17.8.15

Guiado por S. Josemaria durante os tempos difíceis do concílio e do pós-concílio "que duram até hoje"

Pe Francisco Faus, Cinquenta anos do Concílio Vaticano II (Apêndice), 25/07/2012 :
"... tive a bênção de atravessar esses anos conduzido pela mão de um santo: São Josemaria Escrivá. Todos os que tivemos a mesma experiência nunca agradeceremos bastante a Deus essa graça.

Como é que São Josemaria nos guiou, como nos orientou? Resumindo muitíssimo, diria:

1) Zelando pela fé: lealdade à fé que, desde há mais de 2000 anos, constitui o “depósito” posto por Deus nas mãos da sua Igreja, e que ela guarda e ensina. Fortaleceu-nos na fé sobrenatural, e especialmente na fé na Igreja, e na fé da Igreja, que pode ter aprofundamentos e desenvolvimentos maravilhosos, sem negar nem alterar nada, mas amadurecendo o conhecimento das verdades “eodem sensu, eadem sententia”, como lembrava faz mais de quinze séculos São Vicente de Lerins.

Providenciou que nos fosse facilitado muito material teológico sério (entre outros, Schmaus, Scheeben, Garrigou-Lagrange, Ludwig Ott, Bartmann…); estudos bons sobre os textos conciliares, esclarecimentos e antídotos contra erros doutrinais, estudos filosóficos e teológicos de altura sobre S. Tomás de Aquino (Manser, Gilson, Pieper, Fabro…).

2) Priorizando a santidade e a oração: “sem santidade – dizia-nos – não se faz nada, sem oração não se faz nada”. Insistia na necessidade de termos “piedade de crianças e doutrina de teólogos”, e nos ensinava o modo prático de fazê-lo.

3) Levando-nos a uma fé e um amor maior do que nunca pela Eucaristia (“pôr amor onde se produziu um vazio”) e pelo Sacramento da penitência (confissão pessoal frequente).

4) Estimulando e orientando a nossa luta ascética: virtudes, mortificação, penitência, etc.

5) Movendo-nos à obediência fiel a todas as determinações e reformas conciliares, não como se fossem uma página que vira e anula a anterior, mas como nova página do mesmo livro, que o completa e enriquece.

6) Exortando-nos sem cessar à caridade com todos, especialmente, muita fraternidade sacerdotal com os irmãos que não pensam como nós, evitando criticar as pessoas(“antes morderia a língua e a cuspiria”). “Não somos antinada”, repetia. Ensinava-nos a praticar a amizade sincera, o afeto, a compreensão com todos (sem ceder aos erros), para além das divergências ideológicas e pastorais; e a fomentar laços de união entre os padres através de atividades não polêmicas de espiritualidade sacerdotal (como bem refletiu um artigo de maio do jornal “O São Paulo”, da Arquidiocese do mesmo nome, intitulado “Obrigado, Padre Manuel!”, a raiz do falecimento do Pe. Manuel Correa, sacerdote do Opus Dei que foi um dos orientadores espirituais dos seminaristas de teologia de São Paulo nos conturbados anos sessenta, muito querido por todos, porque “sabia querer bem”).

***

... É bem possível que muitos de vocês não sintonizem com algumas das minhas apreciações sobre os tempos do Concílio e os do posconcílio, que duram até hoje. Expus o que me pediram, tal como eu o vi, o lembro e o vejo agora. ...
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