18.1.13

Portugal “regressa aos mercados” e os portugueses voltam às feiras

“Os mercados”. Essa coisa abstracta e impessoal de atributos quasi-divinos - omnisciência, omnipotência, perfeição, justiça, sabedoria, providência, ...-, é na realidade uma espécie de campeonato  entre especuladores, bancos centrais, direcções-gerais do tesouro e bolsos fundos de mafiosos, cleptocratas e oligarcas – todos usurários.

[aaaahhh, já me sinto mais aliviado]

Neste campeonato, o BCE, pela boca do Mário Draghi, já fez saber que quem manda é ele. É o Futebol Corruptos do Porto lá do sítio: Os regulamentos não se lhe aplicam e, ao contrário, do que aconteceu recentemente com os propriamente ditos, nunca joga desfalcado de equipa de arbitragem.

[Esta também soube bem]

De facto, desde que o Mário Draghi garantiu o apoio incondicional à dívida pública dos estados-membros, as taxas de juro têm vindo por aí abaixo … qualquer dia nem é preciso austeridade …

Se o homem ou seu antecessor tivessem falado mais cedo, nem teria sido necessário mudar o nome deste blog.

Entretanto, o Vitor Gaspar e o sobrinho do reformado Jorge Coelho – cujo tio abdicou recentemente para dar lugar ao Miguel Relvas - têm andado pelas capitais europeias a mendigar o apoio dos nossos senhores. E vão tê-lo.

Faço até a seguinte previsão:

Previsão 1: o regresso aos mercados será um grande sucesso

A Merkel está com as eleições à porta e os aliados liberais do FDP não estão a cumprir a sua função de muleta. A única coisa que lhe faltava era uma revolta de escravos nas fronteiras do espaço vital alemão.

O Ministro das autarquias até é capaz de montar a campanha autárquica à volta do slogan “voto de confiança dos mercados”.

E como estamos a falar do eleitorado que votou 3 vezes no Sócrates – duas das quais maioritariamente -, até é bem capaz de resultar…

Mas o que é importante aqui sublinhar é que o revés da medalha do “regresso aos mercados” é …

… a aritmética da austeridade

Passou despercebido há alguns meses um artigo que concluía assim:

"Se Portugal não crescer 4%/ano [em termos nominais], as taxas de juro não estabilizarem em 4.5% e o saldo primário não rondar 3.2% do PIB, a dívida pública não regressará a 85% do PIB em 2030 como o FMI vaticina. Perante este cenário, emerge a discussão da renegociação de dívida…"
A autora destas linhas é administradora do IGCP e "pessoa do sector".

Comecei este ano a desejar ao pessoal um bom ano de 2025 porque sou muito optimista.

Esta semana, a UTAO, mandou dizer que:
”A ‘Regra de ouro’ … [a] obrigação de caminhar rapidamente para uma dívida pública de 60% vai forçar Portugal a um excedente orçamental primário superior a 4% até 2020.”

Em 2013 – diz a UTAO -, se tudo correr bem, teremos um saldo primário de -0,1% do PIB … se tudo correr bem …

Alguém acredita que é possível atingir saldos primários de 4% continuando apostar nas actuais políticas de espiral depressiva (e deflacionista)? Quem acreditar nisso envie-me um e-mail porque eu tenho uma ponte sobre o Tejo em 2ª mão para vender. Baratinha.

E o que faz o Governo em vez de começar a pensar na renegociação da dívida, como se sugere acima, ou na saída do Euro e da UE, como sugiro eu ?

Aproveita para, a coberto do cumprimento dos objectivos nominais do memorando – objectivos agora desvalorizados pela Sr.ª Lagarde e que, apesar de tudo, foram desrespeitados pelo governo Português – entregar o país ao partido comunista chinês e à cleptocracia angolana. Pelo caminho ainda conseguiu fazer o favor aos bancos de lhes ficar com os seus fundos de pensões.

Fosga-se.

Mas o pior é que isto não é o pior.

Todos estas contas são feitas de acordo com determinados cenários.

Vai daí, peguei nos valores publicados recentemente pelo Banco de Portugal no seu Boletim Económico, valores esses que até são mais pessimistas do que os do Governo, e na falta de “costas de envelopes” meti-os no excel (também tenho um).

A minha ignorância sobre estas coisas é quase total - confesso. Ao contrário de outros que por aí andam a proclamar a sua sabedoria "económica" e a rir-se da suposta ignorância de terceiros, eu passei uns 12 anos a estudar a coisa... e até ia às aulas... e até terminei as partes lectivas dentro dos prazos regulamentares... e até tive boas notas. E é por isso que não confundo propaganda koch-sucker com religião ou ciência e só sei que nada sei.

Mas mesmo assim, lá fui fazendo os meus cenários. Parece-me que, apesar do “enorme aumento de impostos” em 2013 ser inferior ao corte dos subsídios da função pública em 2012, aquele vai recair sobre um número de trabalhadores muito superior ao número de funcionários públicos. O efeito líquido é menor? Não me parece. Mas então, como é que é possível concluir que o PIB em 2013 vai diminuir menos do que em 2012 ?

E é por isso que prevejo que …

Previsão 2: A taxa de crescimento do PIB vai ser igual ou inferior à registada em 2012.

Se não acertar na previsão fecho o blog(*).

Talvez devesse substituir PIB por procura interna…

(*) DISCLAIMER: Não fecho o blog, mas volto ao copy paste. Só se já não houver cacau para estas criancices é que isto fecha.

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