29.12.17

Punti fermi sul Magistero (Don Angelo Citati)

[Resumo do do original italiano]

Primeiro erro: o "magisteriovacantismo"

De acordo com "magisteriovacantismo", após o Concílio Vaticano II o Magistério deixou de existir, ou porque a Sede está vacante, ou porque o Pontífice não tem a intenção de ensinar magistralmente.


  • Mas o Papa Pio XII ensina que o Magistério é a norma próxima da Fé. A Igreja não poderia sobreviver longas décadas sem ele. Portanto afirmar que o Magistério não existe (ou que existe apenas em potência e não em acto), coloca em causa indefectibilidade da Igreja.

  • Por outro lado, não podemos determinar a priori qual a autoridade de um texto promulgado pelo Papa (é o próprio Papa que o define) e mesmo no actual contexto e com alterações no conceito de Magistério ocorridas nos últimos anos (multiplicação de intervenções, diminuição da sua solenidade, aumento do número de órgãos, intenção "dialógica" e pastoral), os Papas têm continuado a recorrer ao Magistério no sentido tradicional do termo (i.e. A proclamação de Maria como Mãe da Igreja, o proclamação do Credo do Povo de Deus, a impossibilidade da ordenação de mulheres na Ordinaton Sacerdotalis, a condenação do aborto na Evangelium Vitae).

  • O facto de existirem erros ou contradições face ao passado não justifica esta posição visto que "o magistério pastoral ordinário pode conter erros ou simplesmente expressar opiniões".

    Segundo erro: "Absolutismo magisterial"

    No extremo oposto do "magisteriovacantismo" encontra-se o "absolutismo magisterial". Segundo esta posição, é suficiente que seja a autoridade legítima a publicar um documento para que a declaração aí contida seja magisterial, se imponha à consciência como indisputável, seja aceite e partilhada por todos os católicos.

    Mas:

  • o magistério tem de se expressar com verdadeira autoridade, em nome e com a autoridade de Jesus Cristo, mostrando como o ensinamento em questão tem as suas raízes na Tradição da Igreja e se encontra na continuidade do Magistério anterior.

  • às três instâncias epistemológicas de que dispõe o Católico para conhecer a verdade e orientar a sua consciência (a norma remota - a Tradição e as Escrituras, e a norma próxima - o Magistério), deve-se juntar uma quarta: a sua razão e os princípios que a governam, nomeadamente o princípio da não contradição. Daqui resulta que se uma proposição se encontra em contradição lógica com uma proposição magisterial anterior, o Católico deve em consciência rejeitá-la.


    Uma objecção: "Tradi-protestantismo" ?

    Não será esta a atitude dos protestantes que se recusam a acatar as declarações do magistério ou o acusam de trair as fontes da Revelação?

    Não.

    Os protestantes fundamentam a sua posição num critério positivo de oposição: cada fiel tem, sob a inspiração do espírito santo, a autoridade de determinar qual a é interpretação das Sagradas Escrituras e/ou da Tradição. Ou seja a razão individual torna-se o critério próximo de interpretação da Revelação

    A rejeição de proposições que contradizem o anterior magistério é um critério puramente negativo: não substitui o Magistério pela razão individual, mas precisamente porque aderiu a todas as proposições que a norma de fé próxima propõe, rejeita aquelas que as contradizem.

    O protestante pretende dispor da Autoridade para estabelecer o que faz parte da Revelação. O "tradicionalista" limita-se a recordar que aquilo que foi ensinado não pode ser simplesmente excluído e substituído pelo seu contrário ou que o que foi declarado incompatível com a o depósito da Fé não pode subitamente passar a fazer parte dele.

    Pretender negar a possibilidade deste tipo de crítica é querer elevar os detentores da Autoridade magisterial ao nível de Messias. Mas, pelo contrário, a tarefa do Magistério é transmitir, explicar, aprofundar e não inventar coisas novas. O único que pode dizer "ouvistes o que foi dito... eu porém digo-vos" é Jesus Cristo. A Revelação terminou com a morte do último apóstolo.

    Após a conclusão da Revelação, após a morte do último apóstolo, ninguém - nem mesmo o vigário de Jesus Cristo - tem autoridade para acrescentar ou modificar seja o que for.


    A verdade que se eleva entre os dois erros

  • O Magistério não deixou de existir após o Vaticano II e nos casos em que ele é verdadeiramente exercido, é requerida obediência de acordo com as diferentes graus de assentimento exigidos pela Igreja

  • Nos pontos em que o Magistério contém proposições que parecem contradizer o que foi anteriormente ensinados pelo magistério ou as suas consequências, deve-se manter o que foi ensinado pelo Magistério anterior.

  • No que respeita às questões em que não é claro que se a autoridade magisterial tradicional está a ser exercida mas em que que não é possível demonstrar contradições explicitas com o Magistério anterior, deve este magistério ser interpretado, por quem tem a devida competência para tal, à Luz da Tradição.


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