28.3.15

O Sacrilégio de Lothaire / Lothaire's Sacrilege

Um terrível exemplo do julgamento de Deus sobre os comunicantes sacrílegos é a história de Lothaire que viveu no Séc. IX. Tal como Henrique VIII, ele deixou a sua esposa legítima para "casar" com outra mulher, Valrade, por quem se tinha apaixonado ilicitamente.

Por esta razão, foi excomungado pelo Papa Adriano, que condenou este segundo "casamento" como um crime grave.

Lothaire tentou então enganar Sua Santidade aparentando estar arrependido e foi a Roma para ser absolvido das censuras da Igreja, informando o Papa de que tinha cortado totalmente a sua ilegítima relação com Valrade.

Enganado pela sua hipocrisia, Adriano absolveu-o e, a seu pedido, aceitou dar-lhe a comunhão como sinal da sua reconciliação com a Igreja.

No dia marcado, o Papa Adriano celebrou os Sagrados Mistérios na presença do Rei. No momento da comunhão, tomando na sua mão o Corpo de Nosso Senhor, voltou-se para Lothaire e disse:
"Príncipe, se tiveres sinceramente renunciado a qualquer relação com Valrade, aproxima-te com confiança e recebe o Sacramento da vida eterna. Mas, se o teu arrependimento não for sincero, não recebas precipitadamente o Corpo e Sangue de Nosso Senhor porque, ao profaná-lo, estarás a comer e a beber a tua própria condenação."
Depois, voltando-se para os cortesãos, disse:
"Se não tiverdes consentido nos, nem contribuído para os crimes do vosso mestre, que o Corpo do Senhor seja para vós penhor de vida eterna !"
Alguns dos presentes, aterrorizados, afastaram-se, mas o Rei e uma grande quantidade dos seus seguidores consumaram o seu crime ao receberem a Santíssima Comunhão.

Algum tempo depois, Lothaire regressou a Franca ansioso por voltar tão cedo quanto possível para a malvada mulher a quem tinha fingindo rejeitar. Mas não se tinha afastado muito quando foi vítima do julgamento do Céu. Em Lucca, ele e o seu séquito foram atacados por uma febre maligna que produziu nas suas vítimas os mais terríveis efeitos. Os seus cabelos, as unhas e até as suas peles começaram a cair, enquanto um fogo interior os consumia. Assim morreram muitos debaixo dos olhos do Rei; os poucos que foram preservados foram os que se tinham afastado a tempo da Sagrado Banquete. O próprio Lothaire, empedernido pelo seu sacrilégio e pela sua malvada paixão, tentou continuar viajem até que, por fim, perdendo a sanidade e a fala, pereceu miseravelmente sem esperança nem sinal de arrependimento. Anecd. ChrSt.
A terrible example of the judgment of God on the sacrilegious communicant is related in the history of Lothaire, who lived in the ninth century. Like Henry VIII, he had put away his lawful wife, to marry another woman named Valrade, for whom he had conceived a guilty passion.

For this he was excommunicated by Pope Adrian, who condemned this second marriage as a most grievous crime.

Thereupon Lothaire sought to impose upon his Holiness by the specious appearance of repentance, and came to Rome to be absolved from the censures of the Church, representing to the Pope that he had entirely broken off the guilty connection.

Deceived by his hypocrisy, Adrian absolved him, and, at his earnest request, consented to communicate him and his principal officers with his own hands, in token of their reconciliation with the Church.

The day appointed having arrived, Pope Adrian celebrated the Sacred Mysteries in presence of the King. At the moment of Communion, taking in his hand the Body of Our Lord, he turned towards Lothaire and said:
"Prince, if you have sincerely renounced all connection with Valrade, approach with confidence and receive the Sacrament of eternal life. But if your repentance is not sincere, do not rashly receive the Body and Blood of Our Lord, and by profaning them, eat and drink your own condemnation."
Then, turning to the courtiers, he said:
"If you have neither consented nor contributed to your master's crimes, may the Body of Our Lord be to you a pledge of eternal life !"
Some of those present, struck with terror at the words, drew back, but the King and the greater portion of his followers consummated their crime by receiving Holy Communion.

A short time after, Lothaire set out on his return to France, anxious to rejoin as soon as possible the wicked woman whom he had pretended to dismiss. He had not gone far, however, when he was overtaken by the judgment of Heaven. At Lucca, both himself and his train were attacked by a malignant fever, which produced upon its victims the most frightful effects. The hair, nails, and even the skin fell off, while an inward fire consumed them. Thus did many die under the eyes of the King ; those only were preserved who had withdrawn in time from the Holy Table. Lothaire himself, hardened by his sacrilege and his wicked passion, strove to continue his journey, until at last, losing both sense and speech, he perished miserably without hope or sign of repentance. — Anecd. ChrSt.

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