11.2.13

Querido Papa, desiludiste-me...

Tomo a liberdade de te tratar por tu porque já nos conhecemos. Eu sou aquele que te acenou quando tu passaste no Terreiro do Paço, lembras-te?

Querido Papa, desiludiste-me... porque razão vais resignar?

Na tua primeira encíclica, escreveste:
"Não é o evitar o sofrimento, a fuga diante da dor que cura o homem, mas a capacidade de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor"
Jesus não desistiu a meio da crucificação com cãibras nos gémeos e dores nas costas. O descanso é depois do calvário e não antes. Mas que raio de exemplo é esse?

Não subvalorizo o teu fardo, mas também não sobrevalorizo as graças que recebestes e recebes todos os dias. Não é verdade que a nossa cruz nunca é verdadeiramente superior às nossas forças quando recorremos ao Senhor?

E não te recordas da lição do teu antecessor? Achas mesmo que o teu vigor físico e intelectual são essenciais para cumprires a tua missão? "Quando sou fraco, então, é que sou forte”.

Sobretudo, um pai não abandona os seus filhos, especialmente quando eles são pequenos e precisam de ajuda para tudo.

E aqueles filhos mais adolescentes que só fazem asneiras e que pensam que não precisam de ninguém? Esses agora vão pensar que são os homens da casa e começar a dizer asneiras, sem que ninguém tenha autoridade para lhes pregar um tabefe e os mandar para o quarto sem jantar.

A Igreja é mãe, mas nos próximos tempos vai parecer uma mãe solteira.

Desculpa este desabafo.

Continuo a lembrar-me de ti nas minhas orações.

Sem comentários: