3.8.18

Bergoglio altera o Catecismo: "in the light of the Gospel, the death penalty is inadmissible"


Se um determinado acto é "inadmissível" - i.e. não é admíssivel -, então não existe intenção ou circunstâncias que o possam justificar.

Logo, se um determinado acto é "inadmissível", se-lo-á em virtude do seu objecto.

Mas se uma acção é "inadmissivel" em virtude do seu objecto, esta acção é intrisecamente perversa.

Portanto, ensina Jorge Bergoglio, a pena de morte é intrinsecamente perversa e, mais, é intrinsecamente perversa "à luz do Evangelho".


Mas:

  • A Igreja ensinou durante cerca de 2.000 anos que a pena de morte poderia ser imposta pelas autoridades púlicas quando não existisse outra pena que garantisse o bem comum. Ou seja, a autoridade pública poderia impor a pena de morte em defesa da sociedade sobre a qual exerce a sua autoridade. E como toda a autoridade vem de Deus, a autoridade pública impõe a pena de morte legitimamente e em nome de Deus.

    Se a pena de morte é inaceitável à luz do Evangelho, como ensina Bergoglio, a Igreja ensinou que um acto intrinsecamente perverso e contrário ao Evangelho era virtuoso.

    Se tal acontecesse a Igreja não seria nem Santa, nem indefectível.

  • As justificações apresentadas para esta evolução doutrinal revelam um entedimento modernista do que é a doutrina, o magistério pontifício e o desenvolvimento doutrinal.

    Se este entendimento do que é a doutrina, o magistério pontifício e o desenvolvimento doutrinal fossem verdadeiros, pelo menos o concílio vaticano I e o Papa S. Pio X teriam ensinado a heresia.

  • A "rigidez" doutrinal agora demonstrada por Bergoglio em relação à pena de morte contrasta com a flexibilidade demonstrada no caso do adultério, sendo que este sim, é intrisecamente perverso.

    Por que razão é que não é aplicada no caso da pena de morte o "protocolo" da Amoris Laetitia: discernimento caso-a-caso das circusntâncias específicas de cada um; decisão pessoal tomada em consciência?

    Por outro lado, porque razão é que Bergoglio alterou o Catecismo no caso da pena de morte e não alterou o Catecismo no caso da comunhão para adúlteros praticantes?

    Tudo neste pontificado (?) parece ser regido pela baixa política e pelo busca da popularidade a todo o custo. Quem conduz os destinos da Igreja aqui na terra simplesmente não acredita.

  • Por falar em política, onde está neste caso a sinodalidade e a descentralização tão apregoadas por Bergoglio? Foram os bispos de todo o mundo consultados sobre esta mudança de doutrina?

    (Não que eu tenha grande confiança nos bispos. Aponto apenas as incoerências do Papa ditador e déspota).

    E se, à semelhaça das dioceses alemãs, alguma diocese americana fizer publicar directrizes pastorais autorizando a pena de morte em algumas circuntâncias - e citando liberalmente a Amoris Laetitia -, o que fará Bergoglio?

  • Se a Igreja se deve empenhar nas campanhas pela abolição da pena de morte, porque razão é que Bergoglio nunca disse o mesmo em relação ao aborto e ao "casamento" entre sodomitas? Aliás, Bergoglio tem primado pelo seu silência no caso de leis e referendos sobre estas matérias.
Quanto à "coincidência" do anúncio desta medida ter surgido exactamente na altura em que rebentou o escândalo da infiltração homossexual na Igreja, que envolve membros do alto clero Bergoglista, alguns dizem: "Ah, o documento é de Maio, data anterior ao caso McCarrick". Pois sim, mas a data de divulgação foi 2 de Agosto e, por outro lado, quem está disposto a alterar a doutrina da Igreja teria algum escrúpulo em alterar a data de um documento?

Devo no entanto reconhecer que, do ponto de vista táctico, esta jogada é brilhante. A abolição da pena de morte é uma causa liberal e politicamente correcta e, portanto, os nossos prelados não se atreverão a abrir a boca (que de qualquer forma já só se abria para cantar os louvores do bergoglianismo e do liberalismo reinante). É claro que que a aceitação tácita da alteração do catecismo e da substituição de um preceito pelo seu contrário servirá daqui a uns meses (dias?) de precedente para justificar a alteração da doutrina sobre a guerra justa, a homossexualidade, a contracepção... e o mais que se verá. Nessa altura já não haverá nada a fazer.

A única vantagem disto tudo é que o Papa, depois de ter dado filet mignon aos modernistas, se lembre agora de atirar uma cenourita aos católicos [Whishful thinking]. Ou talvez não, visto que a máscara já caiu e a resistência foi completamente dominada.


À laia de conclusão:

Ab homine iniquo et doloso erue me.



P.S.1 Mesmo que eu esteja enganado e exista uma forma de compatibilizar aquilo que Bergoglio ensina com a doutrina da Igreja, a opinião pública e publicada está unanimemente a interpretar esta mudança nos termos acima indicados. Não se justificaria uma correcção pública? Claro que sim. Onde é que está a correcção?

P.S.2
Fase 1: não há mudança, não há mudança, não há mudança.
Fase 2: existe uma forma de compatibilizar as palavras do Papa com a doutrina da Igreja.
Fase 3: mudou e ainda bem. As doutrinas da Igreja mudam.

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