe. Sévin, Baden-Powell o (protestante) fundador do escutismo afirmou: Ele fez a melhor realização das minhas próprias ideias.”


O seu livro -"Escutismo"- foi recentemente publicado pelas Paulinas com a colaboração da Região de Setúbal do CNE. Esta mesma Região do CNE distribuiu recentemente pagelas com uma oração (com aprovação eclesiástica) pedindo a elevação aos altares deste sacerdote.


À volta do Pe. Sévin e da Associação dos Escuteiros de França nasceu um verdadeiro movimento, "um caminho de santidade", construído à volta do imaginário e da mística da cavalaria medieval. Este movimento teve também uma expressão cultural e artística.  

Foi aliás por causa dos excelentes romances escutas, editados em Portugal pela Verbo, e das magníficas ilustrações que os mesmos continham (da autoria de Pierre Joubert) que nasceu o meu interesse pelo escutismo (melhor dizendo, que a minha imaginação e o meu coração se incendiaram).



Infelizmente, na altura em que eu entrei para os escuteiros há muito que se tinha perdido esta inspiração inicial. Em França, esta fase do Escutismo morreu nas costas de Dunquerque (tal como o Príncipe Eric, personagem de alguns dos romances acima mencionados). Os sobreviventes encontraram-se numa sociedade em que o arco e as flechas do materialismo capitalista e comunista mataram o espírito da cavalaria escuta. "War is hell".


Nos meus anos de escuta, o escutismo, de movimento de formação da juventude, transformou-se em movimento deformado pela juventude (e não só); todas as patologias tinham lugar dentro do Agrupamento - a Igreja e a virtude eram discriminadas (ou nem isso).


Que pena ! Todas as coisas boas têm de acabar. "O Reino não se consumará, pois, por um triunfo histórico da Igreja... mas por uma vitória de Deus sobre o último desencadear do mal, que fará descer do céu a sua Esposa. A Igreja não entrará na glória do Reino senão através dessa última Páscoa, em que seguirá o Senhor na sua morte e ressurreição".


Felizmente, parece que agora se retomou a pista certa:
«Este livro é “altamente perigoso”, uma espécie de espada de dois gumes: uma fonte de bênção para quem quer viver o Escutismo à maneira de Jesus Cristo – para quem deseja um escutismo autenticamente católico – e, por outro lado, “uma pedra de tropeço” para quem não tiver altos ideais na procura da realização da vontade de Deus, para quem procura viver o Escutismo católico à sua medida, segundo os seus critérios, assentes no relativismo do nosso tempo...» (Pe. Marco Luís, do Prefácio de "Escutismo" do Pe Sévin).


Nota: A oração do escuta é da autoria do Pe. Sévin.

10.5.12

Volume de negócios dos serviços e construção atingem valores mais baixos desde 2005; exportações aumentam

A informação hoje divulgada pelo INE revela que:

  • Em Março de 2012, o Índice de Produção na Construção atingiu o seu valor mais baixo desde que o actual índice é calculado (2005). Em termos reais, a produção neste sector 41,1% inferior à verificada em 2005.

  • Na mesma data, o Índice de Volume de Negócios nos Serviços atingiu igualmente o seu valor mais baixo de sempre desde que o actual índice é calculado (2005), encontrando-se 19,2% abaixo do volume de negócios contabilizado em 2005.

  • Apesar das encomendas do exterior estarem a diminuir (ver post anterior), as exportações aumentaram em Março 8,3% face ao mesmo mês do ano anterior (11,3% em Fevereiro), "em resultado da evolução positiva tanto no comércio intracomunitário como no extracomunitário, embora com maior amplitude nas exportações para os Países Terceiros (onde se destacam os acréscimos nos Veículos e outro material de transporte, nas Máquinas e aparelhos e nos Combustíveis minerais)."

