11.7.13

A destabilização em nome da estabilidade

Já toda a gente estava conformada com a "solução governativa" e preparava-se para encostar às boxes e ir de férias.

Mas veio de lá o Cavaco e estragou os planos do pessoal.

O Cavaco é um homem de princípios.

Aborto? Não gosto mas assino. A legitimação do homossexo ? Não gosto mas assino. Causas fracturantes em geral ? Não gosto mas assino. O Sócrates durante um rôr de anos ? Fumei mas não inalei.

Será que agora o Portas como vice-primeiro fez transbordar o copo ?

Se assim fosse, percebia-o perfeitamente.

Mas nem me parece que tenha sido isso.

Logo após o faniquito do Portas, foi noticiado que - em caso de eleições antecipadas - a troika exigiria aos principais partidos um compromisso firme de que o memorando(qualquer que fosse a versão que estivesse em vigor nessa altura), era para ser cumprido. Caso contrário, não havia mais dinheiro.

Ou seja, o que aconteceu foi que o Cavaco serviu de intermediário à troika e aos credores. E, além disso, é uma forma de chutar para canto, que é uma especialidade do Cavaco presidente.

Cenários pós-Cavaco

Como não tenho acertado nas minhas previsões, aqui vai mais meia-dúzia:

  1. O Presidente da República torna-se o político menos popular (fazendo companhia ao Portas).

    Furar expectativas e contribuir para a confusão tem um preço.

  2. O Passos não aceita a demissão do Cavaco (à semelhança do que fez com a demissão do Portas).

    O Governo continua "legitimamente em funções" com ou sem o apoio do CDS. E, portanto, terá de ser o Cavaco a dissolver a AR e a assumir responsabilidades (coisa que tem sido muito difícil nos últimos anos).

  3. O PS aceita a demissão do Cavaco e assina "o compromisso". Logo, o PCP e o bloco terão resultados históricos nas próximas eleições. Conclusão: o PS não vai assinar nenhum compromisso.

  4. O CDS aceita a demissão do Portas... não interessa o que é que o CDS vai fazer, porque transformou-se num partido zombie graças ao seu pequeno grande líder. Quando muito, o próximo congresso fará o favor de aceitar a demissão do Portas.

  5. O bloco e o PCP demitem-se de fazer muito espalhafato (excepto por intermédio sindicato) e nas próximas eleições têm a possibilidade de chegar ao poleiro.

  6. O Cavaco não demitirá a AR, pelas razões que ele próprio enunciou na 1º parte do seu discurso.

    O Cavaco não nomeará nenhum governo de iniciativa presidencial. Porquê ?

    Em primeito lugar porque iniciativa é uma das palavras que não existe nos dicionários do palácio de Belém.

    Em segundo lugar, porque ninguém quer fazer de Nobre da Costa (Quem ? Exactamente.)

    Em terceiro lugar, mesmo que alguém se prestasse a fazer este papel (Governador do Banco de Portugal ?), não conseguiria aprovar o OE na AR.

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