30.3.15

Sacerdotes dos EUA, Reino Unido e Espanha manifestam-se contra o actual rumo da Igreja


Nos Estados Unidos, no Reino Unido, em Espanha os sacerdotes começam agora a manifestar publicamente as suas objeções ao rumo imprimido à Igreja. A forma como o fazem indicia a existência de um clima de repressão e medo.


Uma carta do Fr. Anonymous

O The Remnant publicou uma carta de um sacerdote com o título "Com medo do Papa Francico" que gerou um grande número de comentários e ecoou pela Internet. A missiva começa assim:
"Sinto-me encorajado pelos vossos artigos criticando o Papa Francisco pelos seus constantes ataques aos fiéis católicos ao mesmo tempo que que aprova o comportamento imoral de outros.

Sou sacerdote há 25 anos. Nunca experimentei tamanho sobressalto espiritual em todos estes anos e, acredite-me, eu assisti àquilo que eu pensava ser o pior que a Igreja Católica tinha para oferecer.

O comportamneto do Papa Francisco e os seus contínuos comentários improvisados deixam-me desmoralizado. Nunca senti tamanha má-vontade vinda da Santa Sé. A confusão provoca pelas afirmações do Papa Francisco entre os meus paroquianos e a forma como as acções do Papa reforçam uma cultura que já de si é anti-católica têm algo de sinistro. No olhar do Papa Francisco não vejo amor e compaixão mas antes vanglória e astúcia.

Existe agora a possibilidade de uma catástrofe quando o Sínodo reunir no Outono. O meu próprio Arcebispo enviou um inquérito aos paroquianos sobre o casamento e a família. As questões parecem tendenciosas, como se se pretendesse obter determinadas respostas. Temo, como nunca aconteceu anteriormente, que estejamos a enfrentar sérias mundanças doutrinais. Apesar do Papa Francisco continuar a insistir que se tratam de meras mudanças disciplinares, parece-me que ele está a ser insincero.

Por todo o Mundo vemos cardeais, arcebispos e bispos legitimando comportamentos que são inequivocamente condenados por Papas e Concílios. Enquanto vou ouvindo e vendo estes acontecimentos ecoa na minha mente a frase "o fumo de santanás entrou no santuário"
[frase pronunciada pelo Papa Paulo VI numa homília em 1972 na sequência dos catastróficos acontecimentos do pós-concílio]. Será que tudo o que está a acontecer é obra de satanás? Não estou preparado para o afirmar, mas no meu coração temo que seja verdade. E se for verdade então também poderá ser verdade que muitos membros da hierarquia não pertencem a Cristo.

Tenho conversado com outros sacerdotes sobre tudo isto. Todos nós temos medo do que poderá acontecer. Nenhum de nós sente que está apoiado em bases doutrinais sólidas. Todos nós trememos sempre que o Papa Francisco se vê em frente de um grupo de jornalistas. O que será que ele vai dizer a seguir? De que forma vai ele repreender aqueles que são fiéis servidores de Cristo? De que forma é que seremos castigados desta vez?

Um sacerdote perguntou-me o que é que eu faria se a Igreja aprovásse formalmente aquilo que anteriormente condenava. Tive de confessar que provavelmente seria obrigado a abandonar o ministério activo. Ele admitiu que estava na mesma situação.

O meu medo mais profundo é que se o Papa continuar a empurrar a Igreja no caminho da heresia teremos uma guerra entre os fiéis que fará a oposição do Arcebispo Lefebvre depois do Vaticano II parecer uma simple objeção.

Eu sei que irão compreender a razão pela qual não vou assinar esta carta.

Que Deus preserve a Sua Santa Igreja Católica das forças, vísivive e invisíveis , de dentro e de fora, que pretendem destruí-la. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores!
"


Um abaixo-assinado de 500 sacerdotes britânicos

Cerca de 500 sacerdotes britânicos fizeram publicar no Catholic Herald uma carta ao director manifestando a sua fidelidade ao magistério da Igreja sobre as questões da família e da sexualidade e à disciplina tradicional sobre a recepção dos sacramentos. Os signatários apelam aos participantes no Sínodo de Outubro de 2015 que defendam e proclamem o imutável ensinamento moral da Igreja:
"Na sequência do Sínodo Extraordinário realizado em Roma em Outubro de 2014 levantou-se grande confusão sobre o ensinamento moral da Igreja. Na actual situação, desejamos, enquanto sacerdotes católicos, re-afirmar a nossa resoluta fidelidade às doutrinas tradicionais sobre o casamento e o verdadeiro sentido da sexualidade humana, fundadas na palavra de Deus e ensinadas pelo Magistério da Igreja durante dois mil amos.

Comprometemo-nos novamente a apresentar este ensinamento em todas as suas dimensões enquanto, com a compaixão do Senhor, vamos ao encontro daqueles que lutam para responder às exigências e aos desafios do Evangelho numa sociedade cada vez mais secularizada. Mais, afirmamos a importância de defender a discplina tradicional da Igreja sobre a recepção dos sacramentos e a firme e inseparável harmonia entre doutrina e prática.

Exortanos todos os participantes no segundo sínodo sobre a família em Outubro de 2015 a fazer uma firme e clara proclamação do imutável ensinamento moral da Igreja, para que a confusão seja removida e a Fé confirmada.
"
Na sequência da publicação desta carta, o Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Nichols, veio criticar duramente estes sacerdotes. De facto, é escandaloso assistir a uma proclamação de lealdade sacerdotal à doutrina da Igreja...


Sacerdotes espanhóis comparam afirmações do Papa Francisco com a doutrina da Igreja

Um grupo de sacerdotes diocesanos espanhóis, alguns deles professores de teologia - anónimos - lançaram um site a que chamaram, com algum sentido de humor, El Denzinger-Bergoglio. O sub-título do blog é "Los sorprendentes aportes de Francisco al bimilenario Magisterio de la Iglesia".

Neste site apresentam uma "antología dos principais ensinamentos [do Papa Francisco] confrontado-os com o Magistério da Igreja".

O resultado é devastador mas, simultaneamente, confirma na Fé.


Meu comentário

Aqueles que manifestam dúvidas e inquietações sobre o Pontificado Bergogliano arriscam-se a ser etiquetados como lefebvristas.

Mas todos os sacerdotes acima mencionados são sacerdotes diocesanos que citam o magistério dos Papas pós-conciliares e os textos do Vaticano II em defesa das suas posições.

Era bom que se levassem a sério as preocupações destas pessoas porque, doutra maneira, algumas delas acabarão mesmo - lá mais para Outubro - a frequentar as capelas da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X. Isto na melhor das hipóteses porque o sínodo e o pós-sínodo podem fazer surgir dúvidas sobre aquilo que a Igreja afirma sobre si própria.

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