    Continua a verificar-se o interessante movimento já aqui anteriormente mencionado: "as expedições intracomunitárias aumentaram 2,8% face ao mês homólogo de 2011, principalmente devido aos acréscimos registados nos Outros produtos (nomeadamente no Ouro, incluindo o ouro platinado, em formas semimanufacturadas, para usos não monetários essencialmente para os mercados italiano e belga)... "

9.5.12

Índice de Novas Encomendas na Indústria acentua variação homóloga negativa por causa da quebra de mercado externo

"O índice de novas encomendas recebidas pela indústria portuguesa registou uma variação homóloga1 de -5,2% em março (-3,3% no mês anterior). A diminuição mais acentuada do índice total em março foi determinada pela evolução negativa do índice relativo ao mercado externo, que se reduziu 1,1% em março (aumento de 3,7% em fevereiro). O índice de novas encomendas com origem no mercado nacional diminuiu 10,2% em termos homólogos, taxa superior em 1,2 pontos percentuais à observada no mês precedente."

Fonte: INE

8.5.12

A ideologia como forma de superstição

Na sequência do anterior post sobre a conferência "Fé e superstição", ficou-me a dúvida: pode a ideologia ser uma forma de superstição ?


Uma primeira resposta resulta da Encíclica Mit Brennender Sorge sobre a Igreja e o Reich Alemão da autoria do Papa Pio XI:
"Whoever exalts race, or the people, or the State, or a particular form of State, or the depositories of power, or any other fundamental value of the human community - however necessary and honorable be their function in worldly things - whoever raises these notions above their standard value and divinizes them to an idolatrous level, distorts and perverts an order of the world planned and created by God; he is far from the true faith in God and from the concept of life which that faith upholds."

Pio XI, Mit Brennender Sorge, 14/03/1937

Sempre que a ideologia eleva algum valor fundamental da comunidade humana acima da ordem natural criada e planeada por Deus e o diviniza pratica a idolatria, que é uma forma de superstição.


Uma aplicação ao mercado

Quem, por absurdo, associasse ao mercado - por muito útil e necessário que ele seja - atributos  tais como a omnipotência, a omnisciência, a justiça, a verdade; quem pretendesse estender o império do mercado a todas as áreas da vida humana e comunitária em detrimento de outros valores; quem estivesse disposto a fazer sacrifícios humanos de de forma a apaziguar e obter benefícios da 'divindade'; quem fizesse todas estas coisas estaria a subverter a ordem natural criada por Deus e a associar a uma vertente da comunidade humana atributos que são de Deus. Estaria, portanto, a praticar a idolatria.

Mas, mais do que a idolatria, quem pretendesse transformar o mercado na "solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade" ou pretendesse, através do mercado, "realizar na história a esperança messiânica, que não pode consumar-se senão para além dela", estaria, mesmo inconscientemente e com boas intenções, a contribuir para uma "impostura religiosa ... isto é um pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado".

7.5.12

a eutanasia y el matrimonio homosexual llegarán a Francia de la mano de Hollande

"... Francois Hollande, presidente electo de Francia, es favorable al matrimonio homosexual, a la adopción por parejas formadas por personas del mismo sexo y a las «ayudas activas» para morir dignamente, lo cual abre la puerta a la eutanasia. Hollande prometió durante la campaña que propondrá un proyecto de ley «en la primavera de 2013 a más tardar» por el que se pondrán en marcha las dos primeras medidas...

... Francois Hollande explicó que cree en el liberalismo nacido del Siglo de las Luces, según el cual los individuos deben ser dueños de su vida privada, con el Estado como garante de esas libertades."

[Fonte]

É o novo pão e circo (menos o pão). Quando as coisas não correm bem na frente económica é preciso ir alimentando o povo com causas fracturantes.

É por isso que Portugal está muito mais "avançado" do que a França nestas matérias...

The evils of ‘Little Brother’ (The Washington Times)

"It’s not always true that the form of government closest to the people is best. In some cases, it can be the worst. Unchecked by sufficient legal restraints, private homeowners associations (HOAs) have a reputation for going too far when it comes to upholding unnecessary and intrusive community rules."
A areia da realidade destrói as engrenagens utópicas mais elaboradas.

6.5.12

CONFERÊNCIA: "Fé e superstição" (Pe. Duarte Sousa Lara)

Realizou-se no passado Sábado, dia 28 de Abril de 2012, no auditório do Oratório de S. Josemaria, a conferência “Fé e Superstição”. O conferencista foi o Pe. Duarte Sousa Lara.

Aqui ao lado, na barra direita deste blog, há muitos anos que figura  o endereço do site Santidade.Net do qual o Pe. Duarte Sousa Lara é webmaster. Não quis, por essa razão, perder a oportunidade de o ver ao vivo.

O problema é que não fui o único.

O auditório estava completamente cheio: 200 lugares sentados, gente sentada no palco, nos corredores (a abarrotar), nos vãos das janelas, na antecâmara e na escada de acesso. Ainda pensei em desistir e voltar para casa, mas já não consegui passar…

O conferencista

O Pe. Duarte Sousa Lara é licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade Católica e tinha planeado casar-se, ter 10 filhos e fundar uma equipa de motocross. Mas Deus tinha outros planos: Sacerdote da Diocese de Lamego, doutorado em teologia moral e professor na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma, professor do seminário, pároco, exorcista na sua diocese, tem ainda, como já se referiu acima, uma presença na Internet que faz lembrar os sites das “estrelas” eclesiásticas dos EUA (menos o ícone  do cartão VISA).


A Fé

Na linguagem corrente, o que significa ter fé - perguntou o Pe. Duarte. Ter fé implica acreditar naquilo que alguém nos diz porque esse alguém é credível, tem autoridade e, simultaneamente, não tem intenção de nos enganar. Temos fé naquilo que nos dizem os nossos pais, os nossos professores, etc… Mas Deus é omnisciente e é Verdade e Amor, portanto não há ninguém que seja mais digno de Fé do que Deus- [“Creio firmemente em tudo o que Vós revelastes e a Santa Igreja ensina porque não podeis enganar-Vos, nem enganar-nos” recitei eu baixinho de forma que as 10 pessoas que partilhavam os 20 cm quadrados que eu ocupava não pudessem ouvir].

Mas, se de facto assim é, deveríamos saber o que Deus nos quer revelar. Mas será que o sabemos ? Lemos e meditamos a Bíblia e o Catecismo ? Se não, então o orador convidou-nos a começar.


A superstição

E a superstição o que é ? [sobre esta matéria ver a Summa Theologica de S. Tomás.]

Para além da conotação negativa que tem na linguagem corrente, a superstição é o vício que se opõe por excesso à virtude moral da religião. A religião é, por sua vez, uma virtude parecida com a virtude da justiça. Enquanto que a virtude da justiça consiste em dar a cada um aquilo a que tem direito, a virtude da religião consiste em oferecer a Deus aquilo a que Ele tem direito. Peca-se por excesso contra a virtude da religião e pratica-se a superstição quando os atributos de Deus ou o culto e a forma de tratamento que devem a Deus são transferidos para alguém ou algo que não é Deus.

Pratica-se a superstição de 3 formas:


  • A idolatria, quando se presta a uma criatura o culto que se deve a Deus.

  • A adivinhação, quando se procura conhecer o futuro com a ajuda (real ou não) dos espíritos. Ora, como dizem as Escrituras, só devemos ser ensinados por Deus. Por vezes os adivinhos e bruxos - com a ajuda dos demónios - sabem coisas sobre as nossas vidas que ninguém deveria conhecer. A pessoa fica impressionada e deixa-se então envolver nestas práticas. Mais tarde surgem os problemas pessoais, familiares, espirituais associado ao convívio com estes espíritos.

  • A magia, quando se atribuem poderes preternaturais a objectos, amuletos ou a determinadas práticas (magia branca ou negra) - solicita-se a ajuda de uma força que não é Deus; faz-se um pacto com o demónio (explicita ou implicitamente e independentemente das circunstâncias). O Pe. Duarte explicou qual é o critério geral (do S. Tomás de Aquino) para determinar se um determinado objecto cai nesta categoria: sempre que se utilizam esses objectos, não de acordo com os seus fins naturais - aqueles que Deus lhes atribuiu -, mas sim de acordo com propriedades ou fins preternaturais.

  • O orador foi ilustrando a conferência com exemplos da sua actividade pastoral e com histórias ou formas de dizer divertidas que prenderam a atenção dos presentes e os fizeram esquecer o relativo desconforto em que se encontravam (ou então foi uma conspiração do Opus Dei para obrigar as pessoas a praticarem a mortificação corporal).

    Quando chegou a altura das perguntas e respostas a confusão era muita; tentei levantar o braço, só que não era o meu braço !


    A ideologia como superstição ?

    A questão que eu gostaria de ter colocado prende-se com os meus interesses - cismas - muito particulares. Será (ou poderá ser) a ideologia uma forma de superstição ? Deixo esta discussão para o post seguinte.


    5.5.12

    SANTO PADRE: "it is necessary for States to ensure that legislation does not increase social inequality"

    Bento XVI, 04/05/2012:

    "The global economic crisis has caused an increasing number of families to live in precarious conditions. When the manufacture and increase of needs leads us to believe in the possibility of unlimited enjoyment and consumption, the lack of the means necessary to achieve these ends leads to frustration. ... When poverty coexists with enormous wealth, a sense of injustice arises which can become a source of rebellion. Therefore it is necessary for States to ensure that legislation does not increase social inequality and that people can live dignified lives".

    ... Experiences such as micro-credit, and initiatives to create cooperative associations show that it is possible to harmonise economic objectives with social necessities, democratic government and respect for nature. It is also advisable to encourage manual work and to promote an agriculture which works in favour of local people, viewing these activities with the respect they deserve".

    "In order to strengthen the human factor of social and political life, attention must given to another kind of poverty: the loss of reference to spiritual values and to God. This defect make it more difficult to distinguish good from evil, and to overcome personal interests in favour of the common good. States have a duty to promote their cultural and religious heritage, which contributes to the development of a nation, and to facilitate people's access thereto, because by familiarising ourselves with our history each of us is able to discover the roots of our own existence".

    ... In this way we will build a society in which sobriety and fraternity triumph over misery, indifference and selfishness, over exploitation and waste and, above all, over exclusion".

    4.5.12

    CONFERÊNCIA: "A importância de São Josemaria Escrivá na história da Igreja Católica" (Cónego Senra Coelho)

    Esta conferência, que em boa hora o GASJ decidiu organizar, realizou-se em Setúbal, no auditório da paróquia da Anunciada, no passado dia 25 de Abril.

    O conferencista, Cónego Senra Coelho, da Arquidiocese de Évora, é historiador e autor de numerosos livros e artigos. Nunca antes tinha tido a oportunidade de o ouvir, apesar de ser presença habitual nos media, mas fiquei muito bem impressionado com a sua erudição e capacidade de comunicação.

    A conferência iniciou-se um pouco depois das 16H. Apesar de ser um dia feriado e, ainda por cima, frio e chuvoso, estavam presentes no início da conferência cerca de 60 pessoas (contadas pelos dedos)

    O Cónego Senra Coelho apresentou 4 aspectos que considerou serem contributos relevantes de S. Josemaria para a história da Igreja: a santificação do trabalho, o papel do leigo na Igreja, o papel da mulher e a formação e apoio ao sacerdote.

    A intervenção do conferencista centrou-se, sobretudo, na questão da santificação do trabalho, tendo referido os outros temas com menos pormenor.


    A santificação do trabalho

    Começando pelo Génesis e pela narrativa da Criação, o Cónego Senra Coelho explicou que o "Senhor Deus levou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e, também, para o guardar". No entanto, depois da queda, o homem "arrancará [da terra o] alimento à custa de penoso trabalho, ...[e comerá]  o pão com o suor do [s]eu rosto". A partir desta dicotomia entre trabalho como forma de santificação e trabalho como pena, castigo e forma de redenção - o trabalho como mal necessário, disse -, leu toda a história da Igreja. 


    Ao longo da história foi-se acentuando a perspectiva do trabalho como mal necessário e atribuindo uma maior importância à vida contemplativa como caminho de santidade. Depois dos primeiros cristãos terem vivido e trabalhado no meio do Mundo, o ermita afasta-se para o deserto, o monge ora et labora no seu mosteiro e, mais tarde, o frade mendicante, dedica-se sobretudo à pregação. Às tarefas da oração, da pregação e da celebração dos Sacramentos, da guerra - no caso dos monjes guerreiros - contrapõem-se as tarefas correntes e menores de servos, auxiliares e escudeiros. Para os leigos a santificação passava por tentar imitar na sua vida corrente as práticas dos consagrados [recordei-me, neste momento da apresentação, das ordens terceiras].


    Com a revolução protestante, a visão antropológica negativa dos reformadores acentuou esta tendência. [Neste ponto, permito-me acrescentar um comentário da minha autoria que não tive oportunidade de fazer no período de perguntas e respostas: a tese da "ética protestante e da emergência do capitalismo", mais ou menos desacreditada do ponto de vista académico mas ainda muito presente na nossa sociedade actual e até nestas discussões sobre a crise, não implica tanto uma valorização do trabalho em si, mas do sucesso profissional e da prosperidade pessoal, transformando-se facilmente no "amor ao dinheiro" de que fala S. Paulo. O trabalho corrente, comum, do servo, do agricultor, do artesão, do assalariado, não é valorizado.]

    S. Josemaria vem inverter esta tendência e propor de novo a vida do cristão corrente, que vive, trabalha e sustenta a sua família no meio do mundo, como caminho de santificação, em paralelo com a vida consagrada.


    O precursor do Vaticano II: O leigo, a mulher, o apoio aos sacerdotes

    Quase como consequência desta doutrina, o papel do leigo sai valorizado. Qual é a personagem que, no nosso tempo, e depois do Ermita, do Monge, do Monge-Cavaleiro e do Frade Mendicante, congrega, motiva e atrai os jovens e os cristãos em geral, questionou-se o Cónego Senra Coelho. Não tendo respondido directamente a esta pergunta, percebeu-se que, no seu entendimento, será o leigo. (Esta questão foi de novo levantada durante o período de perguntas e respostas tendo também sido mencionadas as figuras dos Santos Padres dos últimos 2 séculos.)

    Nos anos 60, o Concílio Vaticano II veio valorizar o papel do leigo, algo que S. Josemaria já tinha "visto" em 1928. Este papel de S. Josemaria como percursor do Vaticano II parecerá estranho e contraditório a muitos que conhecem o Opus Dei através dos media - mencionou o orador -, mas a realidade dos escritos e da obra aí estão para comprovar esta asserção.

    O mesmo se diga do papel da mulher na Igreja - com excepção dos Ministérios Ordenados. Para S. Josemaria e no Opus Dei, quase desde o princípio, o ramo masculino e o ramo feminino sempre estiveram em igualdade de circunstâncias, não só do ponto de vista orgânico, mas também no que respeita à formação e ao apostolado. Nas grandes ordens religiosas, os ramos femininos surgem sempre como as 2ªs ordens, afirmou.

    O conferencista falou igualmente da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz. S. Josemaria terá pensado abandonar o Opus Dei para se dedicar aos seus irmãos sacerdotes cuja situação o terá impressionado de sobremaneira. No entanto, acabou por fundar a Sociedade Sacerdote Sacerdotal da Santa Cruz unida ao Opus Dei, para apoiar e formar os sacerdotes diocesanos - tal como o Opus Dei forma os membros das outras "profissões" - sem que os mesmos saiam do seu lugar, isto é mantendo-se na dependência do Bispo Diocesano. Todas as obras que surgiram ao longo do tempo com este mesmo objectivo acabaram por assumir a forma de institutos religiosos com uma hierarquia própria.

    O conferencista terminou a sua intervenção deixando falar S. Josemaria, ou seja, leu alguns excertos dos escritos de S. Josemaria que fundamentavam as opiniões expressas durante a conferência.

    3.5.12

    A transformação do Pingo Doce em banco alimentar contra a fome


    A mercearia do Sr. Santos transformou-se no novo muro de berlim que separa a "esquerda"  e a "direita" - já são todos mais ou menos capitalistas burgueses, mais ou menos abortistas, mais ou menos maçons, mais ou menos ateus e são todos muito amigos do seu amigo quando chegam ao poder, portanto, é natural que a discussão política se transfira para a cor das gravatas ou para o clube de futebol.

    O que a campanha do Pingo Doce demonstra é que uma larga fatia da classe média não aufere um salário justo. A Igreja ensina que:
    "o trabalho deve ser remunerado de tal modo que permita ao homem e à família levar uma vida digna, tanto material e social, como cultural e espiritual... O simples acordo entre empregado e empregador acerca do montante da remuneração não basta para qualificar como «justa» a remuneração concordada, porque ela «não deve ser insuficiente para a subsistência» do trabalhador: a justiça natural é anterior e superior à liberdade do contrato"
    Os salários pagos a muita gente não são justos; a única forma de alguns conseguirem aceder aos bens de primeira necessidade é transformar o Pingo Doce em meio (50%) banco alimentar contra a fome e pagar o triplo aos empregados do supermercado. c.q.d.


    Entretanto, enquanto nós gastamos as nossas energias a discutir a estratégia comercial do Pingo Doce, o governo lá vai continuando a destruir a sociedade e a economia (embora - honra lhe seja feita - ainda não se tenha lembrado de copiar os tiques autoritários do socratismo), a extrema-esquerda quis impedir pela força que a extrema-direita exercesse os direitos que a constituição lhe atribui e o estado-maior israelita prepara a mobilização geral. Notícias sem importância ...


    French Revolution martyr beatified

    Father Pierre-Adrien Toulorge (1757-93), a Norbertine priest martyred during the French Revolution, was beatified on April 29 at the cathedral in Coutances, France. Cardinal Angelo Amato, prefect of the Congregation for the Causes of Saints, presided at the beatification, which was attended by 1,500 faithful and hundreds of priests and religious. When Father Toulorge was sentenced to death, a nun who was arrested with him wept, prompting this rebuke from the priest:
    "Madame, the tears you are shedding are unworthy of you and me. What would worldly people say if they knew that having renounced the world, we found it difficult to leave it? If we are loathe to die, we will give the children of this century a bad example, and perhaps your discouragement will close the door of salvation for many souls who might find themselves in the same situation. Let us teach them by our constancy what they must do. Let us show that faith is victorious over torture, and open a path to heaven amidst the final efforts of hell".

    1.5.12

    Será que o Papa é funcionário público ?


    "O trabalho e a festa estão intimamente ligados à vida das famílias: condicionam as suas escolhas, influenciam os relacionamentos entre os cônjuges, e entre os pais e os filhos, incidem sobre a relação da família com a sociedade em geral e com a Igreja. A Sagrada Escritura (cf. Gn cap. 1-2) diz-nos que a família e o trabalho constituem dádivas e bênçãos de Deus para nos ajudar a viver uma existência plenamente humana. A experiência quotidiana garante que o desenvolvimento autêntico da pessoa exige quer as dimensões individual, familiar e comunitária, quer as actividades e as relações funcionais, como também a abertura à esperança e ao Bem sem limites.

    Infelizmente, nos nossos dias a organização do trabalho, pensada e levada a cabo em função da concorrência de mercado e do máximo lucro, e a concepção da festa como ocasião de evasão e de consumo, contribuem para desagregar a família e a comunidade, bem como para difundir um estilo de vida individualista. Por conseguinte, é necessário promover uma reflexão e um compromisso destinados a reconciliar as exigências e os tempos de trabalho com aqueles da família, recuperando assim o verdadeiro sentido da festa, especialmente do domingo, Páscoa semanal, dia do Senhor e do homem, dia da família, da comunidade e da solidariedade."
     ... talvez seja comunista (já sabemos que ele é nazi, portanto, não me admirava nada). Ou talvez a Fé e a Graça lhe permitam evitar a cegueira ideológica e contemplar os planos do Criador para as nossas vidas - o verdadeiro planeamento central que leva em conta o nosso livre-arbítrio